Brasil

Um combustível indispensável

O Parque Antarctica, repleto e incendiado como nos bons tempos de Felipão, ferveu. E assistiu ao melhor jogo em solo brasileiro no ano. Naturalmente, a partida entre São Paulo e Palmeiras dominou o noticiário, também preenchido pela vitória do Flamengo sobre o Vasco, recolocando o time de Caio Júnior na briga.

Entre os grandes vencedores da rodada do fim de semana, pouca gente se lembrou do Cruzeiro, que bateu o rival Atlético Mineiro pela quarta vez no ano e tem um ponto a menos que o líder Grêmio. Do jeito que os mineiros gostam, a Raposa segue a espreita do título, mas não é notada. Passou 29 das 30 rodadas dentro do grupo de quatro primeiros, indicando regularidade. E tem, ainda, um combustível fortíssimo para buscar a taça.

Em entrevista ao Estado de Minas, no domingo, Sorín indicou que ver o Atlético patinando no ano do centenário é muito pouco, e buscar a glória maior na temporada significava pôr ainda mais pimenta no molho atleticano. O elenco cruzeirense tem outros nomes, além do recém-chegado Sorín, identificados com a rivalidade mineira, como o goleiro Fábio, o meia Wagner ou os pratas da casa como Thiago Heleno, Guilherme e Jonathan, por exemplo. Ramires, outro nome importante, tem estrela em clássicos, e fez o gol da vitória no turno.

No gramado do Mineirão, onde somou suas últimas três vitórias, o Cruzeiro travou um duelo tático e físico, e de pouco talento, mas foi sempre superior ao Atlético. Mais uma vez, Adílson Batista armou uma marcação perfeita sobre o rival, travando as principais armas ofensivas e vencendo o jogo com sua natural qualidade. Renan Oliveira, bem vigiado por Henrique e Marquinhos Paraná, não foi sombra do que fora no Maracanã, contra o Flamengo.

Também deu certo, para Adílson, utilizar Fernandinho como meia, alternando o posicionamento com Ramires pela esquerda. Por ali, concentrou seu jogo e achou o gol que indicou a vitória, no lance em que arrastou toda a defesa atleticana para seu lado, e abriu, com belo passe do supracitado Fernandinho, o corredor para Jonathan encontrar as redes e calar seus inimigos – que normalmente vestem azul e ficam na arquibancada, diga-se de passagem.

A soma de consciência tática e talento fazem, do Cruzeiro, um time que vai colhendo admiradores em 2008, como Vanderlei Luxemburgo e Muricy Ramalho. Dono do terceiro melhor ataque e da terceira melhor defesa do Campeonato Brasileiro, encontrou o equilíbrio, mesmo psicológico, que não tinha com Dorival Júnior, quando fazia e sofria muitos gols, e tinha longas seqüências de vitórias e jogos sem ganhar.

Mesmo diante de toda essa coesão, o esquadrão celeste, para pensar em título, precisará superar aquele que é seu maior fantasma no Brasileirão: os jogos decisivos. Apenas no Maracanã, contra o Flamengo, a equipe de Adílson Batista triunfou em confronto direto. Contra Palmeiras, perdeu as duas, contra o São Paulo, empatou em casa e foi batida no Morumbi, e contra o Grêmio, foi superado no Olímpico.

Receber flamenguistas e gremistas no Mineirão representa, nas oito últimas rodadas, poder deixar dois adversários para trás. Fora de casa, onde venceu seis jogos (melhor índice do Brasileiro ao lado do Flamengo), e nestes confrontos diretos, tem condições reais de alcançar a ponta, embora a concorrência seja fortíssima e os prognósticos sejam, evidentemente, incertos.

Certo, mesmo, é que o Cruzeiro é tão candidato quanto Grêmio e Palmeiras, alardeados como favoritos, e São Paulo e Flamengo, que vêm logo atrás. E principalmente que não será feliz, para os atleticanos, comemorar o centenário com o título do rival.

