Copa do Mundo

18 jogadores que se destacaram na Data Fifa e devem chegar na Copa com mais moral

Aproveitamos os compromissos finais antes das convocações para destacar jogadores que mostraram serviço nas duas últimas semanas

As duas últimas semanas ofereceram o aperitivo final antes que as convocações definitivas sejam anunciadas e a Copa do Mundo de fato aconteça. Todas as 32 equipes classificadas estiveram em campo e puderam fazer seus últimos ajustes. No geral, muitos times de peso da Europa não agradaram, em rodadas arrastadas da Liga das Nações. Enquanto isso, os amistosos valeram para um clima mais leve em vários times de outros continentes – em especial Brasil e Argentina, distantes das turbulências.

Abaixo, separamos uma lista de 18 jogadores que aproveitaram bem os últimos compromissos e devem chegar com moral na Copa do Mundo. A relação inclui alguns protagonistas, mas também atletas que ganham espaço no momento decisivo. Cada seleção possui apenas um representante, com menções devidas ao longo dos textos. Além disso, deixamos de lado várias equipes que ficaram devendo dentro de campo – como Alemanha, Bélgica, França e Inglaterra. Também não falamos dos times que não estarão no Mundial, por mais que figuras como Ádám Szalai e Gianluigi Donnarumma tenham desequilibrado na Liga das Nações.

Richarlison (Brasil)

O Brasil foi a seleção que melhor se apresentou nesta Data Fifa. O nível dos adversários é questionável, mas eram dois adversários que estarão na Copa e terminaram atropelados. No geral, Richarlison foi quem se deu melhor nas oportunidades. Numa posição na qual o atacante encontra concorrência, balançou as redes três vezes e apresentou sua capacidade de definição, além do brio conhecido. No entanto, é até difícil não mencionar outros destaques brasileiros. Raphinha sobrou contra a Tunísia, Casemiro teve ótimos momentos também na construção, Éder Militão foi um teste positivo na lateral direita. Das certezas, Neymar chega nas melhores condições como protagonista. E ainda há a participação de Pedro, que não teve tantos minutos, mas deixou o seu gol e reforçou os pedidos de convocação para o Mundial.

(ANDRES KUDACKI/AFP via Getty Images/One Football)

Lionel Messi (Argentina)

A Argentina desfrutou da Data Fifa em ritmo de festa. Disputou dois amistosos nos Estados Unidos contra adversários que sequer estarão na Copa do Mundo, Honduras e Jamaica. A torcida lotou os estádios para ver Lionel Messi e, bem, o nome do camisa 10 se torna inescapável pelas pinceladas de craque. Diante dos hondurenhos, o capitão fez dois gols e participou da construção do outro, com direito a um lindo toque por cobertura. Já diante dos jamaicanos, Messi saiu do banco no segundo tempo e brindou os presentes com dois tentos nos minutos finais. Sua fase é o que mais anima a Albiceleste. Dentre os testados, destaque para Enzo Fernández, que vem em ótimo início com o Benfica e cravou o seu lugar pela enorme influência que teve durante o segundo tempo diante de Honduras, com assistência e bola na trave.

Nicolás de la Cruz (Uruguai)

Não foi a Data Fifa que deu mais motivos para o Uruguai se empolgar, com derrota pra o Irã e vitória sobre o Canadá. A lesão de Ronald Araújo, aliás, foi a principal manchete da Celeste nos últimos dias. Mas se tem alguém que pediu mais espaço no time foi Nicolás de la Cruz. A carreira do meia deu uma estagnada nos últimos anos, com uma influência bem maior em outros tempos pelo River Plate. Entretanto, sua primeira Copa do Mundo servirá de vitrine e ele parece disposto a aproveitar. Já tinha entrado bem diante dos iranianos e foi o melhor em campo contra os canadenses, com direito a um golaço de falta. Pode inclusive ser titular dos charruas, pela intensidade que confere nos lados de campo. Curiosamente, ocupa a lacuna deixada pelo irmão Carlos Sánchez após o ciclo para a Copa de 2018.

Piero Hincapié (Equador)

A seleção do Equador não chama atenção em nomes, mas possui alguns jogadores jovens que podem ganhar cartaz nos próximos anos. Um dos exemplos é Piero Hincapié, que está em sua segunda temporada como titular do Bayer Leverkusen. Usado como lateral no clube, o defensor de 20 anos é zagueiro titular de La Tri desde a Copa América de 2021. E foi o melhor do time nos amistosos recentes, dois 0 a 0 contra Arábia Saudita e Japão. As lesões de Robert Arboleda e Félix Torres aumentam sua importância dentro da equipe, em dupla com outro novato, Jackson Porozo, beque de 22 anos do Troyes. Quem também fez bom papel diante dos japoneses foi o goleiro Hernán Galíndez, que se aponta como favorito à camisa 1 no Catar.

