Copa do Mundo

Alemães criticam proibição de cerveja a dois dias da Copa: “Havia tempo suficiente para tomar essa decisão antes”

Oliver Bierhoff, diretor da seleção alemã, criticou o momento da tomada de decisão do Catar sobre proibir a venda de cervejas e Neuer reforçou: “Seria melhor ter dito desde o começo”

O momento do anúncio sobre a proibição de venda de bebidas alcoólicas em volta dos estádios no Catar, dois dias antes do início da competição, gerou críticas na concentração da Alemanha. Mais do que o ato em si, o que mais foi criticado foi o momento que isso aconteceu, algo que foi ressaltado tanto pelo diretor da seleção alemã, o ex-atacante Oliver Bierhoff, quanto pelo capitão da Alemanha, Manuel Neuer.

O Comitê Organizador da Copa do Mundo no Catar se comprometeu a chegar a uma solução para a venda de bebidas alcóolicas no país, que tem muitas restrições. A organização prometeu que os torcedores teriam acesso às bebidas no torneio – uma exigência até de um dos grandes patrocinadores da Fifa, a cerveja Budweiser. Porém, dois dias antes da bola rolar, o Catar anunciou que não haverá venda de bebida nem ao redor dos estádios, como estava previsto – e que contaria com diversas ativações promovidas pela Budweiser.

Há uma incerteza que também foi criticada pelos alemães: a indefinição em relação ao uso de uma braçadeira de capitão especial, com um arco-íris, uma forma de protesto contra a falta de direitos LGBTQ+ no Catar. Alguns países europeus planejam usar uma braçadeira com o arco-íris e uma inscrição “One love” (“Um só amor”), em uma campanha que promove a inclusão.

“Isso é realmente um problema”, afirmou Bierhoff sobre a decisão em relação à proibição de venda de cervejas. “É o que eu tenho dito também sobre o planejamento em relação às braçadeiras de capitão. Uma decisão tomada tão em cima da hora é lamentável e cria um desconforto”.

“Isso [cerveja] é parte do torneio, mas eu realmente não consigo entender a decisão e especialmente o timing, porque havia tempo suficiente para tomar essa decisão antes”, continuou o dirigente. De fato: o Catar conquistou o direito de sediar a Copa do Mundo em dezembro de 2010, em um processo controverso que gerou muitas críticas e, em última instância, foi também o catalizador do processo que levaria ao Fifagate, com diversos dirigentes da entidade indiciados e presos, em operação realizada em Zurique, em 2015.

O goleiro Manuel Neuer deu entrevista coletiva e falou sobre o assunto. “O prazo curto e a surpresa é o que os torcedores não gostam. Em termos de comunicação, seria melhor ter dito isso desde o começo”, afirmou o goleiro, de 36 anos, capitão do Nationalef.

Manuel Neuer, goleiro e capitão da Alemanha (INA FASSBENDER/AFP via Getty Images)

Bierhoff também foi vocal em relação à postura da Fifa sobre as braçadeiras de capitão. A entidade planeja que as braçadeiras de diversos capitães tenham slogans diferentes é “desconcertante”, já que a Alemanha e outros países europeus planejam usar a braçadeira com os dizeres de “One Love”, com um objetivo claro. Deixa, na verdade, uma intenção subentendida: a Fifa quer criar uma campanha própria para controlar a narrativa e impedir o protesto.

“Eu ouvi sobre isso e o prazo curto é surpreendente e é a Fifa que não tem uma posição clara. Nós temos uma posição clara. Veremos como isso se desenvolve e iremos discutir com outras nações da Europa. Esperamos que seja permitido usar a braçadeira [com a inscrição “One Love”].

O goleiro Manuel Neuer, então, foi perguntado se ele usará a braçadeira de capitão com a inscrição “One Love” na estreia da Alemanha, contra o Japão, na terça-feira, dia 23 (10h). O jogador foi sucinto: “Sim”.

Homossexualidade é ilegal no Catar e essa tem sido uma questão muito discutida desde que o país recebeu o direito de sediar a Copa. Os organizadores garantem segurança às pessoas que vão ao país para ver a Copa, mas, naturalmente, isso é visto com desconfiança. Mais ainda quando, a dois dias do início da Copa, o acordo sobre a venda de cervejas seja unilateralmente descumprido pelo Catar, sem, aparentemente, qualquer reação da Fifa. Quem garante que não farão o mesmo caso queiram agir contra homossexuais?

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.
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