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Brasil se impõe de forma categórica contra a Sérvia com boa atuação e golaço para vencer na estreia

Com dois gols de Richarlison e boa atuação coletiva, Brasil foi muito superior e soube vencer aquele que era visto como um dos jogos mais difíceis desta primeira fase

A estreia do Brasil na Copa era muito esperada não só pelos brasileiros. O duelo com a Sérvia gerava expectativa, já que os sérvios causaram excelente impressão nas Eliminatórias, a ponto de jogarem Portugal de Cristiano Ronaldo para repescagem. O que se viu em campo foi a seleção brasileira tomar a iniciativa e se impor de forma categórica, especialmente no segundo tempo, para vencer e vencer com sobras por 2 a 0.

Coletivamente, o Brasil foi consistente, com boas atuações em todos os setores. Casemiro foi muito bem na cobertura de espaços quanto nos lançamentos longos. Marquinhos e Thiago Silva foram seguros na defesa, ajudando também na construção. Os laterais também souberam fechar bem os espaços, sendo discretos, mas importantes. Do meio para frente, o time soube trocar bons passes, teve paciência, mas os grandes destaques foram Vinícius Júnior, sempre bem quando acionado, e Richarlison, que sofria no primeiro tempo, mas apareceu nos lugares certos no segundo tempo para marcar os gols que deram a vitória.

Além disso, o time conseguiu algo que o técnico Tite sempre insistiu: ter equilíbrio defensivo. A equipe não correu riscos, foi eficiente nas antecipações, mesmo quando marcava alto, e soube cortar e parar as jogadas quando necessário. Foi uma atuação quase impecável, defensivamente, o que é um excelente sinal, já que a formação ofensiva gerava dúvidas em relação ao funcionamento defensivo.

Escalações: Vinícius Júnior titular

O técnico Tite atendeu aos apelos populares para colocar Vinícius Júnior em campo. Quem saiu foi o volante Fred, deixando Casemiro como o único jogador de marcação no meio-campo. Lucas Paquetá se junta a Neymar como armador, com Raphinha e Vinícius Júnior pelos lados e Richarlison como titular no comando do ataque. Na defesa, tudo como o esperado: Danilo na lateral direita, Alex Sandro na esquerda, com Thiago Silva, capitão do time, e Marquinhos no dentro da defesa. Alisson foi o goleiro titular, também como esperado.

Na Sérvia, Dragan Stojkovic veio com duas mudanças na escalação mais usual do time. O ala Filip Kostic e o atacante Dusan Vlahovic começaram a partida no banco. Os dois recuperam a melhor condição física, mas convém também manter uma formação um pouco mais defensiva diante do Brasil. Vlahovic deu lugar a Sasa Lukic, que entrou para preencher o meio-campo. Na ala esquerda, o escolhido foi Filip Mladenovic. O ataque manteve aquele que é o seu grande destaque: Aleksandar Mitrovic.

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Primeiro tempo: Brasil melhor, mas sem gol

Logo aos três minutos, o Brasil começou bem no jogo. Vinícius Júnior escapou da pressão na bola ainda no campo de defesa, tocou para Paquetá, que abriu para Raphinha na direita. O ponta escapou da marcação, foi até a linha de fundo e cruzou para a área, mas a defesa afastou.

A Sérvia mantinha Sasa Lukic observando Neymar de perto. Sempre que o brasileiro se movimentava, Lukic ficava de olho, pronto para cercar o camisa 10 e tirar seu espaço. Até por isso, Neymar tocava a bola com mais rapidez do que estamos acostumados a ver, até para não ser engolido pela marcação. Isso dava velocidade aos ataques brasileiros e, assim, ele não perdia a bola em um local delicado, já que ele atuava mais centralizado.

Quando tinha a bola, a Sérvia atacava e tentava causar problemas. Tadic tentava cair pela esquerda e aproveitar espaços deixados pelo Brasil. Mitrovic afundava pelo meio, enquanto Sergej Milikovic-Savic se juntava a eles, virando um terceiro atacante.

