Brasil

Trabalho de campeão

Quando o Campeonato Carioca começou, o menos cotado entre os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro a ser campeão era o Botafogo. O Flamengo, Campeão Brasileiro, chegava com força do ano anterior somada ainda à contratação de Vágner Love. O Fluminense, apesar da campanha vergonhosa no Brasileiro, quando escapou do rebaixamento de forma surpreendente e heroica, contratou alguns reforços e confiava no talento que Conca e Fred têm de sobra. O Vasco, mesmo vindo da Série B, contratou no atacado e tinha expectativa de voltar a brigar por títulos.

O Botafogo reforçou essa ideia ao começar mal o campeonato e principalmente ao sofrer uma goleada histórica do Vasco de Dodô por 6 a 0 na 3º rodada. Ali, tudo começou a mudar. O técnico Estevam Soares, que salvou a equipe do rebaixamento em 2009, foi demitido. Em seu lugar, alguém mais do que conhecido no Rio: Joel Santana. A missão não era simples. As coisas, porém, mudaram aos poucos.

O time ganhou consistência e passou conseguir somar os pontos necessários à classificação, mesmo quando não conseguia atuar bem, como no jogo de estreia de Joel, contra o América, vencido por 2 a 1. O time encorpou e encontrou uma maneira de jogar, com os dois atacantes estrangeiros tornando-se parte fundamental da equipe. Herrera e Sebastian “Loco” Abreu trouxeram experiência ao time, o que Joel precisava para motivar a equipe e dar confiança à equipe.

Nas semifinais da Taça Guanabara, um velho fantasma começou a ser afastado do clube da Estrela Solitária. O jogo contra o Flamengo, elenco mais forte do Rio, trazia as lembranças dos últimos três anos, quando a equipe foi derrotado pelos rubro-negros e acabou vice-campeã. E parecia que o filme se repetiria. Depois de o Flamengo fazer 1 a 0, o alvinegro virou e acabou vencendo, contra as expectativas, com duas jogadas com bola aérea.

O que pode ter parecido um golpe de sorte mostrou-se, na verdade, apenas uma etapa do crescimento da equipe de Joel Santana. Na final, a equipe bateu com autoridade o Vasco, aquele mesmo para quem perdeu por 6 a 0, com uma vitória por 2 a 0 e título da Taça Guanabara.

A eliminação na Copa do Brasil contra o Santa Cruz, depois de uma derrota em pleno Engenhão, depois de ter vencido o primeiro jogo no Recife. O time, então, foi obrigado a se concentrar na Campeonato Carioca. Novamente nas semifinais, o time enfrentou o Fluminense. Acabou conseguindo uma vitória por 3 a 2, que mostrou a força da equipe e deu a chance de decidir o campeonato na final da Taça Rio. O adversário seria novamente o Flamengo. O filme de 2009 certamente voltou à mente botafoguense – na ocasião, o Botafogo venceu o segundo turno, decidiu o segundo contra o Flamengo, foi derrotado, e acabou perdendo também a decisão do campeonato, em dois jogos.

Desta vez, porém, Joel Santana estava do lado alvinegro. O técnico parece ter dado o que faltava ao Botafogo nos anos anteriores: confiança. O time acreditava que podia ser campeão e transmitiu isso para as arquibancadas. Com o estádio dividido com a torcida do Flamengo, algo inédito nos três anos que os times decidiram o campeonato, o Botafogo foi um time muito aplicado, com a fome de ser campeão que o Flamengo parecia não ter.

O título é merecido e coroa um time que foi, acima de tudo, muito trabalhador. O Botafogo fez tudo que era necessário para ser campeão, aproveitou a chance que teve para decidir os dois turnos pela campanha que fez e levou a taça para casa. Joel Santana é parte fundamental da equipe, assim como o goleiro Jéfferson e os atacantes Herrera e Abreu. A festa do Botafogo é justa e é ótimo para o Rio – hegemonias muito longas, em geral, não são saudáveis para o futebol.

O que a torcida e principalmente comissão técnica e diretoria do Botafogo precisam estar cientes é que o time é ótimo para ser Campeão Carioca, mas ainda é pouco para disputar a parte de cima do Campeonato Brasileiro. Os anos anteriores do Botafogo já mostraram isso. Em 2006, foi campeão carioca, mas acabou apenas em 12º lugar no Brasileiro. Em 2007, ficou em 9º, em 2008, 7º e em 2009, 15º, lutando contra o rebaixamento.

O Botafogo pode ter ambições altas, mas para isso é preciso que seu elenco acompanhe. Hoje, o que é possível é brigar na metade de cima da tabela, buscando vaga na Libertadores. Mais do que isso, parece ser demais para um elenco que não é suficiente para aguentar as 38 rodadas do Campeonato Brasileiro contra equipes muito mais qualificadas do que no Campeonato Carioca. O que fica para o Botafogo é que o time pode superar as dificuldades de jogar contra equipes mais qualificadas se jogar no limite. Como é impossível jogar sempre no limite, o time da Estrela Solitária precisa de um elenco melhor. O próprio presidente Maurício Assumpção admitiu isso antes da final da Taça Rio. Que a diretoria continue com os pés no chão para levar o Botafogo a ser novamente protagonista no cenário nacional.

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Equipe Trivela

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