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Wladimir Mattos, candidato à presidência do Santos, quer ‘tornar a marca Meninos da Vila como a melhor do Brasil’

Representante da Chapa 2 nas eleições do Santos, Wladimir Mattos tem como objetivo fortalecer as categorias de base do clube

Nesta terça-feira (5), a Trivela dá continuidade à série de entrevistas com os cinco candidatos à presidência do Santos. A eleição para comandar o próximo triênio alvinegro ocorrerá no próximo sábado (9), na Vila Belmiro. O segundo entrevistado é o administrador de empresas Wladimir Mattos, que tem o advogado Márcio Quixadá como vice-presidente, e lidera a Chapa 2 do pleito. Nesta segunda-feira (4), Ricardo Agostinho revelou suas propostas. As entrevistas com os outros três candidatos serão publicadas no site entre quarta-feira (6) e sexta-feira (8).

O Santos vive um dos piores momentos da sua história com seguidas brigas contra o rebaixamento. Por que o senhor entende que está pronto para administrar o clube nesse momento?
O Santos precisa ser presidido por alguém com experiência em gestão de empresas e, principalmente, no futebol. Eu tenho essas competências, atuando como empresário no setor portuário há mais de 30 anos e, no futebol, ainda que em clubes menores, mas que me serviram de base para conhecer e transitar no mundo do futebol. Será preciso eliminar do clube um modelo de administração, sem racionalidade, insustentável, que caminha de lado e que é incapaz de lidar com os desafios atuais, algo não oferecido pelos demais candidatos.

Qual é a sua principal prioridade como presidente, caso seja eleito?
Sem dúvida nenhuma, recuperar o futebol. O torcedor e o associado precisam perceber que a melhoria está acontecendo. Simultaneamente e, ainda que possam parecer imperceptíveis aos olhos da arquibancada, implementar as mudanças estruturantes necessárias e que contraponham um modelo autocrático que nos levou ao atoleiro que nos encontramos.

A construção da nova Vila é o sonho do torcedor santista. Como o senhor pensa em agilizar o processo para o início das obras?
A Arena é um dos pilares de sustentação de um projeto esportivo forte. Assim que assumir a presidência, quero me reunir com a WTorre para entender a situação financeira da empresa, o custo da obra e as cláusulas que estão sendo negociadas. Mas a negociação prosseguirá com responsabilidade e senso de urgência, sem perder de vista os interesses do clube, associados e torcedores. Não vejo neste momento nenhuma possibilidade de construção em outro local que não seja a Vila Belmiro.

Qual será a postura do Santos no mercado em busca de reforços, caso o senhor seja eleito? O que será feito para que o planejamento visando a temporada 2024 não fique prejudicado em razão da mudança de presidente?
O mandato começa no dia seguinte da eleição. Sabemos das limitações financeiras, mas temos pressa para reforçar o elenco. A estratégia é adotar uma postura assertiva e pontual, reforçar o elenco em posições que estamos carentes e que elas cheguem para resolver. Temos certeza que o atual coordenador técnico já tem em mãos mapeados alguns nomes para reforçar a equipe em 2024.

Se eleito, o senhor irá manter a atual comissão técnica do elenco profissional ou está decidido a contratar um novo treinador? O coordenador de futebol Alexandre Gallo dará continuidade ao trabalho que vem sendo feito?
Nossa prioridade será construir um Modelo Esportivo para todas as categorias, da base ao profissional, que garantam melhor desempenho, contratações mais assertivas e elencos com custos controlados, que sirvam para todos os profissionais que lá estão e os que estão por chegar. Se houver afinidade com esse tipo de trabalho, com essa filosofia, o jogo propositivo e de habilidade, não vejo problemas em continuar.

