Brasil

Santos promove a integração e jogadores entram em campo com crianças refugiadas

Santos e Flamengo fizeram nesta quarta um dos melhores duelos de um Campeonato Brasileiro de tantos bons jogos. Os 27 mil presentes no Pacaembu certamente saíram satisfeitos com o que viram – à parte, é claro, dos flamenguistas insatisfeitos com a derrota cedida nos minutos finais. Foi uma partida com intensidade de ambos os times, chances de gols e uma virada emocionante do Peixe para arrancar o triunfo por 3 a 2, vital na briga pelas primeiras posições da tabela. A noite, de qualquer forma, não se resumiu aos 90 minutos de bola rolando. A paixão dos alvinegros exalou, especialmente pelo belíssimo bandeirão com o escudo do clube, estendido no tobogã antes do pontapé inicial. E houve espaço também para a solidariedade, em ação promovida pelos anfitriões.

Os jogadores do Santos entraram em campo de mãos dadas com crianças escolhidas especialmente para ocasião. Eram meninos e meninas que vivem como refugiados no Brasil. “Eles chegaram acompanhados de seus pais, tendo sido forçados a deixar seus países de origem por temores de perseguição relacionados à raça, nacionalidade, religião, grupo social ou opinião política”, salientou o Santos, em nota publicada por seu site. Os 20 mascotes, com idades entre 6 e 11 anos, nasceram em três países diferentes: Angola, República Democrática do Congo e Síria.

Além de proporcionar uma alegria às crianças e oferecer espaço a um debate pertinente, o Santos também ajudou a divulgar a quarta edição da Copa dos Refugiados. O torneio é organizado em parceira entre a ACNUR (a Agência da ONU para Refugiados) e a ONG África do Coração, reunindo 16 times formados por refugiados de diferentes nacionalidades que residem no Brasil. A competição acontecerá em São Paulo, nos dias 13, 20 e 27 de agosto. Em 2016, o número total de refugiados registrado no país cresceu 12% – segundo dados do Ministério da Justiça. São 9.552 pessoas reconhecidas em situação de refúgio no Brasil, de 82 nacionalidades diferentes.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que o Santos promove ações do tipo. Naquela que foi uma das mais significativas, em outubro de 2015, o clube abriu os portões da Vila Belmiro para 100 refugiados sírios, durante duelo contra o Internacional, pelo Campeonato Brasileiro. Os felizardos não deixaram de demonstrar sua empolgação e sua gratidão com o Peixe.

As fotos são de Ivan Storti, do Santos Futebol Clube.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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