A Conmebol anunciou a renovação do contrato de transmissão das suas competições com a Fox Sports até 2018. Os direitos de transmissão são mundiais, o que significa que qualquer outra emissora no mundo que queira transmitir o torneio precisa negociar com a Fox para cessão – como acontece atualmente com o Sportv no Brasil. A Globo, na TV aberta, já tinha contrato até 2018. Só que essa não é a notícia mais importante do acordo anunciado. Segundo comunicado da entidade que dirige o futebol da América do Sul, haverá licitação aberta e pública pelos direitos das suas competições a partir de 2019. E isso muda tudo no futebol sudaco.

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Ranking de clubes para cabeças de chave na Libertadores

Já sabíamos, pelos comunicados da própria Conmebol, que haveria um ranking de clubes para determinar os cabeças de chave para a Libertadores de 2016. O presidente Napout deu um pouco mais de detalhes sobre como isso irá funcionar. “Vamos ter um ranking de clubes. E os cabeças de chave da Libertadores de 2016 serão definidos de acordo com este ranking”, apontou o presidente da Conmebol.

“Temos trabalhado duro para fazer os torneios ainda mais emocionantes com o lançamento do ranking de clubes baseado em seu desempenho histórico e dos últimos 10 anos. Ao mesmo tempo, agora seremos capazes de dar maior valor aos clubes por sua participação”, disse ainda o presidente. Usar os resultados históricos dos times, mas sem ser eterno, é uma boa medida e tem que existir. O sorteio não pode ser aleatório, como já foi, ou político, como tem sido, colocando times dos centro mais fortes como cabeças de chave e revezando os campeões dos demais países.

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A renovação com a Fox

A renovação de contrato com a Fox tem um detalhe importante: o grupo abriu mão de um contrato que tinha entre 2019 e 2022. Não foi por bondade, claro: a Conmebol tinha os direitos negociados pela Traffic, com co-organização dos torneios pela Torneos y Competencias. As duas empresas de marketing esportivo estão diretamente envolvidas no esquema de fraude e lavagem de dinheiro descoberto pelo FBI, que levou diversos dirigentes sul-americanos à cadeia por pagamentos de propina e subornos.

Por isso, os contratos foram renegociados entre Conmebol e Fox, desta vez sem nenhum intermediário. Daí a Fox ter aberto mão de um contrato já assinado: quis limpar suas mãos de duas empresas que são suspeitas de irregularidades para conseguir estes contratos. É prudente, portanto, que a Fox, que é americana, não queria ver o seu nome envolvido na lama que arrastou tanta gente para a cadeia, incluindo os executivos mais importantes das duas empresas que atuavam como intermediárias, Alejandro Burzaco, da TyC, e José Hawilla, da Traffic. Os dois estão presos nos Estados Unidos. O segundo, inclusive, virou delator do esquema.

O novo contrato, assinado com a matriz Fox International Chanels, sediada nos Estados Unidos, “garante direitos exclusivos mundiais na transmissão em todas as suas plataformas dos dois campeonatos de futebol interclubes mais importantes da América Latina”, segundo comunicado da própria Fox. E que a Conmebol fez questão de ressaltar que não tem nenhum intermediário. O acordo vale não só para a Libertadores e a Sul-Americana, mas também para a Recopa. Como bônus, a Fox ainda receberá os direitos também da Libertadores sub-20, a Libertadores Feminina, a Libertadores de Futsal e a Libertadores de Beach Soccer, todos válidos até 2018.

Em comunicado divulgado e m seu site, a Conmebol afirmou que “a atual direção tem trabalho para estabelecer procedimentos e controles internos que garantam transparência e integridade em todas as operações” e que o acordo com a Fox “reflete o compromisso da Conmebol em melhorar a governança e a integridade institucional”. Ainda segundo o comunicado, a Conmebol receberá um valor maior para os torneios.

Em entrevista ao 90 Minutos de Fútbol, programa do Fox Sports da América Latina, o presidente da Conmebol, Juan Ángel Napout, comentou a decisão. “O acordo melhora os benefícios para os clubes. Em 2019 iremos fazer uma licitação internacional”, afirmou o dirigente. Este é o mais importante das declarações do dirigente. O acordo com a Fox irá até 2018, mas em 2019 a promessa é finalmente abrir concorrência pública. E isso tem potencial de potencializar os ganhos dos clubes com as competições sul-americanas.

Além de tudo que se falou, tem também um outro fator: um concorrente. Falamos em setembro sobre italiano que quer mudar o futebol das Américas, e acabar com a Libertadores que conhecemos. A ideia de uma Libertadores “estelar” formando uma espécia de liga de clubes não é muito diferente do que aconteceu nos anos 1990, na Europa, quando uma ameaça de liga estelar fez a Uefa remodelar a Champions League para dar mais vagas e, principalmente, mais dinheiro aos clubes. Agora, vemos algo parecido na América do Sul.

O que se pode tirar disso tudo é que em 2019 devemos ter uma briga de cachorros grandes pelos direitos de transmissão. Com uma licitação pública, há mais transparência e o público poderá acompanhar mais, o que deve levar a uma guerra de propostas pelos direitos. A consequência disso é um aumento significativo no valor dos direitos de transmissão da Libertadores, o que será benéfico aos clubes.

Essa perspectiva faz com que a Libertadores possa, finalmente, ter o valor que merece. Além da Fox, outros grupos de comunicação poderão entrar nessa batalha e a tendência é tornar o torneio mais forte – e ter também mais mudanças para uma melhoria, sem perder a identidade, o que é fundamental para a Libertadores ser tão incrível e única como é. Pena que será só em 2019. Mas é para animar. Ao menos um pouco.