Copa do Mundo

Blatter: “A Copa do Mundo é grande demais para o Catar. Foi um erro, uma escolha ruim”

Sem citar o histórico de violação de direitos humanos e mortes de trabalhadores imigrantes, Blatter criticou a escolha do Catar - feita durante sua presidência na Fifa

Sem citar o histórico de violação de direitos humanos e as mortes de trabalhadores imigrantes, o ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, disse que foi um “erro” conceder a Copa do Mundo de 2022 para o Catar e culpou o ex-presidente da Uefa, Michel Platini, pela pressão política que acabou virando votos para o torneio ser sediado no Golfo, em vez de nos Estados Unidos.

Blatter e Platini foram recentemente inocentados de uma acusação de fraude em um tribunal suíço por um pagamento de cerca de € 2 milhões da Fifa ao dirigente francês por trabalho de consultoria, sem um contrato assinado na época, segundo os promotores. A decisão ainda é sujeita a apelação.

“Para mim é claro: Catar foi um erro. A escolha foi ruim. Na época, nós concordamos no comitê executivo que a Rússia deveria receber a Copa do Mundo de 2018 e os EUA em 2022. Teria sido um grande gesto de paz se dois oponentes políticos de longa data sediassem a Copa do Mundo um depois do outro”, disse Blatter, em entrevista ao jornal suíço Tages-Anzeiger. Questionado sobre o motivo da sua crítica, Blatter apenas disse: “É um país muito pequeno. O futebol e a Copa do Mundo são grandes demais para isso”.

O suíço, que renunciou à presidência da Fifa após uma operação da Justiça dos EUA prender dirigentes do futebol na semana em que havia sido reeleito para um novo mandato, explicou como foi o processo de escolha do Catar por 14 a 8 (na época, o colégio eleitoral da sede da Copa do Mundo se restringia ao comitê executivo), com influência, segundo ele, de Platini e do ex-presidente francês Nicolas Sarkozy.

“Graças a quatro votos de Platini e seu time (da Uefa), a Copa do Mundo foi para o Catar em vez dos EUA. É a verdade. Platini me disse que foi convidado ao Palácio do Eliseu, onde o então presidente francês Sarkozy havia acabado de almoçar com o príncipe do Catar. Sarkozy disse a Platini: ‘Veja o que você e seus colegas da Uefa podem fazer pelo Catar quando a Copa do Mundo for concedida’. Eu então o perguntei: ‘e agora?’”, disse.

Platini respondeu, segundo Blatter: “‘Sepp, o que você faria se seu presidente pedisse algo para você?’. Eu respondi que essa pergunta não era cabível para mim porque não temos um presidente na Suíça”. Nos anos seguintes à decisão, Blatter nunca pareceu muito satisfeito com a escolha pelo Catar e era no geral mais crítico que a maioria dos seus colegas.

Platini foi questionado por autoridades francesas em 2019 sobre a candidatura do Catar. Ele admite a reunião com Sarkozy, mas nega que o ex-presidente lhe pediu para influenciar a votação. A Justiça dos EUA disse que houve suborno de Rússia e Catar a dirigentes durante o processo.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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