As Copas em 3 de junho: O jogo do “gol que Pelé não fez” foi cheio de lances memoráveis

Quando Ladislav Petras venceu Félix e se ajoelhou no gramado do Estádio Jalisco, fazendo o sinal da cruz, mal sabia o que esperava a seleção da Tchecoslováquia. O confronto pela primeira rodada da Copa do Mundo de 1970, apenas oito anos depois da derrota na decisão de 1962, até poderia ser visto como uma revanche pelos europeus. No entanto, surgiu como um sinal de força para a seleção brasileira. O time de Zagallo, logo de cara, aplicaria uma contundente goleada para iniciar a campanha do tri. Resultado que contou muito com a qualidade de Jairzinho, Gérson e Rivelino, embora Pelé (outro excepcional na ocasião) sempre leve os louros em Guadalajara – e justamente por um lance que não se concretizou, quando acertou quase tudo naquela partida.
Segundo Carlos Alberto, o capitão do tri, aquela virada teve uma importância ao moral da Seleção. O time experimentou um teste de fogo, no qual precisariam reagir a uma situação adversa no placar, contra um adversário forte. E os brasileiros não poderiam ter feito melhor. Depois que Petras balançou as redes e rezou aos 11 minutos, Rivelino empatou aos 24. Pelé sofreu uma falta na entrada da área e a jogada ensaiada nos treinos funcionou. Jairzinho se posicionou ao lado da barreira, para sair no momento certo, abrindo brecha à patada atômica do ponta. Já na sequência da etapa inicial, em meio ao bombardeio canarinho, veio a brecha à genialidade do Rei. Ele arriscou um chute de antes do meio-campo, tentando encobrir o ótimo Ivo Viktor, mas viu a bola passar a centímetros da trave. Virou “O gol que Pelé não fez”. Segundo Zizinho, tudo premeditado, conforme Pelé contou em uma conversa na véspera do jogo. Queria se aproveitar do posicionamento adiantado dos goleiros europeus. Ficou a imaginação.
Fato é que o erro famoso acaba sendo apenas um detalhe brilhantemente imperfeito em uma partida na qual muito mais deu certo ao Brasil. Seria um segundo tempo devastador. Gérson deu o aviso com uma bola na trave, embora sua missão fosse outra: os lançamentos açucarados, prontos para determinar a goleada. Primeiro, mandou uma bola perfeita no peito de Pelé, que fuzilou Viktor. Depois, serviu Jairzinho, que chapelou o goleiro, antes de amaciar e chutar às redes vazias. Por fim, o Furacão devastaria a defesa adversária, deixando dois no chão e sambando diante do terceiro, antes de arrematar no cantinho, fechando a conta em 4 a 1. Exibição de gala do Brasil, que ainda contou com a participação importante de Everaldo na defesa e a movimentação de Tostão para abrir espaços no ataque. Muito mais antológica do que apenas o golaço que não foi.
1934: Itália 1×0 Áustria
Semifinal
Estádio San Siro, em Milão (Itália)
Gol: Guaita (ITA)
1962: União Soviética 4×4 Colômbia
Segunda rodada da fase de grupos
Estádio Carlos Dittborn, em Arica (CHI)
Gols: Ivanov [2], Chislenko, Pnedelnik (URS); Aceros, Coll, Rada, Klinger (COL)
1970: Brasil 4×1 Tchecoslováquia
Primeira rodada da fase de grupos
Estádio Jalisco, em Guadalajara (MEX)
Gols: Rivelino, Pelé, Jairzinho [2] (BRA); Petras (TCH)
1986: México 2×1 Bélgica
Primeira rodada da fase de grupos
Estádio Azteca, na Cidade do México (MEX)
Gols: Quirarte, Sánchez (MEX); Vandenbergh (BEL)
2002: Brasil 2×1 Turquia
Primeira rodada da fase de grupos
Estádio Munsu, em Ulsan (COR)
Gols: Ronaldo, Rivaldo (BRA); Sas (TUR)



