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Valdívia tende a encontrar no Galo uma leveza importante para a sua reafirmação

É meio difícil se manter impassível a um jogador como Valdívia. Seja por sua qualidade com a bola nos pés, por seu carisma, por seu caráter midiático ou mesmo pela trajetória que quase todo mundo viu surgir na Copa São Paulo, pelo Rondonópolis. O Internacional apostou no talento e colheu os frutos durante um bom tempo. A fase iluminada em 2015, por exemplo, valeu demais para os colorados alcançarem as semifinais da Copa Libertadores. Durante os últimos meses, porém, a atmosfera andava pesada. Havia cobrança e, em partes, uma pitada de desilusão pela promessa que não desabrochava mais. Por isso, o empréstimo ao Atlético Mineiro faz bem. Deixa Valdívia mais leve para que, enfim, volte a jogar aquilo que sabe.

A saída de Antônio Carlos Zago do Beira-Rio promove uma interrogação sobre qual seria a relação de Valdívia sob um novo comando. Fato é que a questão não se restringia a isso, com o meia demonstrando certos sinais de desgaste psicológico diante do que se exigia. Talento, não é segredo, não falta ao jogador. O problema era fazer valer isso com maior frequência, diante das muitas atuações apagadas. Neste sentido, a mudança de ares tende a beneficiá-lo.

O Atlético Mineiro oferece o seu grau de dificuldade, claro.  Não é tão simples chegar causando impacto em um clube de boa campanha na fase de grupos da Libertadores e candidato a ficar entre os primeiros no Campeonato Brasileiro. De qualquer forma, Valdívia será mais uma opção. O que, neste sentido, tira de suas costas o peso da responsabilidade e o insere em um elenco no qual tem bastante a absorver, principalmente com jogadores mais experientes como Robinho. Um estágio, mas bastante a sério, considerandos as pretensões do Galo.

Além disso, se quiser ter sequência, Valdívia terá que mostrar serviço. Irá se somar a um dos setores mais ricos em peças para Roger Machado. A existência de uma rotação pode auxiliar o jogador a se manter inteiro para as diferentes frentes. Ainda assim, há um nível de desempenho que será atingido para que as chances apareçam de maneira mais constante. E, exigido mais por seu rendimento esportivo do que por assuntos extracampo, o jovem de 22 anos poderá se concentrar mais em exibir as suas qualidades.

Agora, está nos pés de Valdívia. Ninguém duvida de sua capacidade e o empréstimo ao Atlético Mineiro (um elenco que não precisa exatamente de empréstimos) dimensiona bem o tamanho do voto de confiança. É ver como será esta chance de reerguimento. Que, no fim das contas, tende a ser benéfica também ao Inter. Os colorados perdem um jogador com potencial para desequilibrar em um momento delicado, mas podem receber um talento bem mais amadurecido para um período de reafirmação. Melhor poupar o meia das penúrias e apostar que ele talvez seja o cara certo para os próximos tempos no Beira-Rio.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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