(LISELOTTE SABROE/Ritzau Scanpix/AFP via Getty Images/One Football)

Christian Eriksen (Dinamarca)

A parada cardíaca de Christian Eriksen na Eurocopa teve sua influência na maneira como a Dinamarca se abraçou durante a competição continental e ganhou impulso até as semifinais. Entretanto, está claro como o time se torna ainda melhor com a presença do camisa 10. Eriksen é um diferencial técnico num conjunto azeitado pelo técnico Kasper Hjulmand. O craque já tinha feito grandes partidas neste retorno recente à seleção, em especial nos amistosos de março. E arrebentou durante as rodadas recentes da Liga das Nações. Mesmo sem evitar a derrota para Croácia, ele marcou um golaço. Já na vitória diante da França, o armador orquestrou o time com lançamentos sublimes. Chega com fome de bola, num conjunto consistente.

Luka Modric (Croácia)

Durante parte do atual ciclo, a Croácia viveu mais de nome pelo vice-campeonato mundial do que exatamente de bom futebol. Era algo até natural, considerando jogadores importantes que se despediram da equipe. Mesmo assim, dava para esperar mais na Euro 2020 e nas Eliminatórias. Agora, a equipe de Zlatko Dalic parece crescer no momento certo rumo ao próximo Mundial. Embora o time tenha menos tarimba que em 2018, alguns bons talentos surgem e o meio-campo permanece recheado. Sobretudo, porque Luka Modric ainda está lá, jogando o seu melhor. Idade não é problema para o camisa 10, vide o que acontece no Real Madrid. Nesta Data Fifa, ele deu motivos para ser ovacionado, especialmente contra a Áustria. Levou a Croácia para o Final Four. Entre os demais, Borna Sosa e Josko Gvardiol ganham peso na defesa e Lovro Majer entrou bem no meio.

Yann Sommer (Suíça)

As figuras mais conhecidas da Suíça, Xherdan Shaqiri e Granit Xhaka, não vivem os momentos mais badalados de suas carreiras. Já os candidatos a lideranças da geração mais jovem deixam desconfianças, apesar de boas atuações recentes de Manuel Akanji e Breel Embolo. Talvez o mais credenciado como principal face dos helvéticos é Yann Sommer. O goleiro vem de ótima fase no Borussia Mönchengladbach não é de hoje e também costuma fazer a diferença na seleção, a ponto de se candidatar como maior arqueiro da história do país. O camisa 1 não seria tão exigido contra a Espanha, mas evitou qualquer risco de rebaixamento ao pegar até pênalti diante da República Tcheca.

(Octavio Passos/Getty Images/One Football)

Nico Williams (Espanha)

A Espanha fez duas partidas abaixo da crítica nessa Liga das Nações e, de maneira até milagrosa, conseguiu a classificação para o Final Four. O time de Luis Enrique irritou pela morosidade, com aquela posse de bola cansativa numa zona sem perigo. Quem deu um tempero a mais para a Roja, quando entrou, foi Nico Williams. O ponta não mudou a história do jogo contra a Suíça, mas foi um dos principais responsáveis pela vitória sobre Portugal. Apresentou-se bastante, chutou a gol e deu a assistência para o tento decisivo de Álvaro Morata. Estreante nessa Data Fifa, ofereceu motivos para aparecer na lista final da Copa. Não menos importante foi Unai Simón, seu companheiro no Athletic Bilbao. O goleiro por vezes é visto com desconfiança, mas foi quem sustentou o placar zerado em Braga até o gol decisivo.

Diogo Dalot (Portugal)

Portugal teve uma das melhores apresentações desta Liga das Nações, nos 4 a 0 sobre a República Tcheca, e mesmo assim saiu frustrada com a derrota para a Espanha. Do que deu certo contra os tchecos, Diogo Dalot foi o melhor em campo. O lateral direito estava voando baixo e marcou dois gols, inclusive uma pintura de canhota de fora da área. A questão é mesmo a concorrência com João Cancelo por ali, mas pelo menos como reserva ele carimbou seu lugar no Mundial. Mais do que o ânimo com nomes pontuais, porém, entre os lusitanos fica certa preocupação. Primeiro com Fernando Santos, que não mexeu bem no time contra a Espanha, especialmente ao sacar Rafael Leão da equipe titular. Depois com Cristiano Ronaldo, bem abaixo inclusive na goleada.

