A lenda de Ochoa em Copas do Mundo ganha mais um capítulo dourado, com seu primeiro pênalti defendido
Ochoa mal sujou o uniforme contra a Polônia, mas se agigantou em mais uma Copa ao barrar o penal de Lewandowski
A cada quatro anos, uma muralha se erige à frente da meta da seleção mexicana. Guillermo Ochoa é um gigante de El Tri que se torna ainda maior a cada Copa do Mundo. A participação em 2022 já era especial ao goleiro de 37 anos antes mesmo que ele entrasse em campo: se tornou o sétimo jogador na história a disputar cinco edições do torneio. A forma do veterano continua ótima e acaba por se tornar uma das esperanças do México, num momento inconsistente da equipe de Tata Martino. Pois se existe uma coleção de defesas de Memo em sua carreira mundialista, ainda faltava pegar um pênalti. Pegou, exatamente de Robert Lewandowski, e garantiu pelo menos o empate no fraco 0 a 0 contra a Polônia.
Ochoa era reserva em suas duas primeiras Copas do Mundo. Era um jovem aprendiz de Oswaldo Sánchez em 2006 e permaneceu como suplente de Óscar Pérez em 2010 – quando muita gente defendia a sua titularidade, pela forma fantástica com o América do México. A oportunidade veio, enfim, em 2014. Facilmente o mexicano esteve entre os melhores arqueiros daquela Copa. Teve uma atuação estupenda no empate sem gols contra o Brasil no Castelão e pegou demais também contra a Holanda nas oitavas. Porém, aquele pênalti muito contestado anotado sobre Arjen Robben permitiu a Klaas-Jan Huntelaar vencer o goleiro na marca da cal e garantir a virada laranja nos acréscimos do segundo tempo.
Quatro anos depois, Ochoa voltou à Rússia para defender a sua fama como homem de Copas. De novo se transformou num monstro. A vitória sobre a Alemanha teve participação importantíssima do arqueiro, especialmente numa cobrança de falta de Toni Kroos. Realizou outras boas intervenções contra a Coreia do Sul, no que valeu a classificação, mesmo sem evitar a derrota para a Suécia. Já o Brasil teria vida mais difícil nas oitavas por culpa de Memo. Estava intransponível durante o primeiro tempo e só depois de algumas defesas difíceis na segunda etapa é que os gols brasileiros vieram. De qualquer maneira, o veterano de novo estava entre os melhores goleiros do torneio.
Nestes últimos quatro anos, a carreira de Ochoa não deu uma guinada. Se já não tinha acontecido isso quando ele era mais novo, não seria o momento de chegar a uma vitrine maior. É bom dizer que, muito além da seleção, Memo sempre foi um goleiraço. Um pouco inconstante, é verdade, mas seus milagres são conhecidos desde os tempos em que surgiu no América. Mas não foi isso que abriu as portas de um clube mais pesado da Europa. Sua trajetória é um tanto quanto melancólica, com as passagens por Ajaccio, Málaga, Granada e Standard de Liège. Se o empresário de Ochoa fosse tão competente quanto o arqueiro, uma oportunidade maior certamente teria chegado. Como não veio, em 2019 o veterano preferiu voltar para o América e ampliar um pouco mais os feitos onde é um dos maiores ídolos da história.
Todavia, a Copa do Mundo não tinha acabado para Ochoa. O goleiro manteve a posição de titular e não perdeu uma partida sequer das Eliminatórias, inclusive usando a braçadeira de capitão em parte dos jogos. Numa campanha errática do México, o goleiro fez a diferença em algumas partidas, em especial no empate sem gols contra os Estados Unidos no Estádio Azteca. Indicava como estava pronto para a sua quinta Copa do Mundo, a terceira delas como titular. Foi o que se notou contra a Polônia.
Sejamos francos: Ochoa mal sujou o uniforme. Os poloneses tiveram uma atuação frustrante, especialmente quando se conta com Lewandowski no ataque. A única finalização contra a meta de Memo aconteceu exatamente no pênalti do centroavante. E aí parecia até óbvio imaginar o que ocorreria. Lewa é uma grande decepção em Mundiais. Do outro lado, estava aquele que se transforma em super-herói. O arqueiro justificou sua aura, com o voo no canto e a bola espalmada por suas mãos salvadoras. Os gritos de “Memo, Memo” ecoavam nas arquibancadas.
O México possui goleiros que marcam sua história em Copas do Mundo. Antonio Carbajal liderou El Tri em seus primórdios e disputou cinco vezes o Mundial, tal qual Ochoa. Ainda que seja recordista em gols sofridos, também chegou a conter bombardeios do Brasil. Jorge Campos, por sua vez, chamava bem mais atenção pela baixa estatura e pelo folclore. Por bola, Memo já fez o suficiente para ser considerado o maior arqueiro mexicano de todos os tempos. Tem uma porção de defesas em Copas para relembrar e, agora, também um pênalti barrado diante de um dos centroavantes mais badalados do mundo.



