Como se não estivesse ciente das condições em que o futebol espanhol seria retomado após a paralisação por causa da pandemia de coronavírus, e usando a confusão na segunda divisão como reforço, o Espanyol emitiu um comunicado defendendo que não houve igualdade de condições e que o rebaixamento nas competições organizadas por La Liga, ou seja, as duas primeiras divisões, tem que ser cancelado. Claro que isso beneficiaria o clube catalão, lanterna da última temporada do Campeonato Espanhol.

O Espanyol alegou que todos os clubes decidiram reiniciar as competições para garantir parte das receitas de televisão e “evitar uma situação econômica extrema que provocaria a quebra do setor e a perda de muitos empregos”. No entanto, meses depois, e tendo competido nesse contexto, “surgiram circunstâncias que impediram que a liga se desenvolvesse em igualdade de condições”.

Um dos exemplos citados foi o jogo adiado entre Deportivo La Coruña e Fuenlabrada, válido pela última rodada da segunda divisão, adiado por conta de casos positivos de coronavírus e álibi, com ou sem razão, de todo mundo que está insatisfeito com seu futuro. O La Coruña prometeu acionar a justiça comum porque se sentiu prejudicado, sem a chance de entrar em campo ao mesmo tempo que outros concorrentes. Até faz sentido, mas, com as vitórias de Albacete e Lugo, ele será rebaixado mesmo que vença o Fuenlabrada, em jogo remarcado  para a próxima quarta-feira.  Os playoffs do acesso serão a partir do dia 13.

A Federação Espanhola, no comando da terceira divisão para baixo, concordou com os galegos e pediu que a próxima segunda divisão fosse disputada com 24 equipes, o que também salvaria o Numancia. E se seria assim, por que não com 26 equipes para evitar também a queda de Racing de Santander e Extremadura, como ambos estão advogando a favor?

A grande questão é que essa confusão na segunda divisão não teve o menor efeito nos meros 25 pontos que o Espanyol somou em 38 rodadas do Campeonato Espanhol e parece estar sendo usada apenas como desculpa para que ela peça a anulação do rebaixamento em todas as divisões, incluindo a sua.

Os outros dois argumentos do clube até são razoáveis, mas eram conhecidos antes de “todos os clubes”, incluindo, portanto, o Espanyol, concordarem com o retorno do Campeonato Espanhol para evitar a tal “situação econômica extrema”: os jogos sem torcidas “que foram um grande prejuízo para todos os clubes, mas, em nosso caso, muito mais notável porque jogamos contra cinco rivais diretos na luta pela permanência” e o fato de que, como o Valencia, seu elenco teve casos confirmados de COVID-19 durante os meses de março e abril.

“Se é verdade que a competição foi completada, com exceção da Segunda Divisão, como apontamos, essas situações são irremediavelmente injustas em relação ao aspecto esportivo, já que no final da liga não houve competição nas mesmas condições de igualdade do que antes da suspensão”, disse, no comunicado.

“O impacto econômico da COVID-19 se estenderá à temporada 2020/21. Se a ele se somar o efeito econômico do rebaixamento, o castigo acumulado é devastador e injusto aos afetados”.

“O Espanyol entende que, diante de uma situação provocada por uma pandemia mundial, com a incerteza que segue existindo em devido às consequências de saúde e economia que isso implica, pode ser compreensível que se premie uma série de situações (campeão da liga, classificações para competições europeias, promoção), mas é inadmissível que se castigue ou penalize duplamente os mais prejudicados”.

“Por isso, tendo em conta todas as condições dadas desde o retorno à competição, e diante do que aconteceu, nos últimos dias, com vários clubes elevando sua voz pela injustiça e falta de soluções, o Espanyol defende a eliminação dos rebaixamentos nesta temporada em todas as competições tuteladas por La Liga, como aconteceu naquelas organizadas pela Federação Espanhola”, completou.

Em maio, a Federação Espanhola anunciou que não haveria rebaixamento nas competições não profissionais organizadas por ela.

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