‘A melhor seleção que nunca ganhou uma Copa’: Como Brasil encantou geração de ouro da Escócia em 1982
Brasileiros e escoceses se enfrentam na última partida da fase de grupos da Copa de 2026
Brasil e Escócia já se enfrentaram em quatro ocasiões na Copa do Mundo, mas o duelo na edição de 1982 foi bem marcante. Os escoceses contavam com um elenco composto por grandes nomes, com Kenny Dalglish, Graeme Souness e companhia. Eram destaques dos principais times da Europa. A seleção também ia bem, tendo sofrido apenas uma derrota nas Eliminatórias. Era a geração considerada uma das mais talentosa do país.
— Este deve ser o melhor elenco que já levamos. Tínhamos jogadores que já tinham conquistado tudo, eles precisavam de alguém que inspirasse respeito e o grande Jock [Stein] fez isso. Até hoje acredito que essa foi a nossa chance –, relembrou o meio-campista John Wark em entrevista à “BBC”.
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Os escoceses chegaram à Copa do Mundo buscando quebrar o tabu de sempre cair na primeira fase. Só que dessa vez, com grandes jogadores, a realidade parecia mais palpável. O grupo na Copa de 1982 também contava com União Soviética e Nova Zelândia, além do próprio Brasil.
O duelo com os All Whites na estreia mostrou uma vitória convincente. A Escócia anotou uma goleada por 5 a 2 com gols de Kenny Dalglish, John Wark (2x), John Robertson e John Archibald. Um início promissor.
— Quando você marca cinco vezes, sai do campo pensando que se saiu muito bem. Você sabe que precisa vencer os azarões, e nós vencemos–, disse Wark.
Derrota para o Brasil complicou sonho da Escócia na Copa do Mundo
Mas a esperança de que poderiam ir mais longe começou a se desfazer ainda na segunda rodada, no duelo contra um Brasil que encantou corações. A seleção brasileira de 1982 impactou torcedores mundo agora, sendo sinônimo de futebol arte, com um DNA tipicamente local e nesse jogo também deixou sua marca.
A Escócia até chegou a abrir o placar com um belo gol de David Narey ainda aos 15 minutos da primeira etapa. Uma boa combinação de passes e um chute indefensável no ângulo. “O nosso gol só os irritou. (…) Mas depois disso? Foi uma verdadeira aula,” destacou o ex-jogador.
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Mas os escoceses não suportaram. O empate veio em linda cobrança de Zico, sua especialidade. O Brasil viraria com um gol de escanteio, quando Júnior cobrou na cabeça de Oscar. O terceiro foi uma pintura. Da entrada da área, Éder viu o goleiro Alan Rough adiantado e marcou de cobertura. A goleada veio no quarto gol, em uma bela troca de passes para o chute rasteiro preciso de Falcão. Uma aula de futebol brasileiro.
— Eles eram bons, mas o que você não percebe é que a altura e a força deles eram incríveis. O trio de meio-campo deles – Sócrates, Falcão e Cerezo – todos tinham 1,90m de altura (Nota da redação: apenas Sócrates tinha essa altura). Eles são a melhor seleção que nunca ganhou uma Copa do Mundo. Provavelmente a melhor seleção em que já enfrentei, na verdade — contou Gordon Strachan.
Para além de ter que vencer um grande adversário, havia outro problema. Naquela partida, John Wark relembrou a dificuldade do elenco em lidar com o calor. A Copa de 1982, disputada no verão da Espanha, foi apontada como um obstáculo na adaptação. A temperatura, alta para o padrão europeu, parecia não ser um problema para os atletas brasileiros.
— O calor não ajudou. Durante os hinos, o suor escorria de nós, aí olhei para a fila de jogadores deles. Nem uma gota sequer em uma única testa e eu só pensei: ‘Oh’. É inacreditável pensar que a seleção brasileira não ganhou a Copa do Mundo –, contou John Wark.
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O último jogo da primeira fase era o duelo pela segunda colocação do grupo, que teve o Brasil como líder. Só restava a vitória para os escoceses ficarem com a segunda vaga. O empate não interessava, tudo por conta do saldo de gols. Escócia e União Soviética venceram a Nova Zelândia pelo mesmo saldo, só que o primeiro levou de 4 a 1 do Brasil e o segundo perdeu por 2 a 1.
Os escoceses saíram na frente com um gol de Joe Jordan, mas os soviéticos viraram o jogo. O gol de empate de Graham Souness no final da partida não fez diferença, que acabou eliminando os escoceses. “Os gols que sofremos foram difíceis de engolir. Quando você chega a esse nível e está jogando contra os melhores, você precisa fazer o adversário suar para marcar”, relembrou Joe Jordan.
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A disputa pela camisa de Zico
Ao final da partida contra os brasileiros, John Wark revelou a empolgação entre os jogadores do Tartan Army para trocar a camisa com Zico, um dos grandes nomes da edição de 1982. Após a grande exibição da Canarinho, o meia escocês contou que tanto Kenny Dalglish quanto Alan Hansen foram ao encontro do brasileiro em busca do uniforme, mas não conseguiram o item devido a uma particularidade na coleção de Zico: a de só adquirir camisas de número 10.
— Ao apito final, Kenny [Dalglish], que entrou como substituto, foi até Zico e tentou pegar sua camisa. O [Alan] Hansen correu para tentar pegá-la também – provavelmente foi o mais perto que ele chegou dele a noite toda. Mas o Zico dispensou os dois e veio falar comigo. ‘Troca?’, ele disse. Acontece que ele só colecionava camisas número 10. Então, quando voltei para o vestiário, estava exibindo [a camisa de Zico] na cara do Hansen. Acabei doando-a para uma instituição de caridade em Ipswich e ela rendeu uma boa grana em um leilão — revelou.