Copa do Mundo

A França que encanta, a Holanda que se desespera: Bleus esmagam a Oranje em Saint-Denis

As diferenças entre França e Holanda são perceptíveis no papel. Os Bleus vivem a ascensão de uma geração talentosíssima, com vários jogadores se firmando nas principais competições da Europa. A Oranje, por sua vez, encara o ocaso de seus craques, enquanto pena para encontrar atletas que possam manter o nível de sua seleção. E ainda que nem sempre os franceses façam atuações que cumpram todas as expectativas, os holandeses têm sido uma decepção só. No balanço entre o potencial sucesso de uns e o iminente fracasso de outros, abriu-se um abismo no Stade de France. A França deu uma aula de futebol, sobretudo no segundo tempo. Seu potente ataque estraçalhou as deficiências defensivas da Holanda e, no fim das contas, a goleada por 4 a 0 saiu em conta. Uns mais próximos da Copa do Mundo, outros flertando com uma (nova) queda vexatória nas Eliminatórias.

Didier Deschamps apostou em uma França com muita mobilidade. Escalou Olivier Giroud como homem de referência, mas muito bem apoiado pelo trio formado por Antoine Griezmann, Kingsley Coman e Thomas Lemar. Além disso, a dupla formada por N’Golo Kanté e Paul Pogba tomaria conta do meio-campo. Dick Advocaat, do outro lado, precisava se virar com o que tinha em mãos. Confiou em Vincent Janssen no comando de ataque, apesar da convocação de Robin van Persie. Não faltava qualidade no setor central, com o quinteto formado por Arjen Robben, Wesley Sneijder, Quincy Promes, Kevin Strootman e Georginio Wijnaldum. Contudo, a defesa não transmitia confiança. A própria estreia de Timothy Fosu-Mensah num jogo deste porte era uma temeridade.

A França não demorou para mostrar quem ditava o ritmo do jogo. O domínio territorial dos Bleus era imenso, se colocando no campo de ataque e trabalhando a posse de bola. Assim, o gol logo sairia, garantindo a tranquilidade dos anfitriões para a sequência do confronto. Griezmann arrancou pelo meio, tabelou com Giroud e passou com enorme facilidade pela defesa holandesa, assistindo a tudo de camarote. De frente para Jasper Cillessen, o camisa 7 não perdoou.

Diante de um adversário que mal passou do meio de campo, a França não precisou forçar muito para seguir se impondo. Exibia relativa calma, enquanto a Holanda se segurava. Os lances de perigo na primeira etapa não foram muito constantes, com os Bleus alternando alguns minutos mais intensos e outros tantos de marasmo. Neste cenário, um dos melhores em campo era Kingsley Coman, se movimentando bastante pelos lados e tentando mostrar serviço. O ponta foi quem mais esteve próximo de marcar o segundo, em boa jogada individual que terminou em um chute com pouco ângulo, defendido por Cillessen.

A falta de atitude da Holanda gerou uma mudança já na volta do intervalo, com a entrada de Tonny Vilhena no lugar de Wesley Sneijder. Nada que tenha ajudado muito a Oranje, por mais que o time tenha ganhado mobilidade. A França ainda mandava na noite e ganhou uma vantagem que nem precisava, com a ajuda do árbitro. Kevin Strootman recebeu o segundo amarelo, em decisão mais rigorosa que deveria. Com um homem a mais, os Bleus iniciaram o seu passeio. Nem  substituição de Janssen por Van Persie melhorou as perspectivas dos visitantes.

A Holanda até tentava se colocar mais no campo de ataque, mas sofria com a aceleração máxima da França. Cillessen salvou o segundo em contragolpe fulminante finalizado por Pogba. Três minutos depois, não teria o que fazer: Thomas Lemar pegou na veia uma sobra na entrada da área, mandando a bola no ângulo. Golaço, que valoriza mais a fase do ponta, bastante cobiçado no mercado de transferências. A deixa para a festa. Kylian Mbappé entrou cheio de vontade no lugar de Olivier Giroud. Aumentou a intensidade do ataque dos Bleus, bombardeando a meta adversária.

O terceiro gol até tardou, considerando a quantidade de chances criadas. E foi em um contra-ataque impressionante, com a zaga holandesa perdida e três saindo de frente para Cillessen. Griezmann rolou e Thomas Lemar (se antecipando a Alexandre Lacazette, que saíra do banco pouco antes) fez mais um. Por fim, coube a Mbappé fechar a conta com o seu primeiro tento pela seleção principal. O garoto chamou Wesley Hoedt para dançar, tabelou com Djibril Sidibé – outro que destoou no Stade de France – e fuzilou para o fundo das redes. Pouco antes, o retrato da infeliz noite holandesa veio com Robben. Após um bolão de Van Persie, o craque encheu o pé, mas Lloris desviou com a ponta dos dedos, antes que o arremate explodisse no travessão. A chuva de gols aconteceria apenas para um lado.

Mesmo sem ser constante em sua apresentação, a França justifica os muitos elogios que recebe. E dá um passo importante rumo à Copa do Mundo, chegando aos 16 pontos, três de vantagem sobre a Suécia. Considerando a tabela tranquila dos Bleus, pegando Luxemburgo e Belarus em casa, além de visitar a Bulgária, a classificação ao Mundial de 2018 parece apenas questão de tempo. Enquanto isso, a disputa pelo segundo lugar do Grupo A, que dá uma vaga na repescagem, esquenta bastante.

No outro confronto que interessava ao topo da tabela, a Bulgária cedeu o empate por duas vezes, mas derrotou a Suécia em Sofia por 3 a 2, graças a um gol de Ivaylo Chochev aos 34 do segundo tempo. Os búlgaros chegam aos 12 pontos, um a menos que os suecos. Já a Holanda aparece com dez. As três últimas rodadas guardam dois confrontos diretos em Amsterdã, com os holandeses recebendo a Bulgária e depois a Suécia. O time de Dick Advocaat ainda segue dependendo apenas de si para se classificar – por mais que o saldo de gols dificulte a situação em relação aos suecos. O problema é que, no atual estágio, a Oranje não transmite a mínima confiança para mudar a situação. Precisará se empenhar muito mais, especialmente depois do que se viu nesta quinta.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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