O que você precisa saber sobre o fundo criado pelo São Paulo para captar R$ 240 milhões
Conselho Deliberativo aprova proposta de criação de fundo para melhorar saúde financeira do clube
O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou a proposta da diretoria para a criação de um fundo de investimentos que pretende captar R$ 240 milhões que serão destinados para sanar as dificuldades financeiras do clube.
Ao todo, 225 conselheiros participaram da votação. A aprovação teve 82,22% (185) dos votos, contra 17,78% (40) de votos desfavoráveis à proposta.
Abaixo, a Trivela responde as principais perguntas sobre o fundo de investimentos do São Paulo.
Por que o São Paulo criou um fundo de investimentos?
A criação do fundo de investimentos faz parte de um projeto da diretoria para melhorar a saúde financeira do clube.
Julio Casares pretende mudar o perfil da dívida do São Paulo e sanar, especialmente, os débitos a curto prazo e com juros altos, que consomem entre R$ 38 e R$ 48 milhões anuais dos cofres do clube.
A ideia é que o clube pague as dívidas mais antigas e concentre os seus débitos em apenas um credor.
Além disso, a previsão é de que o São Paulo aumente as fontes de capital de giro, para ter dinheiro em caixa.
— O fundo é o instrumento que precisávamos para que o Clube possa começar a sanar as dívidas atualmente existentes e que dificultam e atrapalham o fluxo de caixa, com juros altos e vencimento de curto prazo.
— Conseguiremos reduzir o custo e preparar o clube para o seu centenário com uma gestão mais sustentável, o que possibilitará maior capacidade de competir com adversários com mais poder financeiro. Teremos um choque de gestão e, já vamos implementar também um comitê orçamentário para acompanhar o fluxo do São Paulo — Julio Casares.
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Qual é a dívida do São Paulo hoje?
Conforme balanço divulgado ao final de 2023, a dívida líquida total do São Paulo é de R$ 856 milhões.
Como funciona o fundo?
O fundo pretende captar R$ 240 milhões provenientes de recursos externos. Para isso, o fundo oferecerá cotas que podem ser adquiridas por investidores.
O fundo irá adquirir valores referentes a negociações de direitos de transmissão, naming rights, patrocínios. Dessa forma, o São Paulo consegue antecipar o recebimento destes valores para colocá-los em caixa de maneira mais rápida.
Na prática, o Tricolor usará o fundo para pegar empréstimos com terceiros. O prazo para pagamento com juros será de quatro anos e meio, com vencimento em dezembro de 2028.
Os valores captados serão utilizados para sanar dívidas — principalmente a curto prazo — e equilibrar o fluxo de caixa do clube.
O Tricolor oferecerá uma série de garantias aos investidores, como contratos de patrocínio, licenciamentos de marca, direitos de transmissão e vendas de jogadores.
Publicado por @trivelafutebolVer no Threads
Quais são as obrigações do São Paulo?
Com a criação do fundo, o São Paulo terá de cumprir e se adequar a algumas regras de governança estipuladas no contrato com as empresas gestoras, conforme noticiado pelo ge. São elas:
- Limite de até R$ 350 milhões anuais para gastos com futebol, ou no máximo 50% de sua receita bruta anual — o menor destes valores;
- Há limite para gastos com salários de funcionários da administração do clube: R$ 25 milhões, ou no máximo 4% da receita bruta anual — o menor destes valores;
- Clube só poderá contrair novas dívidas em valor superior a R$ 10 milhões em um mesmo trimestre com aprovação do comitê de gestores do fundo;
- Veto para cessão de receitas futuras do clube sem autorização do fundo;
- Obrigação de apresentar lucro ao final de todos os anos a partir de 31 de dezembro de 2025.

Quais são as empresas parceiras do São Paulo?
A Galapagos Capital é uma gestora de investimentos global que conta com mais de 400 profissionais em 11 escritórios no Brasil, um em Miami, nos Estados Unidos, e outro em Genebra, na Suíça.
A empresa tem uma cartela de 50 mil clientes investidores e gere um total de R$ 21 bilhões.
Já a OutField Inc é uma gestora de investimentos focada no esporte e no entretenimento. A empresa tem em seu portfólio clientes como a New Balance, a unilever, o Banco BMG, o Flamengo e o Red Bull Bragantino.
Além de ter investimentos em mais de 10 empresas destes setores, dois clubes de futebol (SAFs) e gerir fundos de investimento com mais de R$ 200 milhões sob gestão.



