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Traffic alega ter contrato com a Conmebol e negocia com Fox saída jurídica para novo acordo de TV

A renovação de contrato dos direitos de transmissão da Libertadores entre Fox e Conmebol serviu para tirar do contrato a Torneos y Competencias (conhecida como TyC), empresa argentina que tinha como CEO Alejandro Burzaco, preso pelo FBI e extraditado aos Estados Unidos no escândalo do Fifagate. A Conmebol informou no seu site a renovação, afirmando que o contrato era com a Fox International Channels (FIC). Antes, os contratos de transmissão era repassados através de empresas de marketing esportivo que compravam esses direitos da Conmebol, como eram a TyC e a Traffic, empresa que tem como principal executivo o brasileiro José Hawilla, preso nos Estados Unidos. A TyC não está mais no contrato, mas ainda está em operação. E a Traffic ainda está no contrato.

ENTENDA:
– Conmebol anuncia que terá licitação aberta por direitos de TV da Libertadores em 2019
Como o escândalo da Fifa pode abrir a caixa preta da Libertadores na TV
– De dono do futebol brasileiro a delator: a ascensão e queda de J. Hawilla

A Conmebol precisava tirar a TyC do contrato e a renovação também foi por isso. O contrato, que envolve também a brasileira Traffic, iria até 2022, mas foi encurtado até 2018 e, a partir de 2019, haverá uma licitação aberta para os direitos de transmissão da Libertadores e outros torneios da entidade. Isso deve mudar muito a relação dos clubes com a Libertadores, a começar pelo aumento das cotas de TV, como explicamos no link anterior.

A TyC não faz mais parte do acordo com a Conmebol, mas mantém vínculo com a Fox até 2020 e será responsável pelos jogos de torneios continentais transmitidos pela emissora. Na prática, nada muda. Tanto Fox quanto TyC são acionistas da T&T Sports Marketing, que tem sede nas Ilhas Cayman e detém os direitos de transmissão da Libertadores e Sul-Americana desde 1999. Era com essa empresa que o contrato iria até 2022, mas foi reduzido até 2018.

A Traffic informou, via comunicado, que continua com contrato com a Conmebol. “Diferentemente do que foi publicado, os direitos internacionais de transmissão da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana de 2016 a 2018 para fora do continente americano são de propriedade da TRAFFIC Sports. Os contratos entre a TRAFFIC Sports e a Torneos y Competencias são válidos, assim como os contratos entre a TRAFFIC Sports e seus clientes, notadamente veículos de televisão e agências de fora das Américas”, diz a nota da empresa.

A decisão de Napout de fazer um novo contrato foi política. O dirigente paraguaio tenta afastar da entidade as empresas que estão envolvidas em investigação do FBI em relação à propinas e subornos em contratos de direitos de transmissão de torneios da Conmebol e Concacaf. Ainda segundo a Traffic, a empresa está participando das negociações com a Fox para encontrar uma saída jurídica para a inclusão da FIC no contrato e ainda não há definições sobre como ficará esse novo acordo. Há a possibilidade da FIC comprar a parte da TyC no contrato, mas a Traffic diz que isso precisa ser de comum acordo entre as partes. A empresa também afirmou que não tem interesse em vender a sua parte.

Contrato da Copa América também foi revisto

Não foi o primeiro novo contrato anunciado pela Conmebol nos últimos dias. A Copa América Centenário, que será nos Estados Unidos, centro do Fifagate, foi confirmada pela entidade que dirige o futebol sul-americano. Havia dúvidas se o torneio seria realizado depois da devassa do FBI, que arrastou diversos dirigentes para a cadeia. A Datisa, formada por uma união entre Traffic, TyC e Full Play (que tem os irmãos Hugo e Mariano Jinkis como sócios, ambos indiciados pelo FBI), não fará mais a transmissão da Copa América do Centenário. As três empresas sofreram denúncias de participação direta ou através de executivos no escândalo do Fifagate.

As mudanças são uma tentativa do presidente Juan Ángel Napout e dos principais dirigentes da Conmebol para minimizar os danos à entidade causados pelo Fifagate. A América do Sul foi o continente mais afetado pelos indiciamentos e prisões. Dos 10 presidentes de federações nacionais sul-americanas, só dois permanecem em seus cargos desde maio deste ano: Luis Chiriboga, presidente da Federação Equatoriana de Futebol, e Juan Ángel Napout, que era presidente da Federação Paraguaia de Futebol quando o escândalo explodiu, antes de assumir como presidente da Conmebol. Os dois estarão no Congresso Extradionário da confederação, que será nesta quinta e sexta, dias 26 e 27 de novembro, no Rio de Janeiro. Dois países não terão representantes. Luis Bedoya, da Colômbia, e Sergio Jadue, do Chile. Ambos renunciaram aos cargos de presidente das suas respectivas federações nacionais e foram para os Estados Unidos, provavelmente para se entregar ao FBI.

As mudanças no futebol sul-americano estão acontecendo, mesmo que aos poucos e de maneira ainda bastante tímida. Perspectivas de uma licitação aberta e internacional dos direitos de transmissão é algo inédito ao menos desde 1999 e isso tem um potencial de mudança no torneio enorme. Rever contratos já estabelecidos, mesmo que com a renovação para os novos termos, é um bom sinal. Esperamos que seja só o começo de mudanças mais sérias e mais profundas no futebol daqui. O potencial é imenso.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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