BrasilEliminatórias da Copa

Ancelotti tem uma estratégia para consertar Seleção em período curto e traiçoeiro

Treinador precisará consolidar o Brasil em jogos pouco desafiadores antes da Copa

Aqui no Brasil reclama-se bastante sobre o formato maratona de classificação para a Copa do Mundo, com os 10 países da América do Sul se enfrentando em turno e returno. Mas a sua importância é impossível de negar.

Até 1996, quando iniciou o formato atual, havia intervalos de anos entre jogos competitivos das seleções. Durante as últimas três décadas, a situação tem sido outra — com jogos regulares e competitivos, as seleções têm renda garantida e a possibilidade de planejar e investir, por exemplo, na equipe sub-20.

Em consequência, os fracos ficaram mais fortes — um processo ilustrado melhor pelo Equador. Até 1996, a seleção equatoriana venceu um grande total de cinco jogos eliminatórios na sua história inteira. Agora, já se classificou para a sua quinta Copa do Mundo.

É um processo de classificação que virou tão competitivo — tem muitas vagas, sim, mas poucos jogos fáceis, especialmente fora de casa — deveria preparar bem os times para ter um bom desempenho no Mundial.

Deveria.

Mas não necessariamente faz, especialmente se o processo é tão mal conduzido como tem sido a história do Brasil nesta campanha atual.

Na confusão sobre a chegada (ou não) de Carlo Ancelotti, o reinado de Fernando Diniz parece um delírio. Tudo bem, entra Dorival Júnior, com bastante tempo para colocar ordem na casa. Não fez. Impressionante como um técnico com tanta experiência e competência com clubes no Brasil se revelou aquém da sua capacidade na seleção.

O problema aí foi o tempo jogado fora. O Dorival teve o luxo de várias semanas para treinar o time na Copa América do ano passado — com um saldo deprimente de evolução zero. E tudo que não aconteceu em anos agora o Ancelotti que que tenta consertar, com o relógio como grande adversário.

A primeira convocação foi na correria. Trabalhou o jogo com o Real Madrid no sábado, chegou ao Brasil no domingo, anunciou a lista na segunda-feira. Loucura!

A segunda tem mais tempo, mas enfrenta um outro problema. Tem pouca coisa para aprender. O Chile chega ao Rio na lanterna, sem esperanças e com um técnico interino, que confessa que armou o plantel pensando em 2027. Não deveria oferecer muita resistência. 

Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira
Carlo Ancelotti, técnico da seleção brasileira (Foto: Rafael Ribeiro/CBF)

E depois vem a visita para Bolívia, na altitude extrema. Trata-se de um jogo à parte, onde o objetivo principal é matar o tempo e rezar para o fim. Em termos táticos, não tem nada a ver com o desafio de preparar o time para disputar a Copa do Mundo.

Acontece, então, que o Ancelotti vai ter que usar amistosos — tantas vezes traiçoeiros — para consolidar o seu time. Somente vai ter as Datas Fifa de outubro, novembro e março. É muito pouco.

O que ajuda bastante é que o Ancelotti é um grande simplificador. Ele parte da ideia de que futebol é simples e procura iniciar com conceitos básicos de defender e atacar com eficiência. E agora fica claro como ele pretende abordar o desafio. 

Tem um núcleo de 14 ou 15 jogadores que fazem parte do grupo, está olhando e testando outros para completar. Por isso, imagino, que não tenha o Léo Ortiz nesta convocação. 

Tem Marquinhos e Gabriel Magalhães como os seus zagueiros fixos. Deu uma olhadinha no Leo Ortiz em junho, e agora quer conhecer o Fabrício Bruno. O Carleto tem, então, o seu núcleo e a sua periferia — e pouco tempo para juntá-los em um grupo capaz de ganhar a Copa.

Foto de Tim Vickery

Tim VickeryColaborador

Tim Vickery cobre futebol sul-americano para a BBC e a revista World Soccer desde 1997, além de escrever para a ESPN inglesa e aparecer semanalmente no programa Redação SporTV. Foi declarado Mestre de Jornalismo pela Comunique-se e, de vez em quando, fica olhando para o prêmio na tentativa de esquecer os últimos anos do Tottenham Hotspur

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