Entrevista de Pedrinho deixa torcedor do Vasco com mais dúvidas do que certezas
Presidente vascaíno deu entrevista coletiva nesta quinta-feira (24)
O presidente Pedrinho falou por mais de duas horas na tarde desta quinta-feira (24), mas o torcedor do Vasco segue sem respostas. Dois dias após a eliminação na copa Sul-Americana, o controlador da SAF vascaína convocou uma coletiva para falar sobre o momento do clube, mas a entrevista deixou mais dúvidas do que certezas sobre o futuro do Vasco.
Em um auditório cheio, com mais de 30 jornalistas credenciados, Pedrinho falou sobre questões esportivas, financeiras, políticas e administrativas do Vasco. No entanto, poucas situações foram esclarecidas por Pedrinho, que aproveitou a coletiva para responder críticas, desabafar e falar sobre o seu sentimento neste momento turbulento no Cruz-Maltino.
Se a entrevista foi convocada para tentar acalmar os ânimos da torcida após a saída precoce da Sul-Americana e o momento difícil no Campeonato Brasileiro, além das polêmica envolvendo a agressão a um influenciador em São Januário, o objetivo não foi alcançado. Pelo contrário.
Pedrinho resumiu boa parte dos problemas do Vasco ao fato do time não estar vencendo, como se o único problema do clube estivesse no time de Fernando Diniz, ao mesmo tempo em que elogiou a equipe. Por outro lado, deve ter deixado o reforços recentes do clube um pouco insatisfeitos, ao falar que “em nenhum momento eu falei que contrataria jogador de nível Real Madrid”.
O presidente do Vasco citou quatro jogadores para tentar amenizar as criticas as suas contratações no clube: Philippe Coutinho, Nuno Moreira, Tchê Tchê e Lucas Freitas. Mas não falou sobre nomes como Souza e Máxime Domínguez, que até já deixaram o clube, e outros como Jean David, Loide Augusto e Lucas Oliveira, que ainda não deram retorno esportivo.
Além disso, Pedrinho também apelou para a famosa “herança maldita”, que é repassada de presidente para presidente do Vasco ao longo das últimas décadas. O presidente do Vasco falou dos velhos problemas financeiros do clube e das dificuldades para contratar jogadores na atual janela de transferências.

Sobram elogios e faltam autocríticas no Vasco
A longa coletiva de Pedrinho também ficou marcada pelos elogios e defesa ao diretor técnico Felipe, com uma única crítica à forma como o ex-jogador falou sobre o zagueiro Manuel Capasso em uma coletiva em maio. O presidente exaltou a qualificação de Felipe e citou reforços que foram indicados pelo treinador.
— Com relação ao Felipe e ao Capasso, não concordando com a resposta que o Felipe deu, e falei isso para ele. Mas pra te dar um exemplo de que todas as avaliações e contratações não são definidas por uma pessoa, mas departamento de scout, análise de desempenho e mercado. A indicação do Nuno foi do Felipe, a do Tchê Tchê foi do Felipe. A do Lucas Freitas, foi do Felipe — afirmou Pedrinho, em coletiva.
Pedrinho afirmou saber onde errou neste um e meio no comando do futebol do clube, mas não citou os problemas, que foram minimizados ao longo da coletiva.
— Ninguém falou que está tudo bem, e as contratações que vocês falam que não dão certo… vocês só citam as que vocês querem. A gente identifica e deixa muito claro que sabe onde a gente errou e a gente tenta melhorar e trabalhar para isso. Só que todos os exemplos que vocês dão de contratações ruins são de jogadores que não são utilizados e vocês não citam os que são utilizados. É muito difícil porque a avaliação passa por um crivo muito detalhado, mas daí em diante, o jogador performar ou não, é muito relativo — disse Pedrinho.
O presidente do Vasco exaltou o fato de ter conseguido deixar os salários dos jogadores em dia — mesmo que para isso tenha vendido o mando de campo de duas partidas recentemente, gerando perda esportiva para o time.
— Tudo tem um porquê, nada é por acaso. Muita coisa que é feita é ditada por a gente ganhar os jogos ou não. Se a gente ganha, o jurídico é bom, a comunicação é boa, o marketing é bom, o comercial é bom, o compliance é bom. Se a bola não entra, tudo é ruim. E não é assim. Se eu estivesse fazendo tudo errado em termos de reestruturação financeira e a gente estivesse ganhando os jogos, as pessoas estariam de repente falando que eu sou o suprassumo. E não é. Tem muita coisa boa sendo feita e a bola não está entrando — disse Pedrinho.
Em um discurso alinhado com Fernando Diniz, Pedrinho elogiou uma suposta evolução do time do Vasco nos últimos meses.
— Se você tirar a emoção do jogo, a raiva de ter perdido e de estar num momento ruim, o time melhorou em termos de desempenho, de finalização, de intensidade. A gente teve oportunidade de ganhar do Grêmio, vacilamos e não ganhamos. Contra o Red Bull, a gente poderia ter ganhado e não ganhamos. No próprio jogo do Del Valle em casa a gente poderia ter vencido. Lá foi um desastre por outro contexto de jogo — disse o mandatário do clube.
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Pedrinho fala sobre influenciador que fez BO
Um dos momentos mais aguardados da coletiva de Pedrinho era um posicionamento do mandatário sobre o caso de Krav, influenciador vascaíno, que afirmou ter sido agredido por Marcelo Macedo, vice-presidente de relacionamento com a SAF, na última terça-feira, após a eliminação na Copa Sul-Americana. Na própria terça, Krav registrou um boletim de ocorrência sobre o caso.
Em um primeiro momento, Pedrinho se limitou a dizer que não estava envolvido no caso e aproveitou para acusar o influenciador de ter divulgado o seu endereço, além de ter lembrado que o mesmo já incentivou agressões contra jogadores do clube.
— Nunca mandei agredir ninguém por qualquer tipo de crítica que fez a mim. Ele vai ter de provar. A outra coisa grave que ele fez, e eu estava com os policiais agora. Nas redes sociais, pediu linchamento, passou meu enderço. Deixar claro para ele que a emoção das pessoas não dá direito a incentivo à agressão e a muito menos divulgar endereço. As pessoas não têm esse direito pelo futebol — afirmou Pedrinho.
Somente após ser perguntado novamente sobre o assunto, Pedrinho falou sobre investigar o caso e o possível envolvimento de um membro da diretoria no caso.
— Temos de abrir investigação se ele foi agredido por alguém, porque isso não existe. Não há ordem para que hajam dessa forma — completou Pedrinho.



