Como um baile do Estrela Vermelha em Anfield transformou a história do Liverpool na Champions


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O Estrela Vermelha, com toda razão, costuma ser exaltado por sua conquista na Copa dos Campeões em 1991. No entanto, além do esquadrão que chegou ao topo do continente, é importante lembrar que os iugoslavos contaram com outros tantos times históricos que fizeram bonito no torneio, mesmo sem acabar com a taça. No final dos anos 1950 e no início dos anos 1980, por exemplo, os Crveni possuíam gerações magníficas. Mas, exceção feita à campeã, a mais emblemática assombrou a Europa em meados da década de 1970. Um time que encantava por seu estilo de jogo extremamente técnico e pelos passes apurados, ganhando contornos lendários após despachar o Liverpool em 1973/74. A eliminação contundente em Anfield passou a ser considerada como uma lição pelos Reds. A partir de então, os ingleses reinventaram seu futebol e se transformaram em gigantes continentais, dominando a Champions com quatro títulos entre 1977 e 1984.

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Talvez o maior sinal de reverência e gratidão ao Estrela Vermelha tenha sido oferecido pelo próprio site do Liverpool, em 2012. Diante da notícia da morte de Miljan Miljanic, treinador dos algozes iugoslavos, os Reds escreveram um forte texto em tributo: “O Estrela Vermelha atropelou os homens de Bill Shankly, cortando-os em pedaços enquanto os derrotou na Iugoslávia e em Anfield. Ganhou os dois jogos por 2 a 1, mas, mais do que isso, a sua forma meticulosa, controlada e incisiva de jogar futebol ofereceu uma lição aos Reds. Isso forçou o treinador, junto com a comissão técnica, a repensar a forma como a equipe encarava os adversários e levou o Liverpool a adaptar seu estilo de jogo, de maneira similar ao estilo praticado na Europa continental, o que levaria o clube a dominar as competições ao longo da década que se seguiu”.

 

A tradição do Estrela Vermelha, afinal, é algo que se forjou desde os primórdios do clube e pode ser considerada até mesmo anterior à sua fundação oficial. Os alvirrubros são herdeiros do Jugoslavija, surgido na década de 1910 e com fortes elementos ligados ao nacionalismo sérvio. Assim, a nova agremiação foi refundada em 1945, ligada ao exército iugoslavo. A proeminência permitiu que o clube de Belgrado logo se tornasse competitivo, figurando como uma das forças na recém-criada liga nacional. E não demoraria que a equipe passasse a brilhar na Copa dos Campeões.

A estreia do Estrela Vermelha na Champions aconteceu na segunda edição do torneio, durante a temporada de 1956/57. Prova de imponência, a equipe eliminou o Rapid JC (atual Roda JC) e CDNA Sofia (o CSKA) para alcançar a semifinal logo de cara. Todavia, o desafio seria bem maior contra a fortíssima Fiorentina, que acabou superando os iugoslavos e avançando à final contra o Real Madrid. Eram tempos áureos dos alvirrubros, que contavam com ídolos do porte de Vladimir Beara, Rajko Mitic e Dragoslav Sekuralac.

Bicampeão nacional, o Estrela Vermelha ainda faria papel digno na Champions 1957/58. Depois de superar Stade Dudelange e Norrköping, vendeu caro a eliminação nas quartas de final, contra o Manchester United. A derrota por 2 a 1 em Old Trafford se seguiu a um eletrizante empate por 3 a 3 em Belgrado, no qual os anfitriões buscaram a igualdade após ficarem em desvantagem de três gols. Na volta para casa, os Busby Babes sofreriam o trágico desastre aéreo durante a escala em Munique, no qual 21 pessoas faleceram, incluindo oito jogadores. De maneira diferente, os Crveni também sofreriam um certo declínio após a sequência de títulos nacionais no final da década de 1950, encarando o envelhecimento de seus craques e os problemas financeiros. As duas participações seguintes na Champions terminaram em eliminações precoces para Wolverhampton e Újpest.

