Copa do MundoCopa do Mundo Feminina

A Suécia soube neutralizar a Alemanha e, com Jakobsson imparável, virou rumo à semifinal

Alemanha e Suécia reeditavam, já nas quartas de final da Copa do Mundo Feminina, a última decisão dos Jogos Olímpicos. Há três anos, as alemãs conquistaram a medalha de ouro no Rio de Janeiro, contando principalmente com o talento de Dzsenifer Marozsán. O tempo, no entanto, ajudou as suecas a lidarem bem com o reencontro. Jogando de maneira inteligente, as escandinavas souberam explorar os pontos fracos das adversárias e contiveram suas forças. Não se desesperaram nem mesmo quando as germânicas abriram o placar em Rennes. E conseguiram buscar a virada, graças à atuação inspirada de Sofia Jakobsson. A atacante marcou o gol de empate, criou a jogada da virada e poderia até mesmo ter tornado o placar mais amplo. Ao final, o desespero só atrapalhou a Alemanha, que recorreu à lesionada Marozsán, em sacrifício que não rendeu o final heroico. Mais consistente e letal, a Suécia pôde comemorar a vitória por 2 a 1. Elimina uma das favoritas ao Mundial e, de volta às semifinais após oito anos, definirá contra a Holanda quem passará à decisão. O resultado ainda confirmou as suecas nas Olimpíadas de 2020 e privou as alemã de buscarem mais um ouro.

A Alemanha mostra os dentes

A Alemanha começou a partida sufocando. Tinha uma postura bastante agressiva, com e sem a bola. A Suécia passou aperto durante os primeiros dez minutos, com as alemãs rondando a área e tentando encontrar uma brecha. A defesa sueca se safava, sem permitir chances claras às adversárias. Além disso, a capacidade das germânicas na marcação era excepcional. As atacantes pressionavam o toque de bola das zagueiras, enquanto o time se adiantava em campo. As escandinavas mal passavam do meio-campo.

A Alemanha sai em vantagem

A Suécia, porém, criou o primeiro grande lance da partida. E apresentou uma arma importante, explorando a linha defensiva adiantada da Alemanha. Lançada em profundidade, Jakobsson passou por trás das zagueiras e finalizou cruzado, mas a goleira Schult fez boa defesa com o pé. As alemãs logo se recomporiam, abrindo o placar aos 15. A pressão na marcação deu resultado. Däbritz roubou a bola no campo de ataque, avançou e deu um passe sensacional a Magull. A atacante dominou e emendou um voleio, mandando a bola por entre as pernas da goleira Lindahl. Golaço. Schüller ainda ficou próxima do segundo na sequência, em cabeçada que Lindahl segurou com firmeza.

A Suécia reage rapidamente

A desvantagem não abalou a Suécia. E as escandinavas já tinham o seu caminho traçado, com a ligação direta ao ataque causando pesadelos à Alemanha. Foi assim que o empate saiu, já aos 21 minutos. Sembrant realizou o lançamento do campo de defesa, em um momento de pressão das alemãs, e conectou diretamente com Jakobsson. A atacante aproveitou o erro da zaga na hora de cortar e, com o caminho livre, chutou na saída de Schult. A goleira ainda tocou na bola, mas não evitou o tento.

Um jogo diferente

A Alemanha pareceu sentir o gol. Continuou com sua atitude agressiva, mas tinha dificuldades para romper a defesa da Suécia. O calor também afetava o rendimento em Rennes, causando o desgaste das jogadoras. Antes do intervalo, a Suécia já ensaiou a virada. Em outra bola longa entre as zagueiras, Blackstenius ficou em ótimas condições, mas Schult desviou para escanteio com a ponta dos dedos. Além disso, uma sequência de rebatidas após escanteio também assustou as alemãs.

Marozsán entra, mas a Suécia vira

A Alemanha perdeu Simon, lesionada, ao final do primeiro tempo. E, na volta para a segunda etapa, mandou a sua craque a campo. Marozsán quebrou um dedo do pé na fase de grupos e, por isso, desfalcou o time contra a Nigéria. Todavia, o sacrifício era necessário em uma partida tão difícil. Só que não demorou para a Suécia complicar ainda mais as coisas, com o segundo gol aos três minutos. Em jogada de Jakobsson pela direita, Rolfo cabeceou e forçou uma defesaça de Schult. O rebote, todavia, ficou livre para Blackstenius, que aproveitou a meta aberta para concluir.

A Alemanha sofre mais que a Suécia

A partida ficava nas mãos da Suécia, a partir de então. A Alemanha controlava a posse de bola e tentava partir para cima. No entanto, tinha muitas dificuldades para se aproximar da área sueca. As escandinavas impediam a criação e a própria saída de bola, com suas linhas de marcação sitiando o terço defensivo. A Alemanha buscava vez ou outra os cruzamentos, sem grande sucesso. Apresentava certo nervosismo na condução da partida, da mesma forma que faltava velocidade nas ações. E a Suécia poderia ter matado o confronto em seus contragolpes. Aos 25, Blackstenius invadiu a área, mas escorregou na hora de finalizar. Sete minutos depois, seria a vez de Jakobsson dar um lindo drible na marcadora e chutar em cima de Schult, que fez a defesa.

A Suécia deixa a Alemanha sem respiro

Os minutos finais em Rennes foram mais sofridos que jogados. A Alemanha tentava achar um gol de qualquer maneira. Mandava a bola na área para ver o que dava, sem muito repertório. Lindahl não transmitia segurança nos cruzamentos e, assim, as alemãs ameaçaram. Popp cabeceou para fora, em lance no qual estava impedida, e Oberdorf errou o alvo com a meta aberta, após falha da goleira. Quando Däbritz teve uma brecha para chutar, Lindahl segurou firme. E com a Suécia gastando o tempo, as chances secaram nos acréscimos. A classificação foi de quem soube lidar melhor com a ocasião.

Como ficam as semifinais

Inglaterra e Estados Unidos se enfrentam na próxima terça-feira, 2 de julho. Já a partida entre Holanda e Suécia está marcada para a quarta-feira. Ambos os encontros acontecem em Lyon, às 16h no Horário de Brasília.

Ficha técnica

Suécia 2×1 Alemanha

Local: Roazhon Park, em Rennes
Árbitra: Stephanie Frappart (França)
Gols: Lina Magull, aos 16’/1T; Sofia Jakobsson, aos 22’/1T; Stina Blackstenius, aos 3’/2T
Cartões amarelos: Fridolina Rolfo
Cartões vermelhos: nenhum

Suécia: Hedvig Lindahl, Hanna Glas, Nilla Fischer (Amanda Ilestedt), Linda Sembrant, Magdalena Eriksson; Elin Rubensson (Nathalie Bjorn), Kosovare Asllani, Caroline Seger; Fridolina Rolfo (Lina Hurtig), Stina Blackstenius, Sofia Jakobsson. Técnico: Peter Gerhardsson.

Alemanha: Almuth Schult, Giulia Gwinn, Sara Doorsun, Marina Hegering, Carolin Simon (Leonie Maier); Sara Däbritz, Linda Dallmann (Dzsenifer Marozsán), Lina Magull; Svenja Huth, Alexandra Popp, Lea Schüller (Lena Oberdorf). Técnica: Martina Voss-Tecklenburg.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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