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Todo mundo conseguiu estar errado na polêmica do Fair Play em Inter x Ponte

Reclamações de falta de Fair Play são uma constante no futebol, mas no Brasil ganham cores fortes de quando em quando. Não é por acaso. O sábado foi de vitória do Internacional sobre a Ponte Preta por 1 a 0 no Campeonato Brasileiro, no Beira-Rio, e o lance que originou o gol foi motivo de polêmica. A Ponte acusa o Inter de falta de Fair Play. O Inter reclama que a Ponte fez cera. E o pior é que os dois têm razão.

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A Ponte Preta fazia uma ótima partida mesmo na casa do adversário. No primeiro tempo, teve um ótimo desempenho e discutivelmente foi o melhor time em campo. Na segunda etapa, o Inter tentou equilibrar mais e passou a ser melhor em alguns momentos, mas a Ponte, muito vertical e com um contra-ataque bem armado, foi perigosa. Os dois times poderiam ter marcado. E o torcedor do Inter sentia um calafrio a cada contra-ataque do time do interior paulista.

O empate por 0 a 0 se arrastava e, embora não fosse um bom resultado para nenhum dos dois times, ainda com sonhos de chegar ao G4, era a Ponte que parecia mais satisfeita. Assim, já aos 42 minutos, dois jogadores da Ponte estavam no chão. Um deles era Biro-Biro, um dos melhores atacantes do campeonato e destaque da Ponte. A sua queda parecia mais uma forma de ganhar tempo do que qualquer outra coisa. Alexandro jogou a bola para fora. O lateral William pegou a bola para cobrar. O técnico do Inter, Argel, pareceu, pelos gestos, instruir seu jogador a ir para o jogo, ou seja, não devolver a bola. Assim fez o Inter, o que gerou imediata reclamação de Biro-Biro, que estava fora de campo e reclamou com o técnico colorado. O técnico orientar os jogadores a seguir, não devolver a bola, também não parece a melhor atitude. E essa é uma discussão difícil, porque como saber quem finge lesão e quem não finge?

Foi justamente naquele ataque que saiu o gol de Vitinho. A bola foi para o lado esquerdo, chegou na ponta direita, depois sobrou para o meio e o atacante chutou no canto para marcar 1 a 0 e ir para a galera. Alguns jogadores da Ponte imediatamente reclamaram. O jogo ficou parado alguns minutos pela confusão, o que acabou também sendo prejudicial à Macaca. Vieram seis minutos de acréscimo, insuficientes para o time paulista conseguir o empate – embora quase tenha conseguido, em um lance no final do jogo, de Alexandro.

Depois do apito final, a confusão se formou. Biro-Biro, o mais revoltado, discutiu com Argel. Os jogadores trocaram gentilezas na descida para o vestiário e o árbitro da partida, Ricardo Marques Ribeiro, tratou de apaziguar os ânimos. Muita reclamação depois, os ânimos se acalmaram – ou ao menos não vimos mais nenhuma confusão, ficou para dentro das portas dos vestiários.

O caso é triste porque mostra os dois lados de algo ridículo. A Ponte, por um lado, tentando ganhar tempo usando como desculpa o Fair Play. Biro-Biro não pareceu ter nada, tanto que assim que o Inter não devolveu a bola, ele já estava totalmente desperto à beira do campo reclamando com Argel. O outro jogador parecia mesmo ter sentido, tanto que estava caído perto da área de defesa do time de Campinas. A Ponte jogou a bola para fora esperando que o Inter fosse obrigado a devolvê-la. Por seu lado, o Inter também tratou de não devolver, gerando ainda mais confusão. Um episódio onde todo mundo estava errado.

O árbitro têm poder de parar o jogo se achar que algum jogador precisa de atendimento médico ou precisa ser retirado de campo para isso. Então, o melhor é que os times sejam instruídos pelos seus técnicos a nunca jogarem a bola para fora, a não ser em condições excepcionais. O árbitro pode parar o jogo e normalmente o faz em casos graves. Infelizmente, muitas vezes não se sabe lidar com o Fair Play, nem com quem se machuca, nem com quem é adversário. Dá a impressão que todo mundo quer levar vantagem, o que não ajuda nada, nem ninguém, muito menos o campeonato.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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