O ressurgimento do Estrela Vermelha como uma força continental ocorreu no final da década de 1960, depois que o rival Partizan havia disputado a final da Champions em 1966, derrotado pelo Real Madrid. Uma nova geração surgiu, estrelada pelo habilidosíssimo Dragan Dzajic, considerado por muitos como o melhor jogador sérvio de todos os tempos. No entanto, a grande mente por trás do sucesso era o técnico Miljan Miljanic. Ex-atleta do clube na década de 1950, o treinador implementou uma revolução na maneira como os alvirrubros pensavam o jogo. Reconhecido por sua erudição, o comandante viajou a diferentes países para absorver conhecimento sobre os métodos de treinamento, incluindo o Brasil. Tinha um invejável arquivo com as informações compiladas em suas observações sobre adversários e outras equipes que assistia. Em 1966, por exemplo, viajou à Inglaterra e dormiu no carro para acompanhar in loco a Copa do Mundo.

“Miljanic tinha um desejo inacreditável pelo conhecimento e pelo amor ao futebol. Ele trabalhava 20 horas por dia, pensando apenas em futebol. Ensinando a si mesmo, ele também dava lições para nós, porque éramos seus alnos. Ele era excelente e metódico. Depois, ele se desenvolveu como um grande tático, mas o que foi realmente decisivo era sua fome por inovação e conhecimento”, avaliou o meio-campista Jovan Acimovic, ao livro ‘The Anatomy of Liverpool: A history in ten matches’. “Nossa ideia básica era manter a bola para evitar o perigo. Treinávamos para fazer triangulações e oferecer opções nos lados do campo. Atuávamos com calma, com muitos passes”.

À frente do Estrela Vermelha justamente a partir de 1966, Miljanic montou seu time do zero. Fez uma limpa no elenco e passou a apostar bastante nos jogadores da base. Não à toa, em oito anos ininterruptos à beira do campo, o treinador contratou um mísero reforço. E mais notáveis ainda eram as suas ideias, produzindo um jogo de muita movimentação e passes precisos. “É necessário que o jogador com a posse de bola se encontre na maioria das vezes com uma vasta opção de jogadas. Isso pode ser feito apenas quando todos os demais jogadores do time participam das fases ofensiva e defensiva”, analisava. Isso produzia uma dinâmica de jogo tremenda, que logo voltou a impulsionar os Crveni aos títulos nacionais e às grandes participações na Champions. Entre 1968 e 1970, asseguraram o tri no Campeonato Iugoslavo.

Em 1970/71, depois de algumas campanhas mais modestas na Copa dos Campeões, o Estrela Vermelha voltou a figurar na semifinal da competição continental. Eliminou Újpest, Arad e Carl Zeiss Jena, até encarar o Panathinaikos treinado por Ferenc Puskás. Diante de 100 mil torcedores no Marakana, o Estrela Vermelha goleou os gregos por 4 a 1. No entanto, os alviverdes conseguiram reverter a situação em Atenas, com o triunfo por 3 a 0. A ausência de jogadores importantes, inclusive Dzajic, foi capital para a derrocada dos iugoslavos. Depois de participações razoáveis na Recopa e na Copa da Uefa, os Crveni voltariam à Champions para a temporada 1973/74. O momento histórico em que ofereceram sua lição ao Liverpool de Bill Shankly.

Nas oitavas de final, o Estrela Vermelha se impôs sobre o Stal Mielec, com duas vitórias sobre os poloneses liderados por Grzegorz Lato. Já o confronto com o Liverpool aconteceu nas quartas de final. Os Reds possuíam a sua reputação continental. Embora não fossem recorrentes na Champions, haviam alcançado as semifinais em 1964/65, quando caíram apenas diante da Internazionale de Helenio Herrera. Além do mais, vinham do título inglês, bem como faturaram em 1973 a Copa da Uefa, seu primeiro título europeu, superando na final o timaço do Borussia Mönchengladbach. Muitos ídolos daquele período histórico já compunham o elenco em Anfield, incluindo Emlyn Hughes, Kevin Keegan, Ray Clemence e John Toshack. Seria um duelo entre grupos de qualidade.

A ida aconteceu em Belgrado, no dia 24 de outubro de 1973. O Marakana abarrotado viu o Estrela Vermelha se impor sobre o Liverpool, lamentando não ter construído uma diferença maior no placar. Os alvirrubros dominaram as ações com seu toque de bola preciso e paciente, dando o bote com rápidas progressões quando as brechas apareciam. Botaram os Reds na roda, com um futebol de movimentação que se inspirava na vanguarda da época, sobretudo pela admiração de Miljanic em relação a Rinus Michels.

Slobodan Jankovic abriu o placar no fim do primeiro tempo, a partir de uma jogadaça coletiva que contou com tabelas e dribles. Na conclusão, após um passe de calcanhar, o chute do bico da grande área foi na gaveta de Ray Clemence. Já na segunda etapa, Vladislav Bogicevic ampliou a diferença com um bonito arremate, aproveitando o erro de marcação dos adversários, após um lançamento nas costas da zaga. Chris Lawler ao menos descontou para os Reds na reta final da partida, num chute mascado em meio a bate-rebate na área. Alimentava as esperanças para o reencontro em Anfield, apesar de todos os pesares.

“Muitas das jogadas do Liverpool foram depressivamente sem imaginação, especialmente quanto comparadas às inteligentes e intuitivas habilidades do time adversário”, escreveu David Lacey, em relato para o Guardian. Já o técnico Bill Shankly ofereceu uma análise que, em partes, pode ser considerada arrogante. “Eles são um bom time, embora nossos torcedores talvez não pagassem para ver o tipo de futebol que eles jogam”, apontou, aludindo que a posse de bola praticada pelos iugoslavos não seria atrativa dentro do futebol de força e lançamentos diretos costumeiro na Inglaterra.

Pela vantagem no placar, o Liverpool até poderia esperar que o Estrela Vermelha se armasse com uma postura defensiva, para suportar a pressão dos anfitriões e da própria torcida em Anfield. Mas não era essa a mentalidade de Miljanic e de seus comandados. Por mais que os alvirrubros tenham se defendido muito bem, também saíram para o jogo e continuaram infernizando os Reds com suas trocas de passes. Mais uma vez, conquistaram uma emblemática vitória por 2 a 1, façanha gigantesca dentro do templo de Merseyside. Foi a única derrota que o Liverpool sofreu em Anfield por competições europeias ao longo do Século XX.

“Aquele foi um raro jogo no qual o treinador fez tudo absolutamente certo. As táticas eram perfeitas. Ficou claro que se fizéssemos um jogo aberto, nossas chances de bater o Liverpool não seriam muito grandes. Treinamos para evitar isso, mantendo a segurança primeiro. Em casa, jogamos como de costume, no 4-4-2 inspirado na Inglaterra campeã do mundo em 1966. Mas fora, aconteceram mudanças”, apontou Acimovic, declarando que a derrota para o Tottenham na edição anterior da Copa da Uefa serviu para moldar a mentalidade dos iugoslavos em Anfield.  “O Liverpool, aos nossos olhos, era algo grande. Nós éramos jovens, mas tínhamos experiência, então sabíamos como era duro encarar os jogos fora de casa. Logicamente conhecíamos a fama de Anfield e The Kop. Estávamos preparados. Um dos nossos principais objetivos era sobreviver aos primeiros 15 minutos. Os torcedores colocariam muita pressão no início”, complementou.

Slobodan Jankovic era uma peça importante, movimentando-se pela direita, enquanto Vojin Lazarevic servia de alvo no ataque. Vladislav Bogicevic, que se incumbia da armação e atuava atrás dos dois atacantes, foi recuado para combater John Toshack pelo alto. Já Kiril Dojcinovski faria a marcação individual sobre Kevin Keegan. A grande ausência era Dzajic, que inspirava respeito sobre os ingleses. O ponta esquerda havia anotado o gol que eliminou os Three Lions nas semifinais da Euro 1968, impulsionando a Iugoslávia ao vice-campeonato continental. A aposta em seu lugar atendia pelo nome Vladimir Petrovic, de apenas 18 anos. Apesar da juventude, o garoto acumulava duas temporadas na equipe principal, aclamado por sua habilidade invejável.

Quando a bola rolou em Anfield, em 6 de novembro de 1973, o Liverpool tentava aplicar o seu estilo de jogo mais direto e veloz. Até incomodava a defesa do Estrela Vermelha, mas os iugoslavos não renegavam os seus princípios e foram amplamente superiores na primeira etapa. A cadência prevalecia intacta, com a posse de bola privilegiada deixando a marcação inglesa zonza, entre tantos passes trocados. Primavam pelas triangulações entre defensores e meio-campistas, antes de serem mais incisivos nas proximidades da área adversária. Mais do que isso, a própria torcida nas arquibancadas em Anfield esfriou diante do controle dos visitantes e passou a fazer menos barulho. Assim, os visitantes administravam o seu resultado, embora o domínio não tenha se transformado em gols. Os alvirrubros criaram algumas boas chances, ameaçando o goleiro Ray Clemence, mas a falta de eficiência nas conclusões não alterou o placar.

Durante o segundo tempo, o Liverpool intensificou sua pressão, principalmente a partir das bolas alçadas na área. Os Crveni tinham mais dificuldades de sair com a bola e apelavam à ligação direta, mudando sua forma de atuar. Contudo, conseguiram abrir o placar aos 15 minutos. A partir de uma bola rifada pela zaga inglesa, encadearam uma boa troca de passes e Vojin Lazarevic acertou um chutaço na gaveta. Precisando de dois gols, os Reds martelaram. Viram a defesa do Estrela Vermelha salvando várias bolas em cima da linha, diante das saídas arriscadas do goleiro Ognjen Petrovic. O empate saiu apenas aos 39. A partir de uma bola levantada na intermediária, Toshack desviou de cabeça, antes de Chris Lawler dominar no peito e fuzilar no alto. A pá de cal, entretanto, se deu aos 45. Slobodan Jankovic cobrou falta com força e Ray Clemence ainda tocou na bola, mas não conseguiu rebater o petardo. A vitória, com todos os méritos, era iugoslava.

“Eles se mostraram como artistas que mereceram ricamente o prêmio. Foi a noite em que a tampa abafou uma panela fumegante. Foi basicamente o confronto entre o touro e o seu matador, que o toureou. Uma partida cheia de tudo, de criatividade, de drama e de coragem, que nos manteve na ponta de nossas cadeiras até o último momento, quando o Estrela Vermelha resolveu a história”, escreveu Geoffrey Green, em seu artigo no The Times. Apesar do sufoco na reta final do duelo, os Crveni foram claramente melhores. O reconhecimento maior aconteceu na saída de campo, quando os torcedores ingleses aplaudiram os jogadores adversários – desmentindo a teoria de Shankly, sobre o estilo que não seria apreciado.

No dia seguinte, a derrota provocou uma reunião da comissão técnica do Liverpool no lendário Boot Room – a acanhada sala onde se guardavam os equipamentos, mas também os treinadores discutiam os rumos da equipe. Por lá, Shankly chegou à conclusão que, mesmo sem ter um preparo físico tão bom quanto o dos ingleses, os iugoslavos dominaram o jogo a partir da bola nos pés. Os Reds precisavam aprimorar sua saída de bola, com os defensores primando no passe e no apoio, não apenas desferindo chutões. Os jogadores mais recuados precisavam ser tão criativos quanto destrutivos, iniciando os movimentos da equipe. A teoria foi corroborada por seu então assistente e futuro sucessor, Bob Paisley. Este seria o norte dos Reds a partir de então, principalmente em suas campanhas continentais.

“Os europeus nos mostraram que construir a partir da defesa é a única maneira de jogar. Quando eles atuam atrás, formam pequenas triangulações. O padrão do adversário muda a partir da forma como eles o moldam. Isso deixa espaço para jogadores aparecerem ao passe final. Então, isso é como o gato e o rato, esperando por alguma abertura antes que a chance aconteça. É simples e eficaz. Começou na Europa continental e adaptamos isso ao nosso jogo no Liverpool, onde nosso sistema sempre foi coletivo. Quando Thompson foi recuado, isso se tornou mais fluido e não tão fácil de identificar. Definiu o padrão. Percebemos que você não pode marcar um gol a cada vez que pega a bola. Aprendemos isso na Champions”, analisaria posteriormente Shankly, em declaração republicada pelo site do Liverpool.

A renovação da equipe foi gradual. No entanto, logo na sequência da temporada, Shankly já começou a realinhar suas peças. Uma das principais novidades na equipe foi a mudança de posição de Phil Thompson, meio-campista que recuou para o miolo de zaga e passou a formar uma dupla bastante técnica com o capitão Emlyn Hughes.  “Naquela época, o Estrela Vermelha era uma das equipes mais emblemáticas do futebol europeu. Os jogadores deles atuavam de uma maneira muito confortável com a posse de bola e isso abriu os olhos de Shankly. Ele mudou a forma como jogávamos. Ao longo da temporada, passei a jogar de Emlyn. Nós éramos dois meio-campistas atuando atrás, mas ler o jogo era uma de nossas maiores virtudes. Ray Clemence era muito bom com os pés e mudava o jogo”, declarou o defensor Phil Thompson, em entrevista recente ao Liverpool Echo.

Este futebol de passes apurados foi aplicado por Shankly, mas não por tanto tempo. Ao final da temporada de 1973/74, o treinador deixou o comando do Liverpool. A derrota em casa para o Estrela Vermelha foi seu último jogo na Copa dos Campeões, uma inegável ambição em sua carreira que ele nunca alcançaria. Bob Paisley assumiu o cargo a partir do verão de 1974 e aprimorou a mentalidade, algo evidente nos nove anos em que dirigiu os Reds.

“Percebemos que não adiantava recuperar a bola se você não conseguia avançar ao ataque. Os melhores times europeus nos mostraram como sair da defesa de maneira eficaz. O ritmo em seu movimento era ditado pelo primeiro passe. Foi difícil aprender como ser paciente e pensar nos próximos dois ou três movimentos quando tomamos a bola”, avaliava Paisley, em citação presente no site do Liverpool. Com um futebol mais técnico, o comandante liderou os ingleses a faturar a Copa da Uefa em 1976, emendando depois o bicampeonato da Champions em 1977 e 1978, além da reconquista em 1981. Seu substituto, Joe Fagan, outro homem que frequentava o Boot Room, faturou a quarta taça da Copa dos Campeões em 1984.

Curiosamente, o Estrela Vermelha não teve vida tão longa naquela Champions de 1973/74. A equipe encarou um Atlético de Madrid renomado nas quartas de final e terminou eliminada com a derrota por 2 a 0 na Iugoslávia, antes do empate por 0 a 0 na Espanha. Aquela também foi a última temporada de Miljanic à frente dos Crveni. Após dirigir a seleção de seu país na Copa de 1974, ele foi contratado pelo Real Madrid. Por ironia do destino, o treinador encararia o Estrela Vermelha justamente nas quartas de final da Recopa Europeia de 1974/75. Optou por não viajar ao jogo de volta, em Belgrado, declarando que não poderia “trair seu coração” e convidou jornalistas para assistir ao duelo com ele em sua casa. Os iugoslavos devolveram a derrota por 2 a 0, sofrida no Bernabéu, e asseguraram a classificação às semifinais nos pênaltis. Miljanic compensaria a torcida merengue com dois títulos espanhóis, além de um na Copa do Rei. Deixou o clube em 1977 e, depois, dirigiu novamente a Iugoslávia em um Mundial, o de 1982.

O Estrela Vermelha, por sua vez, voltaria a fazer boas campanhas na Champions a partir dos anos 1980. Foram quadrifinalistas em 1981, 1982 e 1987, além de darem trabalho ao poderoso Milan nas oitavas em 1989. A preparação até a grande consagração com o título em 1991. No retorno à competição continental nesta temporada, é essa a aura que se resgata. A história imensa de quem ergueu a taça e ajudou a forjar um gigante europeu como o Liverpool.


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