Brasil

Sem espaço para lamentações

A Revista Trivela de maio (ver blog no menu) ouviu dirigentes dos 20 clubes da Série A a fim de saber quais as pretensões de cada um na edição 2007 do Campeonato Brasileiro. Entre as opiniões, a de Ílton José da Costa, então gerente de futebol, apontava que o Corinthians objetivava o titulo. 38 rodadas, desde então se passaram, e o rebaixamento já é um fato consolidado no Parque São Jorge. Uma simples opinião, mas que ilustra com perfeição a dificuldade dos clubes brasileiros enxergarem sua própria realidade. A corintiana, no início do torneio nacional, era brigar, no máximo, por um lugar na Copa Sul-Americana.

A verdade dos fatos, por si só, já traz justiça ao rebaixamento corintiano. A incompetência – do clube, de todas as três direções que teve durante o ano, dos treinadores que passaram pelo Parque São Jorge e dos jogadores – foi irretocável. Durante o Campeonato Brasileiro, vários pontos foram jogados pela janela, assim como as muitas chances que a sorte(sim, o Corinthians teve muita sorte ao longo do torneio) proporcionou para que o clube se salvasse. Nas duas últimas rodadas, só era preciso fazer três pontos – o time de Nelsinho Baptista só somou um.

Em tais circunstâncias, é fora de propósito, para o torcedor corintiano, lamentar algo, senão a própria incompetência do clube e de quem esteve à frente dele. Ao fim da tarde deste domingo, ninguém é capaz de imaginar que Kia Joorabchian, Nesi Curi, Alberto Dualib, Renato Duprat, Paulo Angioni ou Boris Berezovski, em algum momento, lamentaram o rebaixamento corintiano. Os torcedores, organizados ou não, assim como a imprensa, que fizeram lobby pela MSI, devem assumir sua parcela de culpa, também.

E a atual direção, sobretudo Andrés Sanchez, deve ainda acatar certas responsabilidades. Ainda que esteja aparentemente dando alguns passos corretos no momento, o grupo que comanda o clube, hoje, está longe de ser uma oposição à antiga cúpula de Dualib e Curi. Por ora, não é justo e nem leal, ainda que entre gente de tal espécie, vir em público reclamar a herança maldita. Os herdeiros têm participação no que foi construído. Antoine Gebran, por exemplo, contratou Iran, Fábio Braz, Héverton e Amaral. Que culpa Alberto Dualib tem disso?

A conjuntura de fatores que rodearam o Parque São Jorge em 2007, recheado pelas investigações esclarecedoras da Polícia Federal e pela lamentável saída de Alberto Dualib, dá o tom das justificativas pelo rebaixamento. O clube, por mais grandioso que possa ser, mereceu e construiu o que está colhendo.

Renascer, na segunda divisão, será o que melhor pode acontecer ao clube. Imaginar que, caso se salvasse faria tudo diferente, soa como otimista demais. A receita, por incrível que pareça, vai ser a mestra que mostrava um horizonte interessante aos corintianos no fim de 2004. Escolher bem um treinador, lhe dar respaldo, saber aproveitar com inteligência os valores da base e montar um time combativo. Tudo isso, Tite proporcionava antes da chegada da MSI. Hoje, ironicamente, é o que o Corinthians precisará reconstruir. O rebaixamento, fica ainda mais claro, foi justíssimo.

Palmeiras sem Libertadores

No Parque Antártica, pela terceira vez no ano, o Palmeiras e Caio Júnior perderam a chance de ratificar a evolução e o trabalho sério que vêm fazendo no Parque Antártica. Sem a Libertadores, além da queda no orçamento para 2008, o clube acaba tendo questionado o projeto que conduziu, positivamente, em 2007.

O grande ponto negativo de Caio Júnior, com a eliminação, é que o Palmeiras continua um time emocionalmente instável e inseguro. Hesitante nos momentos decisivos, o alviverde perdeu quatro de seus últimos cinco jogos: retrospecto imperdoável para quem precisa se estabelecer. Caio, de méritos táticos, no planejamento, e no tato com o grupo, pecou nesse sentido. Faltou, ao seu time, o salto final que sobrou, por exemplo, ao Flamengo.

Refazer todo um planejamento em virtude de resultados específicos e nos momentos decisivos, porém, seria uma grande burrice. O elenco palmeirense, independente de Caio Júnior, tem seus méritos e alguns pontos interessantes. Traçar um perfil das carências, não só técnicas e táticas, deveria pautar a busca por reforços para 2008. Para triunfar, o Palmeiras não poderá mais, em nenhuma hipótese, ser um clube tão hesitante, em quem jamais pode se confiar.

As fragilidades mostradas por Caio Júnior, mesmo com um trabalho acima da média, podem e devem ser ponderadas. Ao se definir por sua permanência, o Palmeiras precisa ter a convicção suficiente de que irá, assim, até o fim de 2008. Continuar por continuar, aí sim, pode ser algo bastante perigoso. Há até nomes interessantes e acessíveis no mercado, o que pode atrapalhar a seqüência do treinador.

Adílson Baptista, Mano Menezes, Paulo Autuori e até mesmo Tite, eventualmente, teriam tarimba e condições suficientes de dar um upgrade ao projeto da cúpula que assumiu o clube em janeiro. Recomeçar novamente do zero, além de assumir uma falsa incapacidade própria, não é nada pertinente. Que se acuse o golpe e a derrota seja aceita.

Seleção do colunista

Nesta segunda, serão entregues a Bola de Prata e os prêmios oferecidos pela CBF. A coluna de futebol brasileiro, porém, se antecipa e dá a sua seleção do Campeonato Brasileiro de 2007.

Felipe (Corinthians); Leonardo Moura (Flamengo), Thiago Silva (Fluminense), Miranda (São Paulo) e Jorge Wagner (São Paulo); Hernanes (São Paulo), Charles (Cruzeiro), Thiago Neves (Fluminense) e Ibson (Flamengo); Acosta (Náutico) e Kléber Pereira (Santos).

Análises dos 20 clubes

Nas próximas colunas, até o fim do ano, a coluna analisa as temporadas dos 20 clubes que integraram a Série A em 2007.

Blog

O Campeonato Brasileiro terá, ainda, atenção especial no Papo de Craque, blog deste colunista. Ao longo dessa semana, haverá um conteúdo exclusivo sobre a Série A.
http://dassler.blogspot.com

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Equipe Trivela

A equipe da redação da Trivela, site especializado em futebol que desde 1998 traz informação e análise. Fale com a equipe ou mande sua sugestão de pauta: [email protected]

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