Copa do Mundo

As Copas em 6 de junho: O passo que evitou o fracasso e embalou o Brasil rumo ao bi

Em tempos nos quais a Copa do Mundo contava com 16 seleções, os “grupos da morte” eram frequentes. E para buscar o bicampeonato mundial, o Brasil precisou enfrentar um dos mais duros. O México era o azarão e os brasileiros logo fizeram sua parte na estreia, em 2 a 0 que ficou barato pelo volume de jogo do time canarinho. Porém, o zero prevaleceu no placar no duríssimo confronto com a Tchecoslováquia, de Josef Masopust, em tarde na qual Pelé deixou o campo machucado. Mas ainda maior seria o desafio na última rodada. A equipe de Aymoré Moreira enfrentaria a Espanha. E numa época em que os clubes espanhóis viviam seu esplendor, a Fúria contava com um esquadrão internacional. No comando, o célebre Helenio Herrera. Já entre as opções no elenco, lendas do nível de Alfredo Di Stéfano, Enrique Collar, Luis del Sol, Paco Gento, Joaquín Peiró, Ferenc Puskás, Adelardo, Luis Suárez Miramontes e José Santamaría. Que Di Stéfano estivesse machucado, era obrigatório respeitar o timaço.

O Brasil entrou em campo precisando apenas do empate para se classificar, já que os espanhóis haviam perdido para a Tchecoslováquia na estreia. Ainda assim, seria difícil segurar os espanhóis. E os brasileiros correram sérios riscos, em meio à pressão e os gols perdidos pelos europeus. Adelardo abriu o placar aos 35 minutos. Pior do que isso, a Fúria poderia muito bem ter anotado 2 a 0 no início do segundo tempo. Em um lance na entrada da área, Nilton Santos cometeu um pênalti, mas deu um passo à frente para ludibriar o árbitro chileno Sergio Bustamante. Deu certo. O apitador assinalou apenas a falta perigosa. Entre os que condenam a deslealdade e os que exaltam a malandragem, fato é que o lateral esquerdo foi determinante.

A derrota poderia ter eliminado o Brasil, a depender do goal average em relação aos tchecoslovacos. E como se não bastasse, houve ainda mais polêmica na sequência do lance. Adelardo emendou uma belíssima bicicleta na gaveta, em tento que acabou inexplicavelmente anulado pelo juiz – segundo o Jornal dos Sports do dia seguinte, por “jogada perigosa” do espanhol. O mais curioso é que não houve estardalhaço na imprensa da época. O Jornal dos Sports não oferece qualquer destaque ao lance, perdido no meio do relato da partida. Pelo contrário, ressalta que houve um penal em Amarildo não marcado. Já o espanhol ABC analisa que a arbitragem foi “discreta, com pequenos detalhes favoráveis ao Brasil, ainda que não tenham influenciado o resultado final, é justo dizer”.

Unanimidade mesmo foi Amarildo. Aquela partida no Sausalito marcou a transformação do Possesso durante a Copa do Mundo. O substituto de Pelé mostrou que o Rei não faria tanta falta assim. O empate saiu aos 27, em cruzamento de Zagallo que o atacante escorou dentro da área. Já a virada se consumou aos 41. Garrincha chamou a marcação para dançar na ponta direita e botou a bola na cabeça do companheiro, que não perdoou. A vitória por 2 a 1 eliminou a Espanha e garantiu os brasileiros no primeiro lugar do grupo. Um passo importante rumo ao bi.

1962: Brasil 2×1 Espanha

Terceira rodada da fase de grupos
Estádio Sausalito, em Viña del Mar (CHI)
Gols: Amarildo, duas vezes (BRA); Abelardo (ESP)

1978: Argentina 2×1 França

Segunda rodada da fase de grupos
Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires (ARG)
Gols: Passarella e Luque (ARG); Platini (FRA)

1986: Brasil 1×0 Argélia

Segunda rodada da fase de grupos
Estádio Jalisco, em Guadalajara (MEX)
Gol: Careca (BRA)

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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