O buraco negro e fundo do futebol brasileiro – parte 1

A competente série de reportagens de Fernando Gavini na Espn Brasil, intitulada como “O buraco negro do futebol”, traçou um raio-x financeiro de praticamente todos os grandes clubes do país. A coluna acompanhou o conteúdo na íntegra e selecionou números interessantes que resumem a situação caótica de boa parte dos envolvidos.
O Fluminense, em 2007, teve déficit de R$ 139 milhões e tem dívida avaliada em R$ 270 milhões, sendo que a Unimed precisa pagar os salários diretamente aos jogadores, para os valores não serem penhorados.

No balanço do Vasco, a dívida registrada em balanço é de R$ 146 milhões, mas imagina-se ser bem maior. Surpreendentemente, a avaliação patrimonial subiu, entre 2005 para 2007, de R$ 77 para R$ 101 milhões, em uma manobra provável para maquiar suas dívidas. Só para Romário deve R$ 14 milhões.

O Flamengo tinha, no fim do último ano, um patrimônio líquido negativo em R$ 48 milhões – em 2004 o número batia em R$ 139. Teve lucro em 2007: R$ 3 milhões. A dívida do Botafogo, por sua vez, equivale a 341% desse patrocínio e é avaliada em R$ 207 milhões.

Na próxima semana, a coluna fala dos quatro grandes clubes paulistas.

Bahia e sua mentalidade perdedora

Paulo Comelli, Arturzinho, Roberto Cavalo e Ferdinando Teixeira passaram pelo Bahia em 2008, mas a mentalidade do tricolor segue a mesma que lhe afasta da promoção. Mesmo em uma das edições mais fracas da Série B nos últimos anos, em nenhum momento, o clube deu sinais de que poderia chegar ao grupo do acesso, e seu único sinal de brilho foi bater o Corinthians no Pacaembu, quebrando a invencibilidade de onze rodadas.

É verdade que jogar em um estádio frio, como tem sido o Jóia da Princesa, colabora para uma equipe que tem dificuldades de se impor, dentro ou fora de casa. Longe de suas tradições ofensivas, que sempre fez os rivais temerem ao lhe enfrentar na Fonte Nova, a verdade é que o Bahia, hoje estacionado sem riscos na tabela, já se vê no lucro em permanecer na Série B.

A montagem do elenco foi totalmente mal planejada e, atualmente, os jogadores utilizados por Ferdinando Teixeira são bem diferentes dos que venceram o Vitória em três dos quatro jogos do Campeonato Baiano, para não citar o alto rodízio de técnicos na Serrinha. Mais uma vez, o presente do Bahia é sua maior lição para um 2009 diferente e melhor.

Bugre lidera

Três vitórias consecutivas, sendo duas no Brinco de Ouro da Princesa, fizeram o Guarani subir na classificação do octogonal final da Série C e avançar para a liderança, com dez pontos após cinco rodadas, ao lado de Campinense e Águia de Marabá – o alviverde tem melhor saldo de gols. A tabela ainda está embolada, mas terá a sexta rodada disputada nesta quarta-feira.

O Bugre vem se recuperando após um início de ano com tropeços no Campeonato Paulista, onde só não teve sua permanência decretada em uma rodada final, dramática, graças aos gols do menino Henrique. Atualmente, quem vem definindo a parada a favor do Guarani é o experiente Fernando Gaúcho, ex-Ituano e Paraná Clube – ele tem onze gols na Série C.

Após as cinco primeiras rodadas, a classificação é: Guarani, Campinense e Águia de Marabá (todos com 10 pontos); Atlético-GO (9 pontos); Confiança (7 pontos); Brasil de Pelotas (6 pontos); Duque de Caxias (4 pontos); Rio Branco-AC (1 ponto).

Foto de Equipe Trivela

Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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