Cody Gakpo (Holanda/Países Baixos)

Louis van Gaal não é o tipo de treinador que possui receio de lançar jovens em suas equipes. Quem pode se beneficiar às vésperas do Mundial é Cody Gakpo, que vem voando baixo com o PSV. Geralmente utilizado como ponta no clube, o jovem de 23 anos vem sendo aproveitado pela Oranje como um meia de ligação atrás dos atacantes. Contribuiu bem para os resultados nesta Data Fifa, que levaram a Holanda para o Final Four da Liga das Nações. Anotou o gol que abriu a vitória sobre a Polônia e, inicialmente reserva, cobrou o escanteio para o tento. decisivo no triunfo sobre a Bélgica. De certa maneira é uma surpresa recente, considerando que foi reserva na Eurocopa e acabou atrapalhado pelas lesões nas Eliminatórias.

Aleksandar Mitrovic, da Sérvia (Srdjan Stevanovic/Getty Images)

Aleksandar Mitrovic (Sérvia)

A Sérvia foi a seleção europeia que melhor atuou nesta Data Fifa, em que se pese o fato de figurar na segunda divisão da Liga das Nações. Porém, não se pode menosprezar a goleada sobre a Suécia em Belgrado e a vitória decisiva sobre a Noruega em Oslo, que valeu o acesso à Liga A. Aleksandar Mitrovic destruiu. O centroavante teve uma atuação de gala diante dos suecos, com os três gols, e ainda fechou a contagem com os noruegueses. O sistema de jogo dos sérvios não é o mais usual, com dois jogadores mais pesados na frente, mas o entendimento com Dusan Vlahovic é ótimo e potencializa a identidade ofensiva dada pelo técnico Dragan Stojkovic. Dentre os mais jovens, Ivan Ilic trabalhou muito bem no meio e Strahinja Pavlovic surgiu como um candidato a titular na zaga, ambos com 21 anos. Já no gol, onde a disputa é aberta, Vanja Milinkovic-Savic ganhou pontos ao frustrar todas as tentativas de Erling Braut Haaland.

Ismael Koné (Canadá)

A seleção do Canadá possui um elenco com vários jovens e descobre talentos nesta ascensão recente. Quem deve se candidatar como revelação do time é Ismael Koné, volante de 20 anos. O jogador do Montréal atrai muitas atenções em sua temporada de estreia na MLS, sondado por clubes europeus. Estreou pela seleção adulta na reta final das Eliminatórias e recebeu elogios por suas participações nos dois amistosos recentes dos Canucks, em vitória sobre o Catar e derrota para o Uruguai. Diante dos charruas, o novato não parece sentir o peso da ocasião e atuou solto de área a área. Nascido na Costa do Marfim, ele se mudou para Montréal ainda na infância e cresceu no país.

Jewison Bennette (Costa Rica)

A Costa Rica foi a seleção da América do Norte e Central que teve os melhores resultados nesta Data Fifa. Os Ticos empataram por 2 a 2 contra a Coreia do Sul, antes de vencerem o Uzbequistão por 2 a 1, com dois gols nos acréscimos do segundo tempo. E a garotada mostrou serviço. Se diante dos uzbeques o gol de empate veio com Anthony Hernández e a vitória saiu com assistência de Álvaro Zamora, dois meias de 20 anos da liga local, ambos os tentos contra os sul-coreanos foram assinados por Jewison Bennette. O ponta esquerda de 18 anos é visto como um potencial protagonista dos costarriquenhos, já presente nas Eliminatórias como titular em algumas partidas da reta final. Foi dele a assistência para o gol de Joel Campbell contra a Nova Zelândia na repescagem, que valeu a vaga na Copa. Agora, assinalou seus primeiros tentos pela seleção adulta. O garoto foi levado pelo Sunderland na atual temporada e marcou seu primeiro gol logo na segunda aparição pela Championship.