A diferença do Santos para os principais rivais de São Paulo em termos de arrecadação com bilheteria é muito grande. O que fazer para melhorar esse cenário?
Não há como negar a importância de se voltar a jogar em São Paulo em função da limitação atual da capacidade da Vila Belmiro. O Pacaembu é o nosso desejo de consumo no curto prazo e também durante a construção da nova Arena. Precisamos também revisitar o estudo feito para usarmos na Vila Belmiro as cadeiras daqueles que não as usam nos dias de jogos.

Qual o futuro do departamento de futebol feminino? O senhor seguirá com Aline Xavier na coordenação do futebol feminino, uma vez que o departamento acumula polêmicas envolvendo até casos de abuso psicológico?
Não posso fazer qualquer julgamento sobre o trabalho da Aline sem antes conversar com todos os envolvidos. De qualquer forma, o futebol feminino será tratado com o respeito e carinho que merece. Elas precisam de uma estrutura melhor para treinamentos e jogos. Precisamos pensar em trazer nossa base para perto de nós, oferecer condições mínimas de moradia, atendimento médico, assistencial, educacional. Enfim, precisamos devolver o protagonismo que já existiu no clube em relação ao futebol feminino.

Recentemente o Santos apresentou um projeto para a construção de um novo Centro de Treinamento para os Meninos da Vila em Praia Grande. Qual a sua opinião sobre o assunto?
Nosso objetivo é tornar a marca Meninos da Vila reconhecida como a melhor do Brasil. Nesse processo estão inseridos a construção do Centro de Treinamento, o aumento da base da pirâmide na captação e, principalmente, o investimento nas melhorias do processo de formação. Vamos retomar o diálogo com o grupo Peralta, proprietário daquela área e de muitas outras. Temos outras cidades dispostas a receber o Centro de Treinamento para a Base do Santos, mas não podemos permitir que esse assunto se prolongue mais que o necessário.

Qual a sua avaliação sobre as categorias de base do Santos e o que pretende fazer para melhorá-la? A base das Sereias, por exemplo, sempre foi referência, mas passa por uma fase de poucos investimentos. Cuidar das Sereinhas também será uma prioridade?
Nós pretendemos dar continuidade ao que foi feito de bom. Nesse processo, além da construção do Centro de treinamento, temos como objetivo o aumento da base da pirâmide na captação (futsal, escolas oficiais, projetos sociais, centros avançados de captação, etc.) e, principalmente, o investimento nas melhorias do processo de formação. Precisamos expandir nossa base de observadores pelo Brasil, melhorar nosso relacionamento com outros clubes formadores, especialmente no Estado de São Paulo. O mesmo será aplicado ao futebol feminino, além de tudo que foi dito aqui, precisamos pensar em trazer nossa base para perto de nós, oferecer condições mínimas de moradia, atendimento médico, assistencial e educacional.

O tema SAF divide muitas opiniões entre os torcedores do Santos. Está nos seus planos transformar o clube em SAF?
Sabemos que em um ente associativo, o crescimento orgânico das receitas se dá de forma lenta, por isso a SAF precisará se tornar realidade no Santos, mas no momento certo. Ela irá gerar os investimentos necessários que irão garantir, não apenas a formação, mas, também, a manutenção de uma equipe de futebol relevante no futebol nacional. Mas não podemos fazer a coisa errada e entregar o futebol nas mãos erradas. Queremos um parceiro que reconheça a relevância institucional de se associar ao Santos, não alguém que queira apenas o retorno financeiro com vendas de jogadores. O clube precisa estar fortalecido e não fragilizado como agora. Por isso, nosso foco inicial estará voltado para a implantação de uma gestão profissional que garanta desempenho esportivo, a construção da Arena, tire do papel o Centro de Treinamento para a base e, finalmente, a reestruturação do programa Sócio-Rei.

Foto de Bruno Lima

Bruno Lima

Bruno Lima nasceu em Santos (SP) e se formou em Jornalismo na Universidade Católica de Santos (UniSantos) em 2010. Antes de escrever para Trivela, passou por A Tribuna
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