Vitória sobre o Grêmio acaba com qualquer contestação à liderança do Cruzeiro
“Se fosse mata-mata, o Cruzeiro não aguentava.” “Um campeão sem graça, que só vai levar porque não tropeça em time pequeno.” O Cruzeiro dominou o Campeonato Brasileiro em 2013 e em 2014 de tal forma que muita gente achou que o torneio tinha perdido a graça. Pior, passaram a buscar falhas nas campanhas da Raposa, formas de desmerecê-las como se isso servisse de álibi para as equipes que ficaram para trás. E um dos caminhos mais usados foi levantar os resultados contra os outros times do topo da tabela: um ponto contra o São Paulo, nenhum contra Corinthians e Atlético Mineiro. Pronto! Estava desmascarada a farsa celeste!
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Será mesmo? É verdade que o Cruzeiro fez apenas um ponto contra os atuais ocupantes da segunda, terceira e quarta posições do Brasileirão. Mas também é verdade que o Cruzeiro tem 100% de aproveitamento contra o quinto e o sexto, a dupla Gre-Nal. E aí que se vê a força dessa equipe de Marcelo Oliveira. Em um campeonato de pontos corridos, todos vão tropeçar, todos terão boas e má fases. Os jogos decisivos aparecem ao longo da campanha, e é preciso responder à altura.
O duelo desta quinta foi um deles. Vencer o embalado Grêmio em Porto Alegre era a oportunidade de levar a diferença de pontos para 7 e ficar com uma mão na taça. Uma derrota deixaria a diferença para o São Paulo em 4, botando uma pulga atrás da orelha de muita gente nas próximas rodadas. O resultado disso foi uma virada gigante da Raposa, uma daquelas vitórias para deixar claro do que esse time é capaz, mesmo nas circunstâncias adversas.
O Tricolor vinha de três vitórias seguidas, seis jogos de invencibilidade. Em casa, eram 9 vitórias, 1 empate e duas derrotas desde a Copa do Mundo. Toda essa força se viu no primeiro tempo, com domínio gaúcho e placar de 1 a 0 sem contestação. No segundo, o Cruzeiro desfilou sua força. Adiantou a marcação, pressionou a saída de bola, articulou jogadas em velocidades pelos dois lados. Sufocou o Grêmio como se estivesse no Mineirão e empatou. Depois, recuou para explorar o contra-ataque, até sair o gol da vitória.
Esse Cruzeiro que venceu o Grêmio é o mesmo que foi acusado de se apagar em jogos grandes após perder do São Paulo no Morumbi e do Atlético no Mineirão. Mas também é o mesmo que teve partidas delicadas contra o Internacional nos dois turnos, e venceu ambas com autoridade. Ou seja, se apegar à memória seletiva de um ou outro jogo pode levar a conclusões erradas.
O que é nítido é que a Raposa tem dominado o futebol brasileiro nos últimos dois anos. E o segundo tempo contra o Grêmio mostrou o porquê. Um segundo tempo de campeão com “c” maiúsculo.



