Brasil

Tiago Nunes expõe que jogadores do Botafogo pediram ‘sequência fora’ do time por carga emocional de 2023

Após derrota de virada para o Vasco, o técnico Tiago Nunes confirmou que jogadores ainda sentem o peso emocional da perda do título do último Campeonato Brasileiro

O Botafogo viveu um roteiro já quase batido neste domingo (18). Depois de sair vencendo o Vasco, no Nilton Santos, pelo Campeonato Carioca, o Glorioso levou a virada e não conseguiu reagir na partida. Após a partida, o técnico Tiago Nunes admitiu os problemas emocionais do elenco, que se repetem desde o segundo semestre de 2023, quando o clube deixou escapar o título do Campeonato Brasileiro.

Mas, além de reconhecer que o time sucumbiu no clássico com o Vasco, o Tiago Nunes ainda expôs que alguns jogadores do elenco “pediram” para ter uma sequência fora do time, como uma forma de aliviar a pressão emocional que sofrem desde a última temporada.

— O professor Luís Castro, que teve muito sucesso aqui, levou quase um ano para levar o Botafogo a um nível competitivo que durou entre 5 e 6 meses. Durante esse ano o Botafogo oscilou até encaixar a equipe no início do Brasileiro. Depois a dificuldade emocional, sim. A gente não conseguiu repetir. A gente tem uma memória emocional do ano passado. Quando sofre revés como esse, volta tudo à tona — afirmou Tiago Nunes, antes de completar.

– Por mais que a gente tenha mudanças no elenco, o time titular é remanescente do ano passado. Vamos evoluir através da sequência de resultados positivos e também da chegada de jogadores para encorpar o grupo e não só o titular. Porque muitos jogadores estão pedindo para ter uma sequência fora da equipe, para parar de carregar essa carga emocional tão forte. Você tem que ter mais jogadores de um nível compatível para manter o Botafogo competindo em alto nível – disse o treinador do Botafogo.

O Botafogo fez reformulação considerável no elenco de 2023 para a atual temporada. No entanto, alguns jogadores seguem atuando com frequência nesta temporada, como Tchê Tchê, Marlon Freitas, Eduardo e Tiquinho Soares. Gatito Fernández, que foi reserva em 2023, virou titular com a lesão de John, que chegou com status de possível substituto de Lucas Perri. As únicas posições que não passaram por mudanças foram a lateral-esquerda, que continua com Hugo e Marçal como opções, e o centroavante Tiquinho Soares, que ainda não tem substituto para concorrer pela vaga time.

Sem ‘pedido formal' para sair do time

Depois de revelar que jogadores do atual elenco pediram uma sequência longe dos holofotes, Tiago Nunes voltou a ser questionado sobre o assunto e disse que este tipo de “pedido” não é feito com palavras. Mas reforçou que atletas tentam se livrar de “rótulos” que ficaram de 2023.

— Nós que somos pessoas do futebol e estamos há muito tempo, o futebol tem códigos e temos de respeitar. Depois de 20 anos convivendo com atletas, a gente sabe quando o atleta está no limite técnico, físico, mental, que precisa ter um descanso, sair um pouco da zona de alvo. Para se libertar de alguns rótulos que recebem durante o ano. Se pensarmos de forma racional, o grupo do Botafogo que construiu aquela fase maravilhosa ano passado era pequeno. Eram 13, 14,15 jogadores que rodavam o tempo todo. Não mudou muito isso. A gente mudou alguns, mas a grande parcela continua jogando e atravessando momento de que precisam de apoio — disse Tiago Nunes, antes de completar.

— E o apoio é nesse sentido, conseguir ter outros atletas que possam assumir o protagonismo, para que os outros possam se regenerar. O Botafogo está investindo num grupo. O crescimento do Botafogo está crescendo. Vai ser agora, amanhã? Não dá para mensurar isso. Existem código e códigos têm a ver com leitura, experiência.

Tiago Nunes diz que time sucumbiu emocionalmente

Neste domingo, mais uma vez o Botafogo não conseguiu segurar uma vitória. Depois de sair vencendo, levou o empate do Vasco ainda no primeiro tempo e acabou tomando a virada logo na volta do intervalo. Para o treinador, o time já sentiu o lado emocional mesmo no empate vascaíno.

— A partir do empate do Vasco, a gente sente bastante emocionalmente. A gente sucumbe emocionalmente. Sentimos no vestiário que os jogadores sentiram aquele momento. Tinha uma expectativa alta. E você sofre com 50 segundos um revés e desarticulou muito a equipe. O segundo e terceiro gols a gente entregou. Sofremos gols evitáveis. O quarto foi consequência. O que mais me preocupa é a questão da reação, a equipe sentiu o golpe num jogo controlado — disse Tiago Nunes.

Foto de Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues

Gabriel Rodrigues é jornalista formado pela UFF e soma passagens como repórter e editor de Lance!, Esporte News Mundo e Jogada10.
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