Brasil

O craque Everton Ribeiro chega para inaugurar nova era no Bahia

Bahia adotou a frase "pensar grande é pensar fora do eixo" no anúncio de Everton Ribeiro - um recado aos gigantes brasileiros

Não faltaram interessados no meia Everton Ribeiro nessa janela de transferências. O Flamengo tentava uma renovação de uma temporada, Internacional e Cruzeiro cogitaram o craque, mas, no fim, quem levou foi o Bahia, fechando contrato até o fim de 2025 e salário, segundo imprensa nacional, acima de um milhão por mês. Desde que passou o controle do futebol para Grupo City no ano passado, essa é, de longe, a contratação mais pesada do “novo” Tricolor Baiano. ER vestirá a camisa 10, cedida pelo jovem atacante Biel, e se reúne com o grupo de jogadores a partir desta segunda-feira (8), um dia antes do clube viajar para Inglaterra e realizar a pré-temporada nas instalações do Manchester City.

– A minha ambição é do tamanho do Bahia, é olhar para cima realmente. Mostrar que o Bahia veio para se encaixar na parte de cima da tabela, brigar por coisas grandes, é um time bicampeão nacional. Temos que ter isso em mente. É pensar grande, em surpreender e mostrar que o Bahia vem forte – exaltou Everton, na coletiva de apresentação neste domingo (7).

“Pensar grande é pensar fora do eixo [Rio-São Paulo]”, foi o lema adotado pelo clube para anunciar a chegada do supervencedor Everton, como um recado aos gigantes interessados pelo jogador. Na última década, talvez apenas Dudu, no Palmeiras, tenha entregado tanto quanto ER no futebol brasileiro. Foi bicampeão do Brasileirão pelo Cruzeiro, repetiu a dose no Flamengo, além de levar mais duas Libertadores, uma Copa do Brasil e outras taças. Em quase todas, como peça essencial, o meia pela direita com qualidade para flutuar para dentro e impressionar a todos com um passe mágico ou uma finalização precisa. Por Raposa e Rubro-Negro, marcou 70 gols e distribuiu 97 assistências.

O tamanho do jogador justificou a festa incrível da torcida tricolor logo no desembarque do craque em Salvador. Um grupo de seguranças teve que abrir caminho para o jogador, já vestido com a camisa de uma organizada do clube e dois bonés na cabeça, a recepção característica de grandes contratações no Brasil. “Abre passagem, o terror chegou. O Ribeiro é tricolor!”, cantaram os fãs.

No esquema tático de Rogério Ceni, Everton Ribeiro, que já trabalhou com o técnico no Flamengo, deve ter um espaço garantido, seja no 4-2-3-1 que montou no início do trabalho ou no 3-5-2 da reta final do último Brasileirão. Mesmo aos 34 anos, o meia ainda tem muita lenha para queimar e o ideal seria acomodá-lo na equipe com menos obrigações defensivas.

ER não é o último movimento interessante do Bahêa na janela. Antes, trouxe Jean Lucas, por valores que podem chegar a mais de R$ 30 milhões com o cumprimento de metas pagos ao Santos. Quando estava na Europa, o volante já tinha despertado o interesse de Palmeiras e Flamengo.

Um meio-campo com Jean, Everton Ribeiro, Cauly e Gregore (este, ainda apenas um interesse) seria, no mínimo, interessante, colocando o Bahia com um time titular extremamente competitivo – apesar de elenco com algumas lacunas. Com a evolução no trabalho de Ceni, treinador de enorme entendimento tático, a tendência é um bom ano para o clube – sem empolgações para títulos nacionais, claro.

No ataque ainda há pendências, como quem será o centroavante diante da irregularidade de Everaldo, além de pontas que ainda não se firmaram, casos de Biel, Ademir e outros. Ferreirinha poderia ser uma opção e mostraria a força desse novo Bahia ao vencer a concorrência contra o São Paulo, mas o Tricolor Paulista deve ficar com o jogador. Além de Gregore, o time também tem interesse no lateral-esquerdo Iago Borduchi, do Augsburg, conforme publicou o GE.

As expectativas para uma nova era no clube de Salvador começaram quando o CEO do Grupo City, Ferran Soriano, disse na coletiva oficial da aquisição da equipe que o Bahia é o segundo maior do conglomerado e, consequentemente, terá investimentos abaixo apenas dos azuis de Manchester. A chegada de Everton Ribeiro é um passo para isso, mas ainda não é uma confirmação do que disse o executivo.

Os próximos passos na janela podem dar mais pistas do futuro promissor do Bahia. A luta pelo rebaixamento na última temporada, causada por um fraco trabalho de Renato Paiva e um elenco enorme, será atípica para o projeto, esperam os torcedores.

Bahia e Grupo City firmaram acordo no fim de 2022 e oficialização veio em maio do ano seguinte (Foto: Bahia)
Foto de Carlos Vinicius Amorim

Carlos Vinicius AmorimRedator

Nascido e criado em São Paulo, é jornalista pela Universidade Paulista (UNIP). Já passou por Yahoo!, Premier League Brasil e The Clutch, além de assessorias de imprensa. Escreve sobre futebol nacional e internacional na Trivela desde 2023.

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