Copa do Mundo

As Copas em 27 de junho: O dia em que César Sampaio viveu seu ápice na Seleção

César Sampaio possui uma história na seleção brasileira menor do que poderia ser. É de se lamentar que um dos melhores volantes do futebol nacional nos últimos 30 anos tenha disputado apenas uma Copa do Mundo. Arrebentando no Santos, só ganhou sua primeira convocação após o Mundial de 1990. Já em 1994, não figurou na lista do tetra, embora tenha participado de boa parte do ciclo e fosse brilhante no Palmeiras. Viveria a sua redenção em 1998, já aos 30 anos. E em uma campanha acidentada da Seleção, que ainda assim rendeu o vice-campeonato, o camisa 5 terminou como um dos protagonistas. Fez partidas espetaculares não apenas na sua função, carregando o piano, mas também apareceu para decidir no ataque. Autor do primeiro gol da competição, contra a Escócia, viveria sua grande noite no Parc des Princes. Foi fatal na goleada por 4 a 1 sobre o Chile, pelas oitavas de final.

Os chilenos tinham um ataque de respeito. Iván Zamorano e Marcelo Salas formaram uma das duplas mais célebres do continente, e arrebentaram nas Eliminatórias, fazendo a Roja encerrar seus traumas anteriores. Mas não que os chilenos tenham se saído tão bem na França. A classificação aos mata-matas veio muito graças a três empates, contra Itália, Camarões e Áustria. Então, o time de Nelson Acosta teria pela frente o Brasil. O favoritismo canarinho se confirmou em sonora goleada.

César Sampaio precisou de 25 minutos para resolver a partida. Anotou o primeiro em cabeçada certeira e, depois, chutando com precisão da entrada da área. “Não digo que foi o melhor jogo da minha vida, mas foi o único da minha carreira em que fiz dois gols. Isso marcou. Eu também fazia poucos gols, mas marquei alguns na Copa, tendo Ronaldo, Rivaldo, Bebeto no time. Foi um jogo especial para mim. Eu estava em um grande momento, não foi ao acaso. Eu me saí muito bem em 90 e em 93, mas não me chamaram para nenhuma das Copas, e saí para o Japão, tinha desistido da Seleção. Lá, eu tinha abandonado as esperanças, porque chegavam poucas notícias do futebol japonês. Porém, acabei convocado quando menos esperava e tive uma participação importante”.

Ainda no primeiro tempo, Ronaldo anotou o terceiro. Salas descontou para o Chile no segundo tempo, mas o Fenômeno acabaria com qualquer reação do Chile dois minutos depois, anotando o quarto gol. E se o Brasil sobrou naquelas oitavas de final, desafios bem maiores vieram logo depois, com os jogaços contra Dinamarca e Holanda. Histórias para outros dias de Copa.

1954: Hungria 4×2 Brasil

Quartas de final
Estádio Wankdorf, em Berna
Gols: Kocsis [2], Hidegkuti, Lantos; Djalma Santos, Julinho

1998: Brasil 4×1 Chile

Oitavas de final
Parc des Princes, em Paris
Gols: César Sampaio [2], Ronaldo; Salas

2006: França 3×1 Espanha

Oitavas de final
AWD Arena, em Hannover
Gols: Ribéry, Vieira, Zidane; Villa

2010: Argentina 3×1 México

Oitavas de final
Soccer City, em Joanesburgo
Gols: Tevez [2], Higuaín; Chicharito

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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