Torcedores distantes?

Invariavelmente análises e comentários sobre a seleção brasileira carregam aquela mistura de sentimentos. Em curtos intervalos, dirigentes, técnicos e jogadores são criticados ou elogiados sob diversos aspectos, dependendo do resultado.
Normal. Desde que me lembro (o colunista tem 25 anos) é assim. Parece um hobby nacional falar mal da seleção, minutos antes de comemorar uma vitória. Mas é também perceptível que o interesse de torcedores em jogos do Brasil diminui jogo após jogo.
A falta de torneios oficiais deixa a série de amistosos com caráter monótono, exceto quando o adversário é de peso, como por exemplo, no clássico contra a Argentina.
Outro fator que pode explicar esse abismo entre seleção e torcedor é a série de jogos feitos fora do país. Amistosos variam entre Oriente Médio, Europa e Estados Unidos, por conta de datas Fifa e para evitar o desgaste de jogadores que atuam no velho continente. Sim, esse expediente é usado pela maioria das seleções, mas nesse período sem partidas válidas pelas eliminatórias, o torcedor só poderá acompanhar o Brasil de perto em raras ocasiões.
Financeiramente falando…
Do ponto de vista financeiro o que isso quer dizer? Bem, a organização dos tais amistosos é terceirizada e o faturamento é alto, não há motivos para se queixar.
Mas como ficam os patrocinadores?
A CBF tem um total de dez patrocinadores, sendo eles de variados segmentos. Estão expostos nas camisas de treino, backdrops, nada muito inovador. Nas placas durante os jogos, outras empresas aparecem e a concorrência interna, entre os próprios parceiros da seleção e anunciantes esporádicos, é grande.
Quanto à ativação do patrocínio, é baixa. Promoções e concursos culturais pululuam perto de Copas do Mundo, mas durante o hiato das edições do mundial, marcas e CBF não evidenciam esforço de marketing.
Como exemplos em outros períodos, a Volkswagen presenteou com camisas oficias da seleção quem comprasse carros Gol. A Vivo lançou o site “euvivoaselecao”, e criou o vídeo com o gol 1.284 de Pelé.
Ainda assim, é pouco. Vemos poucas ativações que busquem essa aproximação entre seleção e torcedor, ao invés de mero oferecimento de produtos. É um esforço conjunto entre marketing, calendário, patrocinadores e claro, interesse.
Conclusão
No frigir dos ovos, a receita é grande. Ano passado a CBF registrou faturamento estimado de R$ 296,5 milhões. A falta de identidade entre seleção e torcedor parece não preocupar, tornando quase nulas as atividades de marketing, exceto em Copa. E assim seguimos o jogo, as críticas e os amistosos internacionais.
Ao menos até a próxima Copa do Mundo.