Aos 12 minutos, o Brasil teve um lance de perigo. Vinícius Júnior partiu no mano a mano com a marcação e gerou um escanteio. Na cobrança, Neymar cobrou direto e tentou o gol olímpico, quase surpreendendo o goleiro Vanja Milinkovic-Savic, que conseguiu defender e gerar novo escanteio. Novamente, Neymar bateu fechado, mas desta vez a defesa afastou.

O Brasil acelerava quanto tinha a bola e tentava achar os espaços. Por duas vezes tentou chutes de fora da área. Primeiro, com Neymar, que bateu na defesa. Depois, com Casemiro, que arriscou e o goleiro Vanja Milinkovic-Savic defendeu com segurança.

Como esperado, o Brasil tinha um movimento treinado para fechar o meio: quando o time tinha a bola, Danilo se tornava volante, ficando mais próximo de Casemiro para ajudar na construção de jogadas. Alex Sandro continuava aberto. Paquetá encostava mais à frente, com Neymar. Esse movimento acontecia eventualmente, como um apoio.

Duas vezes o Brasil conseguiu enfiadas de bola. Primeiro, com Casemiro, que encontrou Neymar, mas que acabou travado em meio à marcação de três jogadores. Depois, com Thiago Silva, que em meio à troca de passes do Brasil, achou Vinícius Júnior, mas o goleiro Vanja conseguiu sair nos pés do atacante e evitar a finalização.

A Seleção continuava a investir em lançamentos dos jogadores de trás. Casemiro achou Raphinha dentro da área e o ponta cruzou para a área na direção de Richarlison, mas o zagueiro Veljkovic estava bem posicionado e mandou para escanteio. O lançamento foi bonito, ainda que a jogada não tenha rendido uma finalização e nem perigo.

Aos 34 minutos, o Brasil fez uma linha tabela. Raphinha tocou para Paquetá, que devolveu lindamente para o ponta. Ele bateu colocado, mas pegou mal na bola e chutou no meio, para defesa fácil de Vanja. Uma boa tabela pelo meio dos brasileiros quando se aproximaram.

O Brasil chegou novamente aos 40 minutos, outra vez com Casemiro como lançador. A bola foi na direção de Vinícius Júnior, mas estava mais para Milenkovic, mas a bola pingou, o jogador brasileiro tocou na bola, mas o zagueiro se recuperou, dividiu e a bola bateu por último no atacante.

O Brasil foi melhor na primeira etapa, embora não tenha criado tantas chances claras. O time se aproximou, conseguiu algumas boas trocas de passe e levou algum perigo. A Sérvia se defendia bem e, a rigor, a Seleção não correu riscos. Vinícius Júnior, a novidade do time, foi bem, participou bastante do jogo.

Segundo tempo: Seleção amassa a Sérvia

No início do segundo tempo, o Brasil conseguiu desarmar quase na linha da área e Raphinha teve uma grande chance, frente a frente com o goleiro Vanja, que fechou bem o ângulo e fez uma ótima defesa.  A primeira chance do segundo tempo, com menos de um minuto no relógio.

O Brasil retomou a bola e contra-atacou rápido. Neymar carregou a bola e tinha a chance de abrir para Vinícius Júnior, segurou um pouco mais e tomou a falta perto da risca da área. Gudelj tomou o amarelo e gerou uma boa chance de cobrança de falta por ali. A cobrança de Neymar ficou na barreira.

A Seleção teve mais uma boa chance aos sete minutos. Paquetá, de frente, rolou para Raphinha na direita e o atacante não chutou. A bola era para ser chutada de perna direita, mas Raphinha, canhoto, não teve confiança para bater de primeira e acabou travado. Perdeu a bola. O lado esquerdo era o mais acionado. Vinícius Júnior recebeu de Alex Sandro e tocou rasteiro para o meio, onde Neymar finalizou, pressionado, para fora, aos nove minutos.

A Sérvia, enfim, chegou aos 12 minutos de jogo. Em um lançamento longo, a bola foi dividida pelo alto, os sérvios levaram a melhor e veio um cruzamento da esquerda com perigo, mas Alex Sandro estava bem posicionado para tirar de cabeça e afastar o perigo.

