A última dança será na final: Messi conduz Argentina para eliminar a Croácia e garantir lugar na decisão
Com Messi gastando a bola, aos 35 anos, Argentina vai para a final da Copa do Mundo e tentará o título que não vem desde 1986, novamente confiando no gênio que veste a 10
A última Copa do Mundo de Lionel Messi é o mote da participação da Argentina nesta Copa e o craque resolveu fazer a sua melhor participação em Mundiais aos 35 anos. Na semifinal desta terça-feira, a Croácia, algoz do Brasil, caiu diante de mais uma atuação decisiva de Messi, além da participação muito simbólica de Julián Álvarez, autor de dois gols. Ele, que começou no banco, tornou-se um titular importante no processo de mudanças que o técnico Lionel Scaloni fez e que transformou aquela Argentina que foi derrotada na estreia pela Arábia Saudita em uma das favoritas e finalista no Catar.
Escalações: Sem Di Maria, mas com Paredes e Di Paul
O técnico argentino, Lionel Scaloni, mudou o time para o jogo e passou a jogar em um 4-4-2, povoando mais o meio-campo, setor mais crucial do matreiro time da Croácia. Colocou Leandro Paredes junto a Rodrigo de Paul, Enzo Fernández e Alexis Mac Allister, que vinham formando o trio titular. Em vez da linha de cinco, como no jogo contra os Países Baixos, uma formação com duas linhas de quatro. Quem saiu do time para a entrada de Paredes foi Lisandro Martínez, um dos zagueiros no jogo passado.
A Croácia foi a campo exatamente com o mesmo time que venceu o Brasil, em um 4-3-3 que podia se moldar em um 4-4-2, já que Mario Pasalic, no lado direito, recuava para compor o meio-campo. Com a bola, ele abria no lado direito para ser opção.
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Primeiro tempo: albiceleste mortal faz croatas pagarem por erros
O jogo começou com os dois times bastante precavidos. A Croácia, quando tinha a bola, não tinha qualquer pressa. Tocava a bola sem muito problema e sem arriscar também. A Argentina buscava encontrar os espaços quando tinha a posse e errou alguns passes no ataque, porque arriscava um pouco mais.
O jogo era muito parecido com o que a Croácia impôs ao Brasil nas quartas de final. Segurava a bola, cozinhava o jogo, sem muita pressa quando recuperava e tentando manter os espaços fechados. Aos 24 minutos, a Argentina tentou em um chute de fora da área. Enzo Fernández bateu colocado, bem no canto, e Livakovic foi buscar para mandar para escanteio.
Depois de algumas tentativas, a Argentina conseguiu saiu na cara do goleiro Livakovic. Julián Álvarez foi lançado nas costas da defesa, tocou por cima, mas foi derrubado pelo goleiro. Como não houve vantagem – Messi ainda tentou pegar a bola na linha de fundo e não conseguiu -, o árbitro marcou o pênalti e deu cartão amarelo para o goleiro.
Lionel Messi pegou a bola e cobrou com força: indefensável para o goleiro Livakovic. Argentina 1 a 0 no Estádio Lusail. Aos 33 minutos, a Argentina abria o placar. Foi o 11º gol de Messi na história das Copas, ultrapassando Gabriel Batistuta para se tornar o argentino com mais gols em Mundiais. Foi o quinto gol de Messi na Copa, se igualando a Kylian Mbappé como artilheiro.
Em mais um ataque rápido com Julián Álvarez, a Argentina aumentou o placar. Em contra-ataque mortal depois de uma cobrança de falta, Messi recebeu pelo meio, tocou, foi derrubado, mas a bola sobrou para Julián Álvarez avançar por toda metade do campo, dividiu com Juranovic, ficou com a bola com alguma dose de sorte, Sosa tentou tirar, não conseguiu e a bola ainda ficou com Álvarez, que finalizou na cara do gol de Livakovic e marcou: 2 a 0, aos 38 minutos.
Por muito pouco, os albicelestes não ampliaram o placar. Em cobrança de escanteio, Alexis Mac Allister cabeceou muito bem, no chão, e o goleiro Livakovic fez uma grande defesa. O momento era todo dos sul-americanos. Messi recebia muito a bola e, com a vantagem no placar, segurava a bola, mantinha a posse e complicava a vida dos marcadores, que tinham que fazer a falta.
Ao contrário do que foi o jogo com o Brasil, a Croácia foi para o intervalo com uma desvantagem significativa. Um panorama que muda completamente a sua abordagem ao jogo.
