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Seleção jogará no Allianz Parque e voltará ao local de sua primeira partida em SP

O Allianz Parque é o estádio do momento no futebol brasileiro. A nova casa do Palmeiras tem causado uma verdadeira peregrinação alviverde e, elitização das arquibancadas à parte, ajuda o clube a manter a maior média de público do país em 2015. Já nesta semana, a CBF confirmou o primeiro jogo da seleção brasileira no estádio. No dia 7 de junho, a equipe de Dunga fará amistoso contra o México – em partida que contará com ingressos custando a partir de nada módicos R$ 100.

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O fato é que, arena nova ou não, a Seleção estará em solo especial. Afinal, no mesmo local é que disputou o seu primeiro jogo em São Paulo. O antigo Parque Antarctica recebeu o escrete nacional em 22 de outubro de 1922, na primeira vez em que a equipe mandou uma partida fora do Rio de Janeiro. O estádio, que fora desapossado do Germânia (atual Pinheiros) durante a Primeira Guerra Mundial e recebia jogos do Palestra Itália desde 1917, deu sorte. Sob o comando do técnico Clodô, o Brasil venceu a Argentina por 2 a 1 e manteve consigo a posse da Copa Roca. De virada, Brasileiro e Gambarotta anotaram os gols sobre a Albiceleste.

Autor do tento de empate, Brasileiro também se tornou o primeiro jogador da história a entrar como substituto na Seleção. Saiu do banco por uma fatalidade: o botafoguense Leite de Castro chocou a cabeça contra o argentino Celli e sofreu uma convulsão dentro de campo. Deixou o Parque Antarctica desacordado e, com a permissão do capitão rival Tesorieri, Brasileiro pôde substituí-lo. Aquele jogo, no entanto, foi disputado pelo segundo quadro do Brasil. Durante o mesmo 22 de outubro, os principais craques ganharam do Paraguai por 3 a 0 nas Laranjeiras, no jogo que decidiu o Campeonato Sul-Americano. Curiosamente, o único palestrino a jogar naquele dia, o atacante Heitor, estava no Rio de Janeiro e conquistou o segundo título continental para o país.

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A Seleção voltaria a jogar em São Paulo sete dias depois. Venceu o mesmo Paraguai por 3 a 0, no antigo Campo da Floresta – que atualmente abriga o Clube de Regatas do Tietê, na marginal. Já o Parque Antarctica recebeu mais quatro jogos da seleção brasileira. Em 1931, o Brasil goleou o Ferencvaros por 6 a 1, na estreia do garoto Domingos da Guia (o pai daquele que viria a ser o maior ídolo da história alviverde). Três anos depois, atropelou o próprio Palestra Itália por 4 a 1, com direito a um gol de Leônidas da Silva.

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Em fevereiro de 1940, em um jogo famoso pelo soco que o árbitro Juca da Praia deu no argentino Salomón durante discussão por um pênalti marcado, a equipe nacional empatou por 2 a 2 contra a Albiceleste, com dois gols de Leônidas. Por fim, a despedida do estádio veio de maneira melancólica, sete dias depois: vitória dos argentinos por 3 a 0, que ficaram com a taça da Copa Roca. No mês seguinte, os vizinhos ainda imporiam sobre o Brasil uma goleada por 6 a 1 em Buenos Aires, pior resultado da Seleção até os intragáveis 7 a 1 da Alemanha.

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A partir daquele ano, contudo, São Paulo ganhou o Pacaembu. Até cogitou-se que os dois jogos contra a Argentina acontecessem naquele que seria o maior estádio do país, mas as obras não ficariam prontas em tempo hábil. E as chances do Parque Antarctica diminuíram ainda mais depois da construção do Morumbi, nos anos 1960. Para, enfim, 75 anos depois, a seleção brasileira voltar àquela que foi sua primeira casa em São Paulo.

* Antes de realizar sua primeira partida, em 1914, a Seleção disputou jogos “extraoficiais” – considerados assim por representarem apenas combinados locais, e não uma confederação nacional, como ocorreu diante do Exeter City. Nesta pré-história, aconteceram quatro duelos na capital paulista: dois no Campo do Velódromo, no centro da cidade, e dois no Parque Antarctica. Lá, o combinado brasileiro perdeu dois confrontos com um combinado chileno.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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