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Troca com o Cruzeiro é um passo arriscado de Cuca na reformulação do elenco do Palmeiras

É época de liquidação no Palmeiras. Com um elenco numeroso, e ainda assim com algumas falhas, o técnico Cuca trabalha para enxugá-lo e fazer alguns ajustes. Fellype Gabriel teve seu contrato rescindido, Nathan foi cedido ao Criciúma, Victor Luis ao Botafogo, e restam 34 jogadores. Mais quatro devem sair. Entre todas as movimentações, a que mais chamou a atenção foi a troca com o Cruzeiro: Robinho e Lucas por Fabrício e Fabiano.

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Saíram dois jogadores importantes do elenco do Palmeiras. Lucas jogou muito bem durante um período do ano passado e chegou a ser capitão do time. Tem influência no vestiário. Caiu de rendimento, junto com todo mundo, na reta final da última temporada e de fato não fez um bom ano de 2016 até aqui – vale lembrar que ainda estamos no final de abril. Foi emprestado até o fim do ano.

Robinho, também com ascendência nos companheiros, é o melhor garçom do time, fez gols marcantes, como aqueles contra Rogério Ceni. Vinha sendo criticado porque não funciona se precisar ser a única fonte de criação de jogadas de uma equipe, e a seu favor, pouquíssimos jogadores do futebol brasileiro conseguem fazer isso. É útil no apoio, alguns momentos antes do passe final. E parte da torcida ainda gosta dele. Fica em Minas Gerais até o fim de 2017.

Em troca veio Fabiano, um lateral direito de 24 anos, que se destacou pela Chapecoense e foi contratado pela Raposa em 2015. Alto, com 1,88 metros, tem boas características defensivas e pode fazer a função de zagueiro. Fabrício, o outro prêmio, é aquele canhoto que ganhou renome pela Portuguesa, brigou com a torcida do Internacional e não se firmou no Cruzeiro. Tem talento, mas não defende bem. Pode ser lateral esquerdo ou meio-campista.

Ou seja, no duro, Cuca, que assumiu a responsabilidade pela troca, trocou dois líderes do elenco do Palmeiras, até outro dia titulares absolutos do time, por um jovem que ainda não mostrou muita coisa e um instável jogador que vai para o seu terceiro time grande em menos de um ano.

“Eu sei o que estou fazendo”, afirmou o treinador em entrevista coletiva, nesta quarta-feira, que não estava prevista, mas ele sentiu a necessidade de explicar o negócio para os torcedores.”Não é o caso de ver quem sai ganhando ou perdendo. Sei que quando você faz algumas trocas, não contenta a todos. Críticas virão, mas não me incomodo com isso. Nós vamos dar uma equilibrada no elenco, principalmente em cima de características.”

Cuca quer voltar a usar Jean como segundo volante, e por isso, trouxe um lateral direito mais defensivo. Ainda pode usar Fabiano como terceiro zagueiro durante as partidas para liberar os ataques de Egídio. Ele permite essa variação tática. Tem João Pedro como opção mais ofensiva. Fabrício, segundo ele, vem como “polivalente”, para fazer a lateral, posição carente em qualidade no elenco, ou o meio-campo pela esquerda, na linha de quatro jogadores que ele usou, por exemplo, em um dos seus melhores jogos contra o Corinthians. O time cresce de estatura. Fabiano tem 1,88 metros, contra 1,74 metros de Lucas e 1,70 metros de Jean. Fabrício tem 15 centímetros a mais que Robinho. Fortalecer a bola parada também está em mente.

As razões de Cuca parecem lógicas e fazem sentido dentro do jogo das características dos jogadores. Mas ele deu um passo arriscado. Robinho e Lucas já haviam mostrado o que podem fazer, e embora a fase não fosse das melhores (em boa parte, também pelo rendimento ruim do time nos últimos sete, oito meses do ano), era apenas uma questão de recuperá-los. São queridos pelo elenco e por parte da torcida, que não aceitou tão bem assim as suas saídas, principalmente do meia.

O agravante foi ter negociado dois jogadores de bom valor de mercado por uma dupla que não enche os olhos de ninguém. Caso fosse inevitável se livrar de Robinho e Lucas, a sensação é que o Palmeiras poderia ter trazido jogadores melhores do que Fabiano e Fabrício. Queimou dois cartuchos que seriam importantes na necessária reformulação de elenco que precisa fazer antes do Campeonato Brasileiro.

Mesmo em características, como foi citado por Cuca, o seu único meia armador que produz com alguma regularidade. Robinho flutua, ajuda na construção, e dá o passe decisivo mais do que ninguém no elenco palmeirense hoje em dia. A aposta é que Cleiton Xavier passe a jogar mais, já recuperado dos problemas físicos do ano passado, e o jovem Vitinho foi promovido das categorias de base.

Todo treinador que começa um trabalho movimenta o elenco. Ricardo Gareca trouxe Mouche, Cristaldo, Allione. Marcelo Oliveira contratou Leandro Almeida. Cuca também tem o direito de alguns caprichos. Mas, com uma transação controversa, assume o risco de perder um pouco do crédito que conseguiu por ter, em pouco tempo, transformado um bando em um esboço de time.

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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