Brasil

Clássico caótico termina com virada histórica do Vitória sobre o Bahia no Barradão

Aos 54 minutos do segundo tempo, Vitória fez o terceiro para confirmar virada no Bahia

Há uma frase no futebol europeu muito conhecida “90 minutos no Santiago Bernabéu são muito longos”. Talvez um paralelo como esse possa ser trazido a região Nordeste no Brasil, mais especificamente no Barradão, onde o Vitória, com uma torcida apaixonada, buscou mais uma vez o resultado após sair atrás no placar neste domingo (31).

Pela ida da final do Campeonato Baiano, o Bahia abriu 2 a 0 aos 19 do segundo tempo e parecia que não deixaria a vitória escapar. Só parecia, porque Matheus Gonçalves e Iury Castillo, dupla do Vitória vinda do banco de reservas, viraram o jogo e confirmaram mais uma vitória rubro-negra no Ba-Vi em 2024, agora por 3 a 2.

Como o Vitória virou o clássico

No primeiro gol, o Leão mostrou paciência para em uma longa posse diminuir a vantagem. Pela direita, Zeca acionou Matheusinho, que bateu colocado já dentro da área, a bola desviou e virou uma assistência para Gonçalves cravar. Aos 44, Iury Castillo, outro que saiu do banco, recebeu lançamento na área, cortou a marcação e bateu colocado, para grande defesa de Marcos Felipe. No rebote, estava lá ele de novo, Matheus Gonçalves, o mesmo que foi expulso no BaVi da Copa do Nordeste, vencido pelo Bahia. Dessa vez, ele foi herói, e não vilão, e confirmou o empate. Os mais de 30 mil rubro-negros ainda veriam mais história, quando Zeca cruzou e Iury mandou uma bomba para marcar o terceiro.

Hoje, o Vitória mereceu mais. Teve a bola, quis jogar mais. Fora de casa, o Bahia apostou no erro do adversário. A estratégia funcionou especialmente nos primeiros 19 minutos do segundo tempo. O primeiro gol tricolor precisou de apenas 25 segundos do segundo tempo. Willian Oliveira errou logo depois da saída de bola, o time de Rogério Ceni foi vertical e finalizou a jogada com Thaciano, novamente como centroavante com a lesão de Everaldo. Pouco depois, em outro contra-ataque, uma bonita jogada começou na direita, veio para esquerda, onde Luciano Juba levantou na área e Cauly, que já tinha dado a assistência do primeiro gol, cravou na pequena área.

A partida de volta da final do Baianão, agora com vantagem de um gol do lado rubro-negro, acontece já no próximo domingo (7), na Arena Fonte Nova.

Bahia e Vitória têm chances no 1º tempo, mas desperdiçam

Uma forma de resumir o primeiro tempo é descrevendo as duas grandes chances desses 45 minutos. O Vitória, empurrado pelo torcedor, começou melhor, com mais posse e mais intenso para roubá-la do pé rival. Só que de forma limpa e pelo chão não conseguiu furar o bloqueio tricolor. Na verdade, para ter a melhor oportunidade, precisou que, após lançamento, Marcos Felipe saísse do gol e errasse a reposição. Sobrou perfeitamente para Alejandro, o artilheiro do Baianão, que de fora da área e com a meta adversária aberta chutou para fora.

O Bahia não foi bem no jogo. Teve dificuldades para sair jogando, pouco conseguiu aproximar Everton Ribeiro e Cauly, seus jogadores mais técnicos, e só teve leve melhora a partir de 30 minutos. Com isso, só exigiu de Arcanjo em tentativas de longe, como no cruzamento de Luciano Juba que virou um chute e teve que contar com a intervenção do arqueiro do Nego ou em finalização colocada de Jean Lucas, facilmente encaixada. No último minuto dos acréscimos, o Leão precisou contar com a sorte. Após um escanteio cobrado pela esquerda ir para o outro lado da área, Caio Alexandre levantou na segunda trave, onde Rezende escorou com o peito para pequena área e Thaciano cabeceou. Arcanjo já tinha ficado pelo caminho, só não contava que Wagner Leonardo aparecesse para tirar em cima da linha.

Coragem de Léo Condé foi recompensada

Como citado, o início do segundo tempo do Rubro-Negro foi para esquecer. Erros individuais pesaram, e a derrota parecia eminente. Só não foi, além do mérito dos jogadores, pela coragem do técnico Léo Condé, que colocou o time praticamente no 4-2-4 para buscar a igualdade no placar. Os três gols dos dois jogadores que vieram do banco explicam como funcionou o abafa do Leão na etapa final, graças ao mesmo treinador que os levou de volta à primeira divisão do Brasil com título da Série B.

Rogério Ceni, por outro lado…

Se Condé foi muito bem nas trocas, o técnico do Bahia foi contestado pelas mudanças. Rogério Ceni, que escalou uma linha de quatro inicialmente com Rezende de lateral-esquerdo, colocou três zagueiros com o placar em 2 a 1. O adversário, que já estava em cima, pressionou ainda mais até efetuar a virada.

Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius é nascido e criado em São Paulo e jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Escreveu sobre futebol nacional e internacional no Yahoo e na Premier League Brasil, além de eSports no The Clutch. Além disso, atuou como assessor de imprensa no setor público e privado.
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