BrasilBrasileirão Série A

[Vídeo] Assim foi a tarde de paz que os refugiados sírios viveram na Vila Belmiro

O Santos conquistou tudo o que podia durante a década de 1960. Entretanto, os alvinegros se orgulham de um episódio extracampo tanto quanto das taças que ergueu. Em 1969, o time de Pelé, Edu, Gylmar estava em excursão pela África e iria disputar um amistoso na Nigéria. Um evento de tamanho impacto que paralisou a Guerra do Biafra, iniciada dois anos antes, apenas para que a população assistisse ao esquadrão do Peixe. O governo local decretou feriado, dando as garantias de segurança ao elenco santista, e liberou o trânsito da população sobre a ponte que ligava as cidades de Benin e Sapele. Partida que segue eternizada no imaginário popular santista. E que serve de inspiração à solidariedade neste momento.

No último final de semana, o Santos abraçou os refugiados sírios que se abrigam no Brasil para escapar da sangrenta guerra civil que acontece em seu país. A acolhida alvinegra ofereceu 100 ingressos para o jogo contra o Internacional, além de oferecer alimentação e uma visita pelas instalações do clube. Gesto de fraternidade simbolizado principalmente por Maleck Denrani, garoto de nove anos que entrou em campo ao lado do meia Renato e voltou às arquibancadas eufórico pelo momento.

A ação do Santos aconteceu em parceira com a ONG Oasis Solidário, que ajuda os refugiados no Brasil. “Principalmente para as crianças, o trauma é muito grande. Elas se escondem quando escutam rojões, estão tendo tratamento psicológico e psiquiátrico. Tiveram suas casas destruídas, tudo muito difícil. Hoje é dia de alegria, festa, tenho certeza que todos aqui vão se lembrar para sempre. Só temos que agradecer ao Santos”, declarou Mohammed El Kadre, relações públicas da Oasis. Iniciativa simples, mas de grande valor.

Nesta quinta, o Santos divulgou o vídeo do dia vivido pelos sírios na Vila Belmiro. Assista:

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo