A Uefa demorou um bocado, mas revelou o nome de sua nova competição europeia de clubes. E, bem, a criatividade foi pior que o esperado para a preliminarmente chamada “Liga Europa II”. O terceiro nível das copas continentais se chamará oficialmente “Uefa Europa Conference League”. Alcunha pouquíssimo atrativa a um torneio que deverá enfrentar mais dificuldades de se viabilizar comercialmente. O certame, que começa a partir de 2021, terá suas partidas realizadas às quintas-feiras – nos mesmos dias que a Liga Europa.

O anúncio da Conference League foi apenas uma das decisões da Uefa, no pacote de novidades referendadas pelo Comitê Executivo da entidade, que se encontrou na Eslovênia. A mais importante se refere à Liga das Nações, que passará por uma mudança tamanho – e, no que tomou ares de tapetão, salvará a Alemanha e os demais rebaixados. A partir de agora, as duas primeiras divisões contarão com quatro grupos de quatro equipes, não mais de três. Já a Liga D será formada apenas por sete nanicos. A reclassificação tomará como base o ranking gerado pela edição inicial do torneio internacional.

Segundo a Uefa, as 55 federações foram consultadas e aprovaram a transformação. O reflexo principal, além de impactar nos rebaixamentos ocorridos na última campanha, é diminuir o número de amistosos disponíveis às principais seleções. Agora, a fase de grupos da Liga das Nações ocupará seis datas, e não mais quatro. O sucesso da competição determina uma mudança que, comercialmente, é bem-vinda à Uefa. Já o modelo da competição, com acessos e descensos, bem como com um “Final Four” aos campeões da Liga A, não foi alterado.

As divisões da Liga das Nações em 2020/21

Liga A: Portugal, Holanda, Inglaterra, Suíça Bélgica, França, Espanha, Itália, Croácia, Polônia, Alemanha, Islândia, Bósnia, Ucrânia, Dinamarca, Suécia
Liga B: Rússia, Áustria, Gales, República Tcheca, Eslováquia, Turquia, Irlanda, Irlanda do Norte, Escócia, Noruega, Sérvia, Finlândia, Bulgária, Israel, Hungria, Romênia
Liga C: Grécia, Albânia, Montenegro, Chipre, Estônia, Eslovênia, Lituânia, Geórgia, Macedônia do Norte, Kosovo, Belarus, Luxemburgo, Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Moldávia
Liga D: Gibraltar, Ilhas Faroe, Letônia, Liechtenstein, Andorra, Malta, San Marino

A Uefa também anunciou os estádios das finais da Champions League em seu próximo ciclo. Em 2021, a decisão ocorrerá em São Petersburgo. Irá para a Allianz Arena no ano seguinte, enquanto retorna a Wembley em 2023. A decisão de 2020 já estava definida em Istambul. A final da Liga Europa em 2021 ficou marcada para o Estádio Ramón Sánchez-Pizjuán, em Sevilla. No mesmo ano, a Supercopa Europeia acontecerá em Belfast.

Outra boa notícia se refere aos preços dos ingressos. A partir de agora, existirá um teto nos valores praticados a torcidas visitantes na Champions League. A medida reage aos preços exorbitantes de entradas cobradas por alguns clubes, que geraram amplos protestos nas últimas temporadas. Os times poderão cobrar no máximo €70 na Champions. A Liga Europa também possuirá um sarrafo parecido, estabelecido em €45.

Além disso, há uma série de outras questões interessantes sobre as quais a Uefa bateu o martelo. O VAR será introduzido nos mata-matas da Liga Europa, da Champions Feminina e na fase final da Eurocopa Feminina; a Uefa vai estudar o lançamento de uma agência europeia independente para investigar manipulações de resultados; e a entidade determinou que suas federações-membro não realizem jogos em países onde as mulheres não têm acesso livre aos estádios.

Já quanto à criação de uma Superliga Europeia, não há nenhuma postura muito conclusiva. Foi tema de discussão, mas não de um repúdio incisivo. “O comitê debateu um relatório que estudou o impacto das receitas geradas pelas cinco principais Ligas, em relação aos outros 50 países da Europa, no que toca ao equilíbrio competitivo. O relatório demonstra que, na ausência de pagamentos de solidariedade aos 50 mercados de menor dimensão, o dinheiro gerado pelas cinco principais Ligas é um dos principais fatores para a diminuição do equilíbrio competitivo em toda a Europa”, escreveu a entidade em seu site. Mas nenhuma ação, por enquanto.