(JOSEP LAGO/AFP via Getty Images/One Football)

Abdelhamid Sabiri (Marrocos)

Marrocos inicia um novo ciclo com a chegada de Walid Regragui no comando e as principais adições desta Data Fifa foram os jogadores antes banidos por Vahid Halilhodzic – entre eles Noussair Mazraoui, Amine Harit e Hakim Ziyech. Além disso, os Leões do Atlas promoveram as estreias de alguns jovens. Abdelhamid Sabiri saiu do banco nos dois jogos, mas anotou um gol nos 2 a 0 sobre o Chile (em belo chute de fora da área) e também mostrou serviço no 0 a 0 diante do Paraguai. Não deve ter problemas de carimbar o passaporte para a Copa. O meia de 25 anos nasceu no Marrocos, mas mudou-se para a Alemanha com três anos de idade e iniciou a carreira no país, inclusive defendendo a seleção sub-21. No nível adulto, entretanto, optou pelos marroquinos. O armador se destaca na Sampdoria desde a temporada passada, depois de defender o Ascoli na Serie B.

Ismail Jakobs (Senegal)

Senegal aproveitou a Data Fifa para promover a estreia de alguns jogadores que optaram pela seleção recentemente, já que eram elegíveis por outros países. Ismail Jakobs era uma das novidades, nascido na Alemanha, mas filho de pai senegalês. O ala foi campeão europeu sub-21 com o Nationalelf em 2021 e até disputou as Olimpíadas de Tóquio, mas acabou atraído pela chance dos Leões da Teranga no Mundial. Foi bem em seus compromissos, entrando no fim da vitória sobre a Bolívia e ocupando o lado esquerdo no empate com o Irã. Sua entrada no time tende a ser importante, já que o veterano Saliou Ciss, destaque na conquista da Copa Africana de Nações, está sem clube e sequer foi chamado nesta convocação. No ataque, Boulaye Dia começou bem na Salernitana e foi o homem de referência do ataque na ausência de Famara Diédhiou. Abriu o placar diante dos bolivianos.

Hidemasa Morita (Japão)

O Japão é uma seleção que ganha corpo desde o início claudicante da fase final das Eliminatórias e se mostra mais preparado para a Copa do Mundo do que meses atrás. Alguns jogadores correspondem na Europa e ganham espaço nos Samurais Azuis. Um desses nomes é Hidemasa Morita, bicampeão da J-League com o Kawasaki Frontale, que se sobressaiu no Santa Clara e acabou levado pelo Sporting na atual temporada. O volante de 27 anos está entre os destaques leoninos na Champions e ganhou a posição no 11 inicial japonês durante a reta final das Eliminatórias. Nesta Data Fifa, deu assistência e foi um dos destaques na vitória imponente sobre os Estados Unidos, apesar de poupado no empate com o Equador. Autor de um gol contra os americanos e ótimo no Eintracht Frankfurt, Daichi Kamada é mais um que pode chegar com moral ao Mundial.

Son comemora o seu gol pela Coreia do Sul (JUNG YEON-JE/AFP via Getty Images)

Son Heung-min (Coreia do Sul)

A preponderância de Son Heung-min na seleção da Coreia do Sul é inegável. O atacante é a grande estrela da equipe e quem desequilibra constantemente os jogos, algo bastante evidente por seus gols nas Eliminatórias. Nos últimos amistosos, Sonny sublinhou um pouco mais o seu protagonismo. O camisa 7 atuou mais centralizado no ataque. Anotou um golaço de falta para empatar em 2 a 2 o duelo contra a Costa Rica e também cravou o tento da vitória por 1 a 0 diante de Camarões. Seu status para essa Copa é maior do que nas duas participações anteriores, ainda que ele já se destacasse pelo Tottenham às vésperas do Mundial de 2018.

Sardar Azmoun (Irã)

O Irã optou por uma transição de comando às portas da Copa do Mundo, mas a volta de Carlos Queiroz não representa uma mudança abrupta. A equipe apresentou virtudes de outros tempos, com uma defesa segura e um ataque vertical, para vencer o Uruguai e empatar com Senegal. O grande nome dos jogos foi Sardar Azmoun, e não apenas por motivos esportivos. Em meio aos protestos após a morte da jovem curda Mahsa Amini, o jogador do Bayer Leverkusen se manifestou nas redes sociais contra a repressão do estado e em prol dos direitos das mulheres. “Segundo as regras da seleção, somos proibidos de falar até o campo de treinamento terminar, mas não posso mais ficar quieto. Se for expulso da seleção nacional por isso, este sacrifício não vale nem um único fio de cabelo na cabeça de uma mulher iraniana. Vocês deveriam se envergonhar pela facilidade com que matam pessoas. Viva as mulheres do Irã!”, escreveu em suas redes sociais, antes de apagar. Titular contra os uruguaios, Azmoun começou no banco diante dos senegaleses. Marcou o gol de empate cinco minutos depois de entrar e optou por não comemorar.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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