Nos Estados Unidos futebol também é coisa de mulher. Aliás, na América, o esporte mais popular do mundo durante muito tempo foi jogado mais pelas meninas do que pelos meninos (não tenho dados científicos sobre o assunto, mas acredito que atualmente a situação já está mais equilibrada).

Não importa quem jogue mais, mas o fato é que o futebol é bastante popular entre as mulheres nos Estados Unidos, ao contrário de alguns países da América Latina e da Europa, onde ainda soa estranho mulheres jogando bola. E, na Copa do Mundo de Futebol Feminino que começa no próximo dia 10 de setembro na China, a seleção norte-americana tentará manter seu domínio no esporte.

Desde a primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino disputada também na China em 1991, as norte-americanas ganharam 2 das 4 competições (1991 e 1999), chegando em terceiro lugar nas demais. Ou seja, em todas as Copas do Mundo de Futebol Feminino até hoje jogadas, as americanas sempre estiveram entre as 3 melhores colocadas.

A seleção norte-americana está em primeiro lugar no ranking da FIFA e foi a primeira equipe de futebol feminino formada exclusivamente por jogadoras profissionais. Além das 2 Copas do Mundo mencionadas, as norte-americanas venceram duas Olimpíadas (1996 e 2004) e 5 Copas Algarve (2000, 2003, 2004, 2005 e 2007) – maior torneio de futebol feminino, junto com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, realizado anualmente em Algarve, Portugal.

Por isso, algumas ex-jogadoras são reverenciadas como verdadeiras estrelas do mundo esportivo norte-americano, sendo mais famosas até do que ex-jogadores da seleção masculina de futebol. A jogadora mais famosa é a atacante Mia Hamm, que faz parte do Hall da Fama do futebol norte-americano, é a recordista com o maior número de gols em partidas internacionais por uma seleção, foi duas vezes eleita a melhor jogadora do mundo pela FIFA (2001 e 2002) e faz parte da lista dos 125 maiores jogadores de futebol vivos (preparada pelo Rei Pelé para o centenário da FIFA).

Outra famosa ex-jogadora é Michelle Akers que, assim como Mia Hamm, faz parte do Hall da Fama do futebol dos Estados Unidos e da lista dos 125 maiores jogadores de futebol vivos (Michelle e Mia são as únicas mulheres a figurarem nessa lista).

E as jogadoras atuais não ficam para trás em competência ou reconhecimento. Jogando com suas novas camisas douradas, o atual plantel norte-americano tem tudo para manter a hegemonia do país no futebol feminino. Dentre os principais destaques temos a capitã da equipe, a meio-campista Kristine Lilly, que já defendeu a seleção norte-americana mais de 320 vezes, e a artilheira da equipe, Abby Wambach, que é considerada a melhor atacante surgida depois de Mia Hamm.

Vale a pena mencionar, ainda, a goleira Briana Scurry, as defensoras Christie Rampone, Cat Whitehill e Kate Markgraf, as meio-campistas Carli Lloyd e Leslie Osborne, e as atacantes Lindsay Tarpley e Natasha Kai. Outro destaque é o técnico Greg Ryan que, desde que assumiu a equipe em 2005, não sofreu nenhuma derrota no tempo regulamentar. Já são mais de 2 anos e mais de 40 partidas invictas (na final dos Jogos Panamericanos, os Estados Unidos jogaram com seu time sub-20, e não com a equipe principal).

A Copa

Assim como a Copa do Mundo de Futebol Masculino, a Copa do Mundo feminina é realizada de 4 em 4 anos. Disputada por 16 seleções divididas em 4 grupos, o formato é semelhante ao da Copa do Mundo masculina, onde as 2 melhores seleções de cada grupo avançam para as quartas-de-final, e a partir daí as vencedoras continuam até a final, este ano prevista para o dia 30 de setembro.

Os Estados Unidos estão no Grupo B e estréiam no próximo dia 11 de setembro contra a Coréia do Norte. Nigéria e Suécia também fazem parte deste grupo.

Mesmo ainda longe de receber grande atenção por parte da mídia e do público, que parece que só se lembra que esse esporte existe na época de grandes competições, o futebol feminino tem apresentado evolução a cada ano. As jogadoras cada vez mais melhoram na parte técnica e com isso os jogos têm sido cada vez mais interessantes e agradáveis de assistir.

Algumas pessoas até já prevêem o dia em que teremos equipes mistas, com mulheres jogando de igual para igual ao lado dos homens (ou contra). Na parte técnica, acredito que isso até já seria possível. Na parte física, no entanto, pelas características do esporte e pelas diferenças naturais entre homens e mulheres, isso talvez impeça um jogo de igual para igual. O que não é uma coisa ruim e, dependendo do ponto de vista, até uma vantagem do futebol feminino.

SHOOTOUTS

– O Brasil também disputará a Copa do Mundo de Futebol Feminino. A seleção brasileira, atual campeã panamericana, está no Grupo D e estréia no dia 12 de setembro contra a Nova Zelândia. Também estão no Grupo D a Dinamarca e a anfitriã China.

– Os outros grupos são:
Grupo A: Alemanha, Argentina, Inglaterra e Japão.
Grupo C: Austrália, Gana, Canadá e Noruega.

– Noruega e Alemanha são as duas outras seleções campeãs mundiais em 1995 e 2003, respectivamente.

– A melhor colocação da seleção brasileira em uma Copa do Mundo de Futebol Feminino foi um terceiro lugar em 1999, com uma vitória de 5×4 nos pênaltis sobre a Noruega.

– Aliás, a Copa do Mundo de 1999 teve dois momentos marcantes da história do futebol feminino, ambos na final entre Estados Unidos e China.

– Primeiro, o jogo final, disputado no Rose Bowl na Califórnia (mesmo local da final da Copa do Mundo masculina de 1994), recebeu o maior público já presente em um evento esportivo feminino, com 90.185 espectadores.

– O outro momento foi ao final da disputa de pênaltis. Após o gol decisivo que deu o título às americanas sobre as chinesas na decisão dos penais, a defensora norte-americana Brandi Chastain tirou a camisa e saiu girando-a no ar (como fazem muitos jogadores homens), exibindo seu corpo definido e o sutiã esportivo geralmente usado pelas mulheres nos esportes, mas que até então nunca havia sido mostrado em público.