Chile 3×1 Austrália: Os chilenos que sofreram mais do que deveriam
A CRÔNICA
A Austrália chegou ao Brasil como candidato a ser um dos piores times da Copa, ainda mais em um grupo que teria pela frente Chile, Holanda e Espanha. Só que o que se viu em campo foi um time que batalhou muito, contra um Chile que mostrou seu potencial ofensivo, mas que desperdiçou demais. O jogo foi muito atrativo para a torcida e o time de Jorge Sampaoli confirmou a expectativa de ser um time que vai divertir quem o assistir na Copa. A vitória por 3 a 1 sobre a Austrália qualifica o time a, ao menos, brigar por uma vaga na Copa.
O ambiente do estádio era fantástico. Cuiabá se tornou um pouco chilena com dezenas de milhares de chilenos que cantaram, vibraram e fizeram do estádio um pouco de Libertadores. A estimativa é que foram 25 mil entre os 40 mil presentes. Claro, o vermelho pintava o estádio, que se tornou a casa chilena. O ambiente era favorável, o time trazia expectativas. Faltava cumprir tudo isso.
Como era esperado, o Chile partiu para cima da Austrália com muita fome. E antes de 15 minutos já abriu 2 a 0, o que dava a pinta que poderia ser uma goleada. Solto, o time de Sampaoli chegava com muita velocidade. Tanto que em poucos toques já estava no ataque.
Aos poucos, o time perdeu a força. A Austrália conseguiu o gol de empate em uma jogada cantada: a bola aérea. Com seu 1,80m, o atacante Tim Cahill subiu mais que Gary Medel, 1,71m, e mandou para a rede. Ele levaria perigo ainda nesse jogada mais vezes na partida. Contra a baixa zaga chilena, essa era uma jogada esperada. E será, para qualquer adversário da Roja.
Depois do intervalo, a Austrália se animou e foi perigosa. Começou a pressionar e em duas bolas aéreas chegou perto de empatar. Na verdade, uma das vezes chegou a colocar a bola na rede, mas Cahill estava impedido. Com Vidal ainda se recuperando de lesão, teve que deixar o campo para a entrada de Felipe Gutiérrez. E o Chile voltou à carga. Teve um lance de perigo com Vargas e equilibrou o jogo.
O Chile, então, passou a criar chances. E perdê-las. O time é muito preciosista no ataque. Falta aquele jogador com fome de chutar a gol, de finalizar. Os jogadores pentearam demais a bola, perderam as chances e mal finalizaram. O jogo que no início tinha um roteiro de festa ficou com contornos que poderiam ficar dramáticos. Mas a Austrália não tinha tanta qualidade assim e o Chile tinha. Já nos acréscimos, o Chile ampliou o placar, fez o terceiro gol e fechou a conta.
Os comandados de Jorge Sampaoli agora terão a missão de enfrentar uma Espanha em pedaços. Terá que mostrar se está à altura desse enorme desafio.
FICHA TÉCNICA
Chile 2×1 Austrália
CHILE
Claudio Bravo; Mauricio Isla, Gary Medel, Gonzalo Jara e Eugenio Mena; Charles Aránguiz, Marcelo Díaz e Arturo Vidal (Felipe Gutiérrez, 14’/2T); Jorge Valdívia (Jean Beausejour, 23’/2T); Alexis Sánchez e Eduardo Vargas (Mauricio Pinilla, 42’/2T). Técnico: Jorge Sampaoli
AUSTRÁLIA
Matthew Ryan; Ivan Franjic (Ryan McGowan, 4’/1T), Alex Wilkinson, Matthew Spiranovic e Jason Davidson; Mile Jedinak e Mark Milligan; Mathew Leckie, Mark Bresciano (James Troisi, 32’/2T) e Tommy Oar (Ben Halloran, 24’/2T); Tim Cahill. Técnico: Ange Postecoglou
Estádio: Arena Pantanal, em Cuiabá
Árbitro: Noumandiez Doue (CMA)
Gols: Sánchez, 12’/1T, Valdívia, 14’/1T, Cahill, 35’/1T
Cartões amarelos: Cahill, Jedinak, Milligan
Cartões vermelhos: nenhum
OS GOLS
12’/1T: GOL DO CHILE!
Aránguiz fez a jogada pela direita, avançou até dentro da área, na linha de fundo, e tocou para trás. Alexis Sánchez dominou e tocou para o gol para fazer o primeiro gol do Chile na Copa.
14’/1T: GOL DO CHILE!
Alexis Sánchez trabalhou a jogada pelo meio, abriu espaços e tocou para Valdívia, livre na entrada da área, finalizar com categoria e precisão: 2 a 0 para os chilenos.
35’/1T: GOL DA AUSTRÁLIA!
Cruzamento preciso da direita de Franjic que encontrou Cahill na área. Ele subiu mais que o baixinho Medel e cabeceou para as redes para marcar.
45’/2T: GOL DO CHILE!
Boa jogada pelo meio que culminou em finalização de Pinilla, no meio, livre. Ele jogou em cima do goleiro Ryan, que espalmou, e a bola sobrou para Beausejour. Ele dominou e chutou no cantinho, boa rasteira, e fechou a conta em Cuiabá.
O CARA
O melhor nome do Chile foi Alexis Sánchez. Além de ter feito o primeiro gol, foi quem construiu a jogada do segundo, que ele deu para Valdívia marcar. Foi um jogador perigoso enquanto teve pernas, o que durou até parte do segundo tempo. Depois, o time do Chile sofreu demais, e ele junto. Mas foi decisivo e, com a bola, fazia diferença.
A TÁTICA

A ESTATÍSTICA
615
Esse foi o número de passes trocados pela equipe do Chile, que tem um estilo que se encaixa bem na Espanha, de muitas trocas de bola, um estilo que mantém desde a época de Marcelo Bielsa.



