Copa do Mundo

Lenda do Panamá e pai de Neymar, Aníbal Godoy mira maior feito de seleção na Copa do Mundo

Confirmado no Mundial, volante deu ao filho nome do craque brasileiro ainda em 2011

O Panamá que enfrenta o Brasil neste domingo (31) e jogará apenas a segunda Copa do Mundo de sua história no próximo mês tem como capitão um fã absoluto de Neymar. A lenda da seleção caribenha Aníbal Godoy, com mais jogos na história da nação, é tão admirador do maior craque brasileiro que deu a seu filho mais velho o nome do craque do Santos.

A escolha do nome do filho, porém, não partiu só do pai. A mãe, Tatiana Pérez, namorada do jogador desde os 16 anos e hoje esposa, seria uma fã e teria tido participação decisiva nisso, conforme relato de amigas, esposas e mães de outros jogadores da seleção panamenha em matéria do “ge” em 2018. Ela disse que foi um consenso entre os dois.

O garoto Neymar nasceu em 3 de julho de 2011, poucos dias antes do título da Libertadores do craque brasileiro com o Santos. Aníbal Godoy só tem dois anos a mais que Ney, mas é um admirador de seu futebol.

Aníbal Godoy e o filho Neymar
Aníbal Godoy e o filho Neymar (Foto: Reprodução)

O volante de 36 anos não é talentoso como o brasileiro, mas tem qualidade: se consolidou como um dos maiores nomes do futebol panamenho. Ele defende a Marea Roja desde 2010 e soma 157 partidas no período. Virou o dono da braçadeira de capitão a partir de 2020 como uma prova do seu tamanho.

Atuar por seu país teve um papel decisivo para colocar na cabeça do jovem Godoy de que a carreira de futebol realmente seria real.

O papel da seleção panamenha na carreira de Aníbal Godoy

Aníbal deu sorte de receber todo incentivo dentro de casa no seu sonho de ser jogador: seu pai era zagueiro e sua mãe também o apoiava. Eles, porém, sempre pediam para que ele conciliasse isso com os estudos.

Quando tinha 15 anos, na época no Chepo FC, recebeu o chamado da seleção panamenha sub-17. “Foi naquele momento que decidi que poderia ser alguém no futebol“, relatou em matéria no site do San Jose Earthquakes, clube da MLS em que atuou entre 2015 e 2020. No ano seguinte, ele já jogava profissionalmente no time que o revelou.

Esse chamado decisivo para sua trajetória no futebol acabou iniciando a grande marca de sua carreira. Godoy virou uma lenda da seleção panamenha. Ele participou de seis edições da Copa Ouro, incluindo as duas campanhas de vice-campeão para Estados Unidos (2013) e México (2023), e da Copa América de 2016.

O maior feito do volante, porém, foi sua trajetória até o Mundial de 2018. Foi titular em todos os jogos das Eliminatórias da Concacaf, essencial para a inédita classificação à Copa do Mundo da Rússia, deixando os Estados Unidos de fora.

— A Copa é a melhor lembrança da minha carreira, além de quando garantimos nossa classificação. O primeiro jogo contra a Bélgica, quando escutei o hino nacional, dava para ver a felicidade no rosto de todos. Também podíamos ver o sacrifício por conseguir essa classificação tão esperada. Ser parte de uma Copa do Mundo é algo único — disse ao site da Fifa.

Harry Kane, da Inglaterra, e Aníbal Godoy, do Panamá, em jogo na Copa do Mundo de 2018
Harry Kane, da Inglaterra, e Aníbal Godoy, do Panamá, em jogo na Copa do Mundo de 2018 (Foto: IMAGO / Newscom World)

Na disputa, porém, acabou com três derrotas: Bélgica (3 a 0), Inglaterra (6 a 1) e Tunísia (2 a 1). O gol solitário frente aos ingleses foi comemorado como um título.

A não classificação para 2022 quase fez Godoy se aposentar da seleção panamenha, mas ele buscou uma última dança e foi recompensado com a vaga para 2026.

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Volante sonha com primeira vitória do Panamá em Copa do Mundo

Agora com idade mais avançada, Aníbal Godoy foi titular em três das seis rodadas das Eliminatórias, mas seguiu como um dos pilares do time em uma classificação mais tranquila pelas ausências dos países-sede Canadá, México e Estados Unidos.

A Marea Roja está no grupo L da Copa do Mundo, um dos mais imprevisíveis pelas presenças de Inglaterra, Croácia e Gana. O volante não esconde que está empolgado para a estreia com os africanos, em 17 de junho, porque acredita que é a chance da seleção do Panamá conquistar sua primeira vitória e talvez encaminhar uma vaga nas oitavas de final entre as melhores terceiras colocadas.

— Não queremos apenas participar. Nós queremos competir agora. Todas as pessoas no Panamá estão pensando muito sobre a Croácia e a Inglaterra. Para nós, o jogo mais importante é contra Gana porque, se vencermos esse jogo, temos chance de avançar ao mata-mata. […] Será um grande jogo para conseguir os primeiros três pontos da história do Panamá na Copa do Mundo — disse à “CBS 8 San Diego”.

Antes disso, o selecionado panamenho se prepara com três amistosos. Frente ao Brasil, no entanto, não poderá contar com seu capitão. O volante do San Diego FC só se junta ao grupo a partir do amistoso com a Bósnia e Herzegovina.

De toda forma, ele já provavelmente não encontraria o craque que inspirou o nome de seu filho, Neymar Júnior, que está lesionado. Em amistosos em 2016 e 2019 contra o Brasil, Godoy atuou, mas não encontrou o brasileiro, também fora por problemas físicos — curiosamente, o outro filho de Aníbal, nascido em 2017, recebeu o nome Andrey em homenagem ao lendário ex-atacante Andriy Shevchenko.

Andrey e Neymar, morando nos Estados Unidos com o pai, estarão na torcida pela primeira vitória do Panamá de Godoy e uma classificação que seria histórica.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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