Camarões foi de mais a menos, com sinais positivos de início, mas também dificuldades de reação
Camarões foi superior durante o primeiro tempo, mas desencaixou no segundo e as alterações não surtiram qualquer efeito
Camarões é vista como a seleção mais fraca do Grupo G da Copa do Mundo. A estreia com derrota para a Suíça não surpreende. Os Leões Indomáveis, porém, não foram somente dominados pelos favoritos. Muito pelo contrário, o primeiro tempo dos camaroneses teve uma equipe superior, que não correu tantos riscos e encaixou melhor sua proposta no ataque. Por outro lado, o time caiu de ritmo após o intervalo. Não soube entender as mudanças de postura dos suíços e passou distante de esboçar uma reação. Deméritos aqui ao técnico Rigobert Song, com substituições conservadoras que pouco produziram efeito.
Song, é verdade, tinha acertado a mão na escalação. Alguns prováveis titulares não apareceram no 11 inicial e o comandante privilegiou o momento. Surtiu efeito, especialmente na montagem do ataque. Eric-Maxim Choupo Moting não podia ser ignorado pela fase no Bayern de Munique e ganhou a vaga de Vincent Aboubakar, histórica figura da seleção. Choupo Moting não foi tão efetivo, mas se movimentou bastante e deu opção à linha ofensiva. Contou muito bem com o apoio de Bryan Mbeumo, uma novidade recente nas convocações. Deu calor pelo lado direito, foi ótimo nas transições e criou ocasiões. O time pendeu por ali, com Karl Toko Ekambi apagado pela esquerda.
Durante o primeiro tempo, Camarões agradou pela maneira como cumpriu à risca seus planos. A equipe marcou com bastante solidez e pouco concedeu espaços à Suíça. A posse de bola dos helvéticos era improdutiva. Além disso, os Leões Indomáveis se mostravam bem mais assertivos em suas ações no ataque. Tinham objetividade e exigiram mais o goleiro Yann Sommer, mesmo que não tenham sido chances clamorosas. A superioridade era tão clara que, mais para o fim da primeira tapa, os camaroneses empurraram os suíços para trás e tiveram mais posse.
O segundo tempo, entretanto, desencaixou Camarões. A Suíça modificou o posicionamento de seu meio-campo e passou a encontrar mais espaços, sobretudo nas pontas. O gol logo aos três minutos mostrou como os Leões Indomáveis estavam desligados e deixaram um latifúndio na intermediária para a troca de passes. Breel Embolo começou a imperar. E a vantagem deu muito mais segurança aos suíços. Os camaroneses se limitaram basicamente a bolas alçadas na segunda etapa. Não fosse um milagre de André Onana, seria pior.
E o que impressionou foi a falta de agressividade de Camarões para buscar uma reação. O calor das 13 horas em Doha deve ter maltratado os camaroneses, mas não é isso que serve de desculpas às substituições de Song. O comandante basicamente trocou seis por meia dúzia: centroavante por centroavante, ponta por ponta, volante por volante. Com isso, ficou sem armas importantes como Choupo Moting e Mbeumo. Aboubakar e Nicolas Ngamaleu pouco ajudaram. A última finalização dos camaroneses veio aos 21 minutos, e depois nada mais.
Alguns jogadores de Camarões merecem elogios, ainda assim, pelos 90 minutos. Jean-Charles Castelletto sobrou como o melhor da defesa e garantiu muita combatividade ao longo do duelo. Além disso, André Zambo Anguissa foi o principal eixo do meio-campo, com firmeza e também capacidade na distribuição. Só não foi o cara decisivo que se vê no Napoli. Há sinais favoráveis sobre os Leões Indomáveis, mas não necessariamente o time mais inventivo. Conseguiu complicar a vida da Suíça, mas não soube reagir quando a sua vida se complicou.