O técnico Dragan Stojkovic mudou o time. Colocou Ivan Ilic no lugar de Gudelj e Nemanja Radonjic no lugar de Zivkovic. Com isso, abriu um pouco o time, especialmente pela saída de Gudelj, que preenchia grande parte do setor onde jogavam Neymar e Paquetá.

O Brasil ameaçou em um chute de longe. Alex Sandro, com espaço, soltou uma bomba, que explodiu no pé da trave e voltou para o jogo. No rebote, veio cruzamento para a área, afastado pela defesa, e a bola sobrou para Vinícius Júnior finalizar longe do gol.

O time brasileiro insistiu pelo meio e, em grande jogada, conseguiu o gol. Casemiro buscou Neymar pelo meio, que deu drible de corpo, segurou a bola, que escapou um pouco e Vinícius Júnior finalizou colocado. O goleiro Vanja rebateu para o meio, mas Richarlison, de centroavante, empurrou para a rede: 1 a 0.

Após sofrer o gol, o técnico Dragan Stojkovic mudou mais o time. Entraram Dusan Vlahovic, cotado para ser titular, no lugar de Mladenovic, e Darko Lazovic no lugar de Sasa Lukic. Mudou o sistema para um 4-4-2, deixando dois jogadores no ataque e arriscando um pouco mais.

Com uma retomada rápida pelo meio, o Brasil criou outra chance, com Neymar recebendo, carregando a bola e demorando demais para passar até receber o bote, mas a bola ainda ficou em disputa, Vinícius Júnior conseguiu um giro, dando um drible de corpo, mas na hora de finalizar escorregou.

As bolas paradas da Sérvia ameaçavam. Em dois escanteios muito fechados de Tadic, a defesa brasileira sofreu para afastar a bola, com muitos jogadores altos na área. Nas duas vezes, o Brasil escapou e conseguiu afastar a bola.

Melhor em campo, o Brasil buscava muito Vinícius Júnior pela esquerda e ele continuava entregando. Neymar acionou o camisa 20, que foi para o mano a mano, fez o cruzamento forte para a área, Richarlison tentou o domínio, a bola subiu, mas ele não se intimidou: meteu um voleio espetacular e marcou um golaço. Brasil 2 a 0, com ótima atuação.

Fred, que já estava aquecendo, entrou logo depois do segundo gol, no lugar de Lucas Paquetá. Entrou também Rodrygo, pela ponta esquerda, no lugar de Vinícius Júnior. Pouco depois, Neymar sentiu e foi substituído por Antony. Entrou também Gabriel Jesus no lugar de Richarlison.

Muito bem no jogo, o Brasil continuava ameaçando e parecia próximo do terceiro gol. Tocando bola, Casemiro recebeu de lado e tocou bonito, colocado, buscando o ângulo, mas a bola explodiu na trave.  Logo depois, Rodrygo tabelou pelo meio, bateu colocado e Vanja precisou espalmar para o lado.

Ficha técnica

Brasil 2×0 Sérvia

Local: Estádio Lusail Iconic, em Lusail
Árbitro: Alireza Faghani (Irã)
Gols: Richarlison duas vezes (Brasil)
Cartões amarelos:
Strahinja Pavlovic, Nemanja Gudelj, Sasa Lukic (Sérvia)

Brasil: Alisson; Danilo, Marquinhos, Thiago Silva e Alex Sandro; Casemiro; Raphinha (Gabriel Martinelli), Lucas Paquetá (Fred), Neymar (Antony) e Vinícius Júnior (Rodrygo); Richarlison (Gabriel Jesus). Técnico: Tite

Sérvia:  Vanja Milinkovic-Savic; Milos Veljkovic, Nikola Milenkovic e Strahinja Pavlovic; Andrija Zivkovic (Nemanja Radonjic), Sasa Lukic (Darko Lazovic), Nemanja Gudelj (Ivan Ilcic), Sergej Milinkovic-Savic e Filip Mladenovic (Dusan Vlahovic); Dusan Tadic, Alexksandar Mitrovic. Técnico: Dragan Stojkovic

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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