Copa do Mundo

Canadá precisa evoluir muito, mas pode ser um anfitrião digno em 2026

Reações imediatas ao anúncio da Fifa de que Estados Unidos, México e Canadá sediarão a Copa do Mundo de 2026: a) Copa do Mundo em três países? Sério?; b) Justo agora que o governo americano está brigando com o canadense e com o mexicano?; c) Nossa, o Canadá vai superar a África do Sul como pior anfitrião da história. A resposta da primeira pergunta é “sim” e a da segunda é “até lá, nenhum dos governantes atuais estará no cargo, muita coisa pode mudar”. A da terceira talvez seja um pouco maior.

Primeiro, que está longe de ser uma certeza que o Canadá disputará a Copa de 2026. A Fifa determinou que a questão da(s) vaga(s) automática(s) do país-sede do Mundial da América do Norte será definida apenas em 2019. No momento, a tendência é que apenas uma seja concedida. Se assim for, o natural é que ela seja dos Estados Unidos, pois, por mais que vendam a ideia da Copa da América do Norte, a verdade é que o Mundial de 2026 será o segundo dos EUA (que receberão 60 jogos), com alguns joguinhos no Canadá (10) e no México (também 10).

Assim, a primeira tarefa do Canadá nem seria fazer um papel bonito na sua própria Copa, mas disputá-la. Até hoje, os canadenses só conseguiram passar pelas Eliminatórias da Concacaf uma vez, em 1986. Desde então, a luta pela vaga no Mundial tem sido inglória.

Os Canucks passaram perto em 1993, quando ficaram em segundo lugar na Concacaf (atrás do México). O problema é que a região tinha apenas uma vaga direta (os Estados Unidos, como país-sede, já estavam classificados) e os canadenses tiveram de disputar a repescagem. Caíram nos pênaltis para a Austrália – que, posteriormente, sucumbiu à Argentina. Em 1997, o Canadá novamente chegou ao grupo final das Eliminatórias, mas, desde então, tem sempre caído na fase semifinal.

Não ficar entre os seis melhores das Eliminatórias da Concacaf há 20 anos é um péssimo sinal, mas o cenário real não é tão desolador assim. O futebol do Canadá tem crescido, com investimento na formação de base, consolidação de equipes na MLS (são três, Toronto FC, o atual campeão, Montréal Impact e Vancouver Whitecaps) e, para 2019, a criação de uma liga de futebol 100% nacional: a Canadian Premier League. A CPL pretende ter nível técnico de segunda divisão em relação à MLS, priorizando a utilização de jogadores formados localmente e ajudando a popularizar o futebol.

Alguns resultados desse trabalho já são possíveis de ver. Ainda que a seleção canadense não consiga chegar aos hexagonais finais das Eliminatórias da Concacaf, ela bateu na trave nas duas últimas oportunidades: em ambas, foi eliminada por um ponto na disputa contra Honduras. Nas Copas Ouro, o Canadá tem tido desempenhos mais interessantes, mostrando potencial para brigar com os rivais norte e centro-americanos: foi campeão em 2000 e semifinalista em 2002 e 2007. Na última edição, empatou com Costa Rica e Honduras — duas forças regionais — e caiu apenas nas quartas de final, para a Jamaica.

Ainda faltam sete anos para as Eliminatórias da Copa de 2026, tempo suficiente para o trabalho atual evoluir mais ainda e de ver a primeira geração de jovens formados na MLS e na CPL. Talvez não seja suficiente para o Canadá se tornar internacionalmente competitivo, mas há uma chance realista de acreditar que dá para evitar um vexame diante de sua torcida em 2026.

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Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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