‘Coração do time’: Por que a liderança do São Paulo passa por esses dois nomes
Marcos Antônio e Danielzinho são decisivos para equipe paulista liderar o Brasileirão, seja no momento com ou sem bola
Um surpreendente líder surge no Brasileirão após cinco rodadas. Aproveitando a derrota do Palmeiras para o Vasco, o São Paulo tomou a ponta da tabela ao bater a Chapecoense na última quinta-feira (13). A equipe agora treinada por Roger Machado está invicta, com quatro vitórias e um empate, e muito disso passa por dois nomes.
Marcos Antônio, já um pilar do Tricolor no ano passado, e Danielzinho, contratado para esta temporada, foram definidos pelo novo técnico como o “coração” do time — juntamente com Damian Bobadilla. Eles têm sido decisivos para o estilo de jogo são-paulino.
O ex-Mirassol é o volante mais recuado, enquanto MA atua mais à esquerda e o paraguaio à direita. A questão é que, especialmente entre os dois primeiros, há muita troca de posição e uma participação essencial em fazer o São Paulo jogar. A Trivela analisa o impacto da dupla no time, legado de Hernan Crespo que foi mantido na primeira partida de Roger.

Marcos Antônio e Danielzinho impactam São Paulo nas duas áreas
A formação atual do time do Morumbi tem sido um 4-3-1-2, implementada por Hernan Crespo no início deste ano e, como indicou na apresentação, Roger Machado tem tudo para essa ser sua estrutura, usada em sua estreia.
Nessa estrutura, os dois meio-campistas, desde o início da fase ofensiva do São Paulo, são decisivos. Danielzinho, como camisa 5, afunda para apoiar os zagueiros e Marcos Antônio também desce para que o time saia jogando limpo e com qualidade desde a defesa.

Pela capacidade dos dois girarem sobre a marcação e darem passes verticais, dão a possibilidade do Tricolor sair do campo defensivo para já criar uma chance de finalização caso a linha do adversário esteja alta.
Quando encontram o adversário mais recuado, em bloco baixo, a partir do grande círculo, entra a grande influência dos dois. Vendo o jogo de frente, com menos marcação, distribuem lançamentos, passes pelo chão em profundidade e infiltram como elemento surpresa na área.
— Danielzinho e Marcos Antônio, conceitualmente, são um ‘Luciano atrás’. São os anárquicos que vão, têm que ocupar o lugar, começam a passar a bola de um lado para o outro, na frente podem ser grandes passadores — analisou Crespo em fevereiro.
— Todo mundo tenta se adaptar às características de Marcos Antônio. Encontramos em Danielzinho uma química natural entre os dois. Essas associações que eles criam, que não têm dificuldades para jogar para frente ou para trás, e o time não perde em qualidade — completou.
Frente à Chapecoense, Marcos Antônio mostrou o quanto se aproveita quando tem espaço na entrada da área. Em sobra de escanteio, ele ajeitou e deu uma fatiada perfeita para Luciano só decidir onde iria seu cabeceio, terminando em gol no começo do segundo tempo. Pouco depois, mais à esquerda da entrada da área, lançou uma cavadinha na área para Luciano ajeitar para Bobadilla antes de Calleri marcar.
⚙️ O gol de Luciano com um lindo passe de Marcos Antonio!
— São Paulo FC (@SaoPauloFC) March 13, 2026
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🦉⚽️ Toca nele que é gol!!!!
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O meia terminou a partida com mais de 70 ações com bola e 87% dos passes certos, além de um gol anulado por impedimento, mostrando que tem pisado mais na área e querendo evoluir em uma rara lacuna, a finalização. “O Marcos jogou de terno, jogou muito“, elogiou Roger Machado em entrevista coletiva após a vitória.
— O meio com o Marcos foi muito importante. Interminável a sua energia. Com o passar do tempo de jogo, você vai vendo que a energia não é mais a mesma. A impressão que se deu de fora é que era a mesma energia — completou.
Danielzinho não ficou para trás, citado pelo técnico como quem “controlou o meio como ninguém“. O camisa 94 teve ainda mais toques na bola que MA (96) e esteve em todo lugar do campo, apoiando quem recebesse a bola para ser uma opção de passe sempre.
Como de praxe, também teve uma participação defensiva importante no pós-perda são-paulino por sua intensidade e dinâmica, essencial em recuperações de bola e desarmes, assim como Marcos.
O ex-Mirassol ainda mostra uma faceta interessante de infiltrar e pisar na área, mesmo que, em teoria, seja o primeiro volante. Foi assim, em lançamento na medida de Marcos Antônio, que ele surgiu para sofrer pênalti na vitória sobre o Grêmio. Na estreia do Brasileirão, pintou na pequena área para pegar rebote e dar três pontos contra o Flamengo.

Alguns números que ilustram a participação decisiva da dupla no momento do São Paulo foram divulgados pelo “SofaScore”. Entre meio-campistas do Brasileirão, só Marcos Antônio e Danielzinho somam mais de 500 passes certos, 15 passes decisivos e 50 bolas recuperadas em 2026. O time paulista jogou 15 vezes este ano, o camisa 8 esteve em 14 partidas e o colega, em 13.
— Esses jogadores são o coração do meio de campo. Para que eu tenha três jogadores à frente com capacidade de artilharia [Lucas, Luciano e Calleri], preciso de um tripé de meio muito forte — exaltou Roger Machado.
— Como não tenho um meia de ligação para esse modelo, eu preciso de jogadores que tenham a capacidade física de terem desgastes muito grandes no jogo, mas que tenham também capacidade técnica para articular como meias — completou, em outra resposta.
Números dos meio-campistas na temporada 2026
| Jogador | Jogos | Passes certos | Passes decisivos | Lançamentos certos | Desarmes |
|---|---|---|---|---|---|
| Marcos Antônio | 14 | 643 | 18 | 41 | 13 |
| Danielzinho | 13 | 571 | 18 | 34 | 13 |
Fonte: SofaScore
Bobadilla também tem sua importância como um dos que trazem equilíbrio ao time por sua intensidade e entrega, como Crespo detalhou no último mês. Seu papel, porém, acaba menor que o dos companheiros. Em alguns momentos, o paraguaio pode ser substituído por Pablo Maia, que vira número 5 e dá mais liberdade a Danielzinho.
— O trabalho que fez o Bobadilla permite que o Marcos Antônio faça isso. O Bobadilla e o Danielzinho dão equilíbrio. É um trabalho que é aplaudido poucas vezes — disse o ex-técnico são-paulino.
O São Paulo que visita o Red Bull Bragantino neste domingo (15), pela sexta rodada do Brasileirão, sabe o quanto precisa, mais do que ninguém, de que seus meias tenham espaço e chance de influenciar no jogo do time. Assim, Luciano, Calleri, Lucas e outros podem ser potencializados para decidir no ataque.



