Copa do MundoCopa do Mundo Feminina

A dez segundos do final, Camarões conquistou uma classificação tão agonizante quanto espetacular

A Copa do Mundo Feminina representa o ápice a qualquer jogadora. E a esperança costuma ir além na competição. Costuma resistir até o último instante, empurrando uns centímetros a mais, garantindo um pouco mais de energia. Em uma rodada final cheia de bons jogos na fase de grupos, foi este sentimento que permitiu a Camarões alcançar um milagre contra a Nova Zelândia em Montpellier. Fazendo uma partida de vida ou morte, as Leoas Indomáveis arrancaram a vitória por 2 a 1 a dez segundos do apito final. Não foi um gol qualquer: em meio à agonia pelo tempo que acabava, Ajara Nchout exibiu uma calma absurda para anotar uma pintura, deixando a marcadora no chão antes de concluir. Um gol tão lindo quanto histórico, que valeu a classificação das camaronesas às oitavas de final.

Onguéné monopoliza o primeiro tempo

O primeiro tempo viu a seleção de Camarões tomar a iniciativa. A equipe atacava com velocidade e contava com o pode de fogo de Onguéné. A camisa 7 foi quem mais levou perigo, criando duas boas oportunidades antes dos 20 minutos. Primeiro bateu para fora, antes de parar na goleira Nayler, quando tentou anotar um lindo gol por cobertura. De qualquer maneira, foi um primeiro tempo de baixo nível, muito travado e dependente de jogadas individuais. A Nova Zelândia foi inócua, ameaçando um pouco mais nas jogadas pelo alto.

Camarões sai em vantagem

O jogo melhorou no segundo tempo. Camarões partiu para cima e começou a martelar a Nova Zelândia, sempre liderada por Onguéné. O merecido gol saiu aos 11 minutos. Após cruzamento da esquerda, Nchout dominou e girou para cima da marcadora, batendo na saída da goleira. E o segundo tento quase veio na sequência. Em verdadeiro bombardeio, a goleira Nayler pegou três chutes em sequência, dois deles de Onguené, antes que a quarta finalização consecutiva, de Abam, acertasse a rede pelo lado de fora.

A Nova Zelândia reage

Diante do placar desfavorável, finalmente a Nova Zelândia resolveu sair para o jogo. Logo começou a criar suas oportunidades e a se postar no campo de ataque. Foram três boas chances de empate. Na melhor delas, Hassett cabeceou e a goleira Ndom realizou uma belíssima defesa. E o gol das neozelandesas saiu em infeliz fogo-amigo, aos 34 minutos. Após cruzamento da direita, Awona pegou de canela na bola e mandou contra o próprio patrimônio. Abatida, foi consolada pelas companheiras. O tento eliminava as Leoas Indomáveis do Mundial.

A apoteose camaronesa, graças a Nchout

O final da partida teve bastante intensidade. Com o empate eliminando ambas as equipes, os dois times buscavam a vitória urgentemente. A Nova Zelândia parecia mais propensa à virada, tentando mais. Duas finalizações para fora impediram o triunfo das neozelandesas. Assim, a redenção de Camarões ficaria guardada ao minuto final dos cinco de acréscimos dados pela árbitra. Em contra-ataque, Nchout recebeu de Onguéné e chamou Percival para dançar. Deu um lindo corte, deixando a adversária no chão, antes de chutar com categoria para tirar da goleira. Um tento agônico e espetacular, que valeu a história para as Leoas Indomáveis.

A classificação

Com três pontos e dois gols negativos de saldo, Camarões conseguiu se colocar entre as melhores terceiras colocadas. É a segunda classificação do país aos mata-matas da Copa do Mundo Feminina, após cair para a China nas oitavas de 2015. Já a Nova Zelândia se despede sem nenhum ponto conquistado.

Ficha técnica

Camarões 2×1 Nova Zelândia

Local: Stade de la Mosson, em Montpellier
Árbitra: Kateryna Monzul (UCR)
Gols: Ajara Nchout, aos 12’/2T; Aurelle Awona, contra, aos 34’/2T; Ajara Nchout, aos 50’/2T.
Cartões amarelos: Takounda (Camarões), Green (Nova Zelândia)
Cartões vermelhos: Nenhum

Camarões: Annette Ngo Ndom, Raissa Feudjio, Yvonne Leuko, Augustine Ejangue, Estelle Johnson, Aurelle Awona; Michaela Abam, Ajara Nchout, Jeannette Yango (Ninon Abena), Gabrielle Aboudi Onguene; Gaelle Enganamouit (Alexandra Takounda). Técnico: Alain Djeumfa.

Nova Zelândia: Erin Nayler, Katie Bowen, Rebekah Stott, Abby Erceg, Anna Green (Hannah Wilkinson), Ali Rylei; Ria Percival, Katie Duncan (Betsy Hassett), Olivia Chance (Annalie Longo); Sarah Gregorius, Rosie White. Técnico: Tom Sermanni

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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