Brasil

Treze da vergonha

Um caso de oportunismo tem atrapalhado o início de duas divisões do Campeonato Brasileiro. O Treze move um processo tentando tirar o Rio Branco, do Acre, da competição. Faz força, tenta de tudo para ficar na terceira divisão e tirar o time acriano por um problema que não o envolve. E por uma causa que não tem direito (e me limito ao âmbito esportivo, o judicial é uma outra esfera).

A começar que o Treze caiu nas quartas de final da Série D do Campeonato Brasileiro, para o Santa Cruz. Só os quatro primeiros subiam de divisão – portanto, os semifinalistas. A tentativa do Treze, porém, tem uma razão de ser. O time tenta aproveitar uma disputa que envolveu o Rio Branco com a CBF.

O Rio Branco entrou em uma disputa na justiça comum por uma punição que recebeu em 2011. O time foi proibido de jogar na Arena da Floresta, seu estádio, que foi interditado pelo Ministério Público. Na época, o Ministério Público considerou que o estádio não atendia todas as exigências do Estatuto do Torcedor e não poderia receber o aval para jogos.

Justo ou injusto, o Governo do Estado comprou a briga junto com o Rio Branco e o time entrou na justiça comum para reverter a decisão. Conseguiu e, jogando em casa, ficou em primeiro lugar no Grupo A, mas foi punido pelo STJD e seria rebaixado para a Série D por ter entrado na justiça comum. Para que isso não acontecesse, fez um acordo com a CBF para tirar todas as ações na justiça comum. Assim, o time foi desclassificado da edição 2011, mas mantido para a edição 2012.

Só que o acordo abriu uma brecha para que o Treze buscasse na justiça comum uma vaga na Série C. Como a punição ao Rio Branco não foi tão pesada como previsto na regulamentação, o Treze exigiu o rebaixamento e, assim, ficaria com a vaga. A disputa, então, adiou o início tanto da Série C quanto da Série D, porque era necessário definir quem ia jogar qual divisão.

A CBF primeiro incluiu o Treze, por uma política de não entrar em atritos que José Maria Marin tem conduzido, e o time da Paraíba tornou-se o 21º da competição, que tinha 20 times previstos. Só que o Treze foi além e conseguiu uma liminar na justiça comum de seu estado que não só o colocava na Série C, mas também excluía o Rio Branco. A CBF acatou. O caso, então, foi para o Superior Tribunal de Justiça, que é uma entidade de justiça superior para a disputa. E o STJ decidiu que o Treze seria excluído e o Rio Branco voltaria a ser incluído. A decisão foi na sexta-feira à noite.

Neste domingo, não se sabia quem é que iria jogar contra o Icasa. O Treze foi a campo. A disputa ainda deve demorar. O Rio Branco ficou em Juazeiro do Norte neste domingo, esperando por uma decisão que o recoloque na disputa. Na tabela da CBF, o Rio Branco está excluído, mas a expectativa é que o STJ casse outras duas liminares que ainda são favoráveis ao Treze e mantém os paraibanos na disputa. Se as duas liminares caírem, o Treze será excluído e o Rio Branco deve estrear contra o Icasa na quarta-feira. Ao menos é o que acredita o clube.

Oportunismo

O Treze está sendo oportunista, basicamente. Tenta, à força, ficar com uma vaga que não é sua. Que não conquistou em campo. Tenta aproveitar uma disputa judicial do Rio Branco (que pode se discutir se deveria ser punido com mais rigor ou não, mas o Treze não tem absolutamente nada a ver com isso) para entrar de gaiato no navio da Série C. Fizeram com quem duas divisões parassem para esperar uma decisão. Curiosamente, pede punição mais rigorosa ao Rio Branco por ter entrado na justiça comum. Como? Na justiça comum. Só por isso, a causa do Treze já está errada.

O time da Paraíba, que tem capacidade para subir para a Série C no campo, está jogando essa chance no lixo. Mais do que isso, está criando para si toda a antipatia por travar campeonatos muito importantes para os times envolvidos. O Rio Branco foi punido esportivamente ao ser desclassificado. Não foi punido com mais rigor porque desistiu das ações na justiça.

E quem tem que ser responsabilizada por esse problema é a CBF. A entidade não se posicionou sobre a situação do Treze como deveria. O time paraibano deve ser punido pela confusão que causou. A justiça comum é direito de toda entidade, se acha que os motivos são válidos. Só que a regulamentação esportiva prevê punições a quem recorre a ela. Não é por acaso.

Essa disputa entre Treze e Rio Branco mostra que se a justiça comum for usada como regulamentadora das disputas esportivas, os campeonatos tornam-se inviáveis. Podem demorar anos. Por isso, há uma recomendação da Fifa para que os clubes não entrem na justiça comum, passíveis de punição se o fizerem. A CBF segue essa orientação e, até por isso, puniu o Rio Branco. O Treze está fazendo um mal a todo o campeonato e a si mesmo.

Até aqui, porém, quem mais perdeu com a disputa foi o Rio Branco, que foi impedido de jogar e sequer conseguiu estrear. O time que, teoricamente, já foi punido. A brecha que o Treze tenta usar é uma tentativa malandra de entrar pela janela. A CBF precisa se posicionar e punir o clube não só o excluindo das disputas nacionais nesse ano, mas dando uma punição ainda maior, com a exclusão por mais temporadas.

É bom que se diga: a torcida do Treze não tem culpa nenhuma. Comemora a participação na Série C, colocado por seus dirigentes, não pelo time. O melhor jogador do Treze nesta Série C tem sido seu departamento jurídico. E isso já diz muito.

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Equipe Trivela

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