Segundo tempo: ninguém segura Messi
Para o segundo tempo, o técnico Zlatko Dalic fez duas mudanças já nos vestiários: sacou Borna Sosa e entrou Mislav Orsic e saiu Mario Pasalic e entrou Nikola Vlasic. Além disso, logo a cinco minutos do segundo tempo, precisou mudar mais um: Brozovic sentiu e o técnico aproveitou para colocar o time ainda mais no ataque ao colocar Bruno Petkovic.
As mudanças deixaram a Croácia muito diferente. Ivan Perisic passou a ser lateral esquerdo, recuado da ponta. Orsic entrou para fazer a ponta esquerda, Vlasic ficou aberto na direita, com Bruno Petkovic pelo meio. Kramaric passou a ser um meia-atacante, vindo mais de trás. Modric e Kovacic passaram a ser volantes. Uma formação mais ofensiva para tentar volta ao jogo.
Muito bem no jogo, Messi recebia a bola e conseguia segurá-la com muita competência. Aos 11 minutos do segundo tempo, ele recuperou a bola e driblou, achou Enzo Fernánfdez, que devolveu para ele, que mesmo pressionado e já desequilibrado com a marcação de Gvardiol, ele ainda finalizou e Livakovic defendeu.
A Argentina mudou também aos 16 minutos. Saiu Leandro Paredes, volante, e entrou Lisandro Martínez, zagueiro. Logo depois, em uma cobrança de falta, Lovren subiu no meio da defesa e conseguiu tocar, mas sem força e o goleiro Dibu Martínez tentou afastar, a bola bateu em Vlasic e Lisandro Martínez afastou.
A Argentina jogava um pouco mais recuada no segundo tempo, até pela postura da Croácia, mais ofensiva. Os contra-ataques da Argentina eram sempre perigosos, aproveitando muito espaço atrás. Ainda mais com Messi jogando muita bola.
Em uma bola que parecia inocente, de lateral, Julián Álvarez trocou de primeira para Messi, que estava na lateral do campo, partiu para cima de Gvardiol, protegeu, girou duas vezes, deixou o zagueiro para trás em um espaço minúsculo na ponta direita e, na linha de fundo, tocou rasteiro para trás e Julián Álvarez tocou de primeira para marcar: 3 a 0 para a Argentina, aos 23 minutos.
não teve mais jogo depois disso. A Argentina, dominante, manteve com tranquilidade a vantagem. A Croácia não tinha mais forças. Os argentinos colocaram em campo jogadores que ainda não tinham entrado, como Paulo Dybala e Angel Correa.
Pela segunda vez na sua carreira, Lionel Messi comandará a Argentina em uma final. Desta vez, de uma forma que parece imparável. O que ele jogou nesta Copa, e nos jogos eliminatórios em particular, é algo espetacular. Ele está quase imarcável. Sabendo conduzir, acelerar, reduzir o ritmo quando necessário, fazendo passes, marcando gols e sendo o líder, referência e ídolo não só da arquibancada, mas dos próprios companheiros. Messi tem um time que não só joga por ele: joga com ele também.
Com ele em campo, a Argentina já sonha com o título que não vem desde 1986. Desde que o gênio Diego Maradona conduziu, brilhantemente, os albicelestes à decisão, como um furacão incontrolável e imarcável. Messi, mais uma vez, chega a uma final. Tentará aproveitar a chance para, enfim, conquistar o título que parece ser a sua maior obsessão.
Ficha técnica
Argentina 3×0 Croácia
Local: Estádio Lusail, em Lusail
Árbitro: Daniele Orsato (Itália)
Gols: Lionel Messi, Julián Álvarez (duas vezes) (Argentina)
Cartões amarelos: Nicolás Otamendi, Cristian Romero (Argentina), Dominik Livakovic, Mateo Kovacic (Croácia)
Cartões vermelhos: nenhum
Argentina: Emiliano Martínez; Nahuel Molina (Juan Foyth), Cristian Romero, Nicolás Otamendi e Nicolás Tagliafico; Rodrigo de Paul (Exequiel Palacios), Leandro Paredes (Lisandro Martínez), Enzo Fernández e Alexis Mac Allister (Angel Correa); Julián Álvarez (Paulo Dybala) e Lionel Messi. Técnico: Lionel Scaloni
Croácia: Dominik Livakovic; Josip Jurannovic; Dejan Lovren, Josko Gvardiol e Borna Sosa (Mislav Orsic); Marcelo Brozovic (Bruno Petkovic), Mateo Kovacic e Luka Modric (Lovro Majer); Mario Pasalic (Nikola Vlasic), Andrej Kramaric (Marko Livaja) e Ivan Perisic. Técnico: Zlatko Dalic



