Copa do Mundo

A Bélgica jogou fácil e terminou por alcançar a sua melhor campanha na história das Copas

Era esperado que ninguém assistisse a uma partida intensa em São Petersburgo. Historicamente, a decisão do terceiro lugar em Copas do Mundo costuma ser lembrada por outros detalhes: os belos gols, a consagração de artilheiros, o jogo aberto. A liberdade, aliás, marcou o Bélgica x Inglaterra deste sábado, em jogo entre duas equipes que não atuaram em seu máximo nível de atenção e empenho, mas fizeram um duelo razoável. Por mais que os ingleses tenham criado as suas chances, no entanto, a superioridade foi toda dos belgas. Os Diabos Vermelhos deram algumas mostras de sua qualidade técnica, entre jogadas bem trabalhadas e uma facilidade considerável para chegar à meta adversária.

Faltou um pouco mais de capricho nas conclusões, sobretudo de Romelu Lukaku, que viu Harry Kane terminar à sua frente na artilharia. Ainda assim, o centroavante teria participação importante na jogada do primeiro gol. Já no segundo tempo, um pouco mais da maestria de Kevin de Bruyne e Eden Hazard, protagonistas na vitória por 2 a 0 – o camisa 10, inclusive, referendando sua candidatura aos prêmio individuais. Com o resultado, a seleção belga garante a melhor campanha da história do país em Copas, superando o quarto lugar alcançado em 1986. Não cumpre todas as expectativas ao redor da “ótima geração”, é verdade, mas registra um momento para ser lembrado, especialmente pela notável vitória sobre o Brasil.

As escalações

A Bélgica entrou com sua base principal. Voltou a usar o 3-4-3, com Nacer Chadli na ala esquerda e Youri Tielemans entrando na faixa central. Já Kevin de Bruyne vinha novamente mais adiantado, com Dries Mertens no banco. A Inglaterra, por sua vez, entrou com mudanças, mesmo mantendo o 3-5-2. Phil Jones, Eric Dier, Ruben Loftus-Cheek, Fabian Delph e Danny Rose foram as novidades, com o meio-campo praticamente inteiro renovado neste sábado.

O gol logo de cara

A Bélgica precisou de apenas três minutos para abrir o placar. O gol nasceu em uma cobrança de tiro de meta de Thibaut Courtois. Chadli desviou e Romelu Lukaku partiu com o campo aberto. Devolveu a Chadli em profundidade, se projetando na ponta esquerda, e o ala cruzou para Thomas Meunier, surgindo como elemento surpresa na área. Concluiu de canela, mas o suficiente para vencer Jordan Pickford. Mais um cochilo na marcação inglesa, com Rose permitindo que o adversário passasse à sua frente.

Ritmo de amistoso

Era um jogo muito mais aberto. Com boa mobilidade, a Bélgica sabia aproveitar os espaços deixados pela Inglaterra e poderia ter ampliado, com Pickford salvando arremate de De Bruyne. Mesmo que os ingleses tivessem mais posse de bola, os Diabos Vermelhos chegavam com enorme facilidade, a partir das triangulações. Lukaku desperdiçaria outro bom lance, errando o tempo da bola na hora de finalizar. Defensivamente, os belgas também trabalhavam com segurança, diante das investidas dos oponentes. A partir dos 20 minutos é que os Three Lions passaram a assustar um pouco mais, só que erravam o alvo com frequência. Quando teve espaço, Harry Kane bateu mal, para fora. Já Raheem Sterling protagonizaria um lance bisonho ao mandar a bola nas arquibancadas, símbolo do péssimo Mundial que faz. Já depois dos 30, a Bélgica voltaria ao controle, com Hazard e De Bruyne incomodando. Na melhor oportunidade, Toby Alderweireld tirou tinta do travessão em uma sobra na área.

Bola parada x infiltrações

No início do segundo tempo, a Inglaterra voltou a ameaçar, apostando principalmente em sua jogada principal nesta Copa do Mundo: as bolas paradas. Já do outro lado, a Bélgica tinha mais liberdade para infiltrar e de novo Lukaku desperdiçou chance clara de marcar, depois de um passe espetacular de Kevin de Bruyne. O centroavante esticou demais e novamente permitiu que Pickford se antecipasse. Com o passar dos minutos, os ingleses tentaram aumentar a pressão. Poderiam muito bem ter empatado aos 24, em tabela na qual Eric Dier contou com a complacência da marcação adversária. Mesmo sem velocidade, o volante saiu na cara do gol e deu um toque cheio de categoria para encobrir Courtois. Em cima da linha, Alderweireld salvou com um carrinho espetacular. O lance coroou o ótimo desempenho do zagueiro ao longo do Mundial.

Em meio ao susto, o segundo

O lance de Dier pareceu aumentar a confiança da Inglaterra, que começou a martelar. Rondou a área da Bélgica e insistia mais no jogo aéreo. Em contrapartida, se expunha aos contragolpes dos Diabos Vermelhos. Assim, a equipe matou o jogo, orquestrada por Hazard e De Bruyne. Aos 34, quase aconteceu um golaço, em aula de contra-ataque. Após vários passes encadeados, Dries Mertens cruzou para Meunier e o ala acertou um chutaço de primeira, mas parou em defesa ainda mais impressionante de Pickford. Já aos 37, ninguém conteve os craques. De Bruyne avançou e aproveitou o erro de posicionamento da linha defensiva inglesa, enfiando a bola para Hazard. Diante de Pickford, o camisa 10 não teve problemas para tirar do goleiro e definir o placar.

Medalhas aos belgas

Ao final da partida, a Bélgica deixou a impressão de que poderia ter feito o terceiro gol, se quisesse forçar mais. O resultado, de qualquer forma, já era suficiente. Antes de deixarem o campo, os jogadores belgas receberam as medalhas de bronze em cerimônia preparada pela Fifa e deram a volta olímpica em São Petersburgo. Não foi o adeus mais eufórico, mas teve dignidade.

Ficha técnica

Bélgica 2×0 Inglaterra

Local: Estádio Krestovsky, em São Petersburgo
Árbitro: Alireza Faghani (IRA)
Gol: Meunier, aos 3’/1T; Hazard, aos 37’/2T
Cartões amarelos: Stones e Maguire
Cartões vermelhos: Nenhum

Bélgica
Thibaut Courtois, Toby Alderweireld, Vincent Kompany, Jan Vertonghen; Thomas Meunier, Youri Tielemans (Moussa Dembélé), Axel Witsel, Nacer Chadli (Thomas Vermaelen); Kevin de Bruyne, Eden Hazard, Romelu Lukaku (Dries Mertens). Técnico: Roberto Martínez.

Inglaterra
Jordan Pickford, Phil Jones, John Stones, Harry Maguire; Eric Dier, Kieran Trippier, Ruben Loftus-Cheek (Dele Alli), Fabian Delph, Danny Rose (Jesse Lingard); Harry Kane, Raheem Sterling (Marcus Rashford). Técnico: Gareth Southgate.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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