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Um Flamengo x Atlético para honrar o passado

Não havia Reinaldo ou Zico, Cerezo ou Adílio, Luisinho ou Júnior. O futebol podia não ser tão refinado quanto o do início da década de 1980. Porém, ao menos em emoção, o primeiro duelo entre Flamengo e Atlético Mineiro pelas semifinais da Copa do Brasil honrou o passado do clássico. Uma partida disputadíssima no Maracanã, por mais que o jogo não fosse dos mais bonitos. Ainda assim, aos olhos dos rubro-negros, o resultado foi lindo. A vitória por 2 a 0 levou ao delírio os 45 mil torcedores nas arquibancadas e garantiu uma boa vantagem ao Fla. Mas que também reforça a mística do Galo por um novo milagre no Mineirão.

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Flamengo e Atlético Mineiro estão longe daqueles esquadrões da década de 1980, por mais que os times atuais tenham os seus predicados. Entretanto, a garra das duas equipes não deixa desejar em nada. E uma noite inspirada pode até fazer com que os jogadores atuais sonhem em incorporar os mitos do passado. É o passo para reviver as glórias.

Afinal, quem não diria que Victor estava ainda mais espetacular do que João Leite? Se o goleiro dos anos 1980 foi considerado por algum tempo o maior da história do Galo, a Libertadores de 2013 fez muita gente mudar de ideia. E o primeiro tempo de São Victor só reforçou a sua mística nos tomos da história atleticana. A defesa no chute de Eduardo da Silva, logo nos primeiros instantes de jogo, foi um verdadeiro milagre. E eles continuaram se repetindo nos 45 minutos iniciais, com o camisa 1 alvinegro pegando tudo.

Pressionando demais e dominando o meio-campo, o Flamengo foi o dono da primeira etapa. Cáceres parecia inspirado por Adílio para ditar o ritmo da equipe, enquanto Léo Moura fazia uma excelente apresentação na lateral direita, de orgulhar Leandro. E, do outro lado, o Atlético funcionava muito pouco. Isolado demais no ataque, Diego Tardelli se movimentava em vão. Com a falta de apoio, talvez nem Reinaldo conseguisse resolver sozinho daquele jeito.

Disputa de bola acirrada entre Flamengo e Atlético (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)
Disputa de bola acirrada entre Flamengo e Atlético (Foto: Jorge Rodrigues/Eleven)

O único momento em que o Fla não esteve no controle do jogo foi durante o início do segundo tempo. Contudo, foi dos apuros que os rubro-negros tiraram forças para abrir o placar e sair do sufoco aos 15 minutos. Após a falta que João Paulo cobrou com o capricho de Júnior e acertou travessão, Cáceres se apossou desta vez do oportunismo de Nunes para completar às redes. Estática, a defesa do Galo envergonharia Luisinho.

A vantagem tornou o Flamengo mais cauteloso. Pragmático, Luxemburgo preferiu recuar o seu time e esperar o momento para atacar. Enquanto defendiam com solidez, os cariocas voltavam a ameaçar nos contra-ataques. E aí Gabriel, dando muito trabalho nas pontas ao lado de Everton, protagonizou um lance digno de Júlio César “Uri Geller”. Arrancou do meio-campo e entortou a marcação atleticana como se fosse o paranormal dobrando colheres ou o antigo ponta driblando os adversários. Arranjou um pênalti, que Chicão converteu aos 32 minutos.

A boa vantagem aberta pelo Flamengo foi garantida por Paulo Victor. Como Raul, o goleiro realizou uma excelente defesa em dois tempos, o suficiente para os rubro-negros festejarem o placar. A camisa pesou no Maracanã, em uma atuação que uniu eficiência e objetividade dos comandados de Luxemburgo.

O placar de 2 a 0, no entanto, tem um sabor bem diferente Galo do que deveria. Lembra a façanha das quartas de final contra o Corinthians, na virada espetacular por 4 a 1 no Mineirão. E por mais que os atleticanos adorem aquela geração de 1980, eles sabem que seu maior título veio com esse mesmo time, desde o ano passado. Uma equipe que se acostumou a reverter o impensável. O Mineirão certamente contará com outro jogaço. Que decidirá entre o triunfo do Flamengo, como era comum há três décadas, ou com um milagre à Atlético de São Victor.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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