O Projeto Big Picture, proposto no domingo (11) por Liverpool e Manchester United, foi rejeitado de maneira unânime em uma reunião com os 20 clubes da Premier League nesta quarta-feira (14), segundo comunicado oficial da competição.

Com alguns pontos controversos, em especial um que daria aos maiores clubes da Inglaterra um poder desproporcional na tomada de decisões referentes à liga, a proposta trazia também ofertas de resgate financeiro aos clubes de divisões inferiores da Inglaterra, e neste ponto os acionistas concordaram que algo precisaria ser feito.

Os clubes concordaram em trabalhar em conjunto para encontrar uma solução para “financiar o futebol inglês”. Foi decidido um resgate inicial de £ 50 milhões aos clubes da League One e da League Two, terceira e quarta divisão inglesas, respectivamente, para evitar que eles sejam forçados a fechar suas portas devido à crise financeira decorrente do Coronavírus.

O resgate consistirá de doações aos clubes e empréstimos sem juros. Esses £ 50 milhões se juntam a £ 27,2 milhões que já foram repassados à League One e à League Two, totalizando £ 77,2 milhões.

“Os clubes da League One e da League Two dependem mais das receitas de dias de jogo e têm menos recursos à sua disposição do que os clubes da Championship (segunda divisão) e da Premier League e, portanto, estão sob mais risco, especialmente em um momento em que os torcedores estão impossibilitados de frequentarem partidas”, dizia parte do comunicado da Premier League.

A liga informou ainda que manterá discussões com a English Football League (responsável por Championship, League One e League Two) para se chegar a um acordo de resgate também aos clubes da Championship.

Embora a proposta de Liverpool e United tenha sido rejeitada, ela parece ter inaugurado uma conversa para mudanças futuras na Premier League. A liga afirma que os clubes irão trabalhar de forma colaborativa, em um processo “aberto e transparente”, para discutir a estrutura, o calendário, a sustentabilidade financeira e a governança da competição. Essas conversas deverão ter participação de “torcedores, governos e, é claro, da EFL”.

A revelação do Projeto Big Picture foi feita no domingo. Veio à luz a informação de que os proprietários de Liverpool e Manchester United vinham trabalhando na proposta há três anos, e a forma secreta como isso foi conduzido incomodou figuras da Premier League, da FA, do governo e de clubes da primeira divisão inglesa. Daí, é possível entender o foco dado pela Premier League ao “processo aberto e transparente” daqui pra frente.

Do jeito que havia sido feito, era muito improvável que o Projeto Big Picture fosse aceito. Tratava-se basicamente de uma compra de apoio dos atores envolvidos para entregar um poder significativo aos principais clubes do país, o Big Six, formado por Arsenal, Chelsea, Liverpool, Manchester City, Manchester United e Tottenham.

A proposta apresentava uma mudança no sistema de votação da Premier League. Atualmente, todos os clubes da primeira divisão têm direito a um voto com peso. No Projeto Big Picture, apenas nove clubes teriam direito a votos: o Big Six, mais três clubes com maior frequência de participação na elite inglesa. Para aprovar mudanças, seriam necessários dois terços do voto. Ou seja, qualquer vontade do Big Six como bloco passaria pelas votações.

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