Brasil

Santo André calou o Maracanã na final da Copa do Brasil de 2004 e endossou o ano das zebras há 20 anos

Time treinado por Péricles Chamusca foi valente e eliminou o Palmeiras na semifinal daquela competição

O ano de 2004 foi marcado por diversas zebras ao no planeta bola, seja dentro do futebol brasileiro, que teve o São Caetano como grande campeão estadual diante do Paulista de Jundiaí, na segunda edição da “final caipira”, ou mesmo em âmbito internacional, com vários campeões inusitados no restante do mundo. Neste artigo a Trivela relembra um dos campeões mais alternativos da história do futebol brasileiro, o Santo André, que calou o Maracanã lotado e venceu a Copa do Brasil pela primeira vez em sua história.

O Ramalhão era treinado por Péricles Chamusca e era formado por jogadores de muita qualidade, como Ramalho, Sandro Gaúcho, que foi um dos artilheiros daquela competição, Élvis, que na época era um ótimo meio-campo e o experiente Romerito, fundamental na conquista daquela competição.

A “Copa das Surpresas”

A Copa do Brasil de 2004 foi marcada por outra grande surpresa naquela edição que foi a participação do XV de Novembro de Campo Bom, do Rio Grande do Sul., time que era treinado por Mano Menezes e eliminou o Vasco em pleno Estádio São Januário por 3 x 0.

Uma das semifinais da Copa do Brasil daquele ano foi a disputa emocionante entre o Santo André e o XV de Novembro, que fizeram seus confrontos de ida e volta fora de seus estádios. O Ramalhão mandou o seu jogo no Pacaembu, perdendo por 3 x 1 e o time gaúcho mandou a partida de volta no Estádio Olímpico, casa do Grêmio, posteriormente contrataria Mano Menezes como seu treinador.

Outra grata surpresa daquela edição da Copa do Brasil daquele ano foi o Palmas, time do Tocantins, que eliminou o Remo na primeira fase, após perder o jogo de ida por 2 x 1, mas vencer na volta por 3 x 1 e depois passar pelo Nacional-AM na segunda fase e pelo Gama nas oitavas de final.

Outro fato inusitado que marcou bastante aquela edição da Copa do Brasil foi a eliminação do Barra do Garças, ainda na primeira fase. O time mato-grossense escalou jogadores de forma irregular em sua estreia diante do Santa Cruz-PE e foi automaticamente sacado do torneio.

Campanha histórica do Santo André

A estreia do Santo André na Copa do Brasil 2004 aconteceu diante do Novo Horizonte de Goiás. Na época o time visitante que vencesse por mais de dois gols de diferença na casa do adversário eliminaria o jogo de volta. E o Ramalhão deu show, goleando o time goiano pelo placar de 5 x 0 e seguindo para a segunda fase da competição de forma automática. Na sequência do torneio, a primeira grande façanha do Santo André. Os comandados de Péricles Chamusca teriam o Atlético-MG pela frente.

Nem mesmo o tamanho do Galo Mineiro intimidou o time do Santo André, que apresentando um futebol muito consciente e eficiente, venceu com tranquilidade a equipe Alvinegra pelo placar de 3 x 0 em jogo disputado no Estádio Bruno José Daniel. Na volta, o Atlético-MG foi para cima e chegou a vencer por 2 x 0, mas não foi o suficiente para eliminar o Ramalhão, que seguiu fazendo história no milionário torneio da CBF.

Na sequência, o Santo André enfrentou mais um time campeão brasileiro. O adversário das oitavas de final foi o Guarani, que nas fases anteriores passou pelo União Cacoalense de Rondônia e pelo América-MG. Seria mais um grande teste ao Ramalhão. Em dois jogos dois empates. Na ida em Campinas, as equipes ficaram no 1 x 1 e na volta, o placar zerado deu a classificação ao time do ABC Paulista por conta da antiga regra do gol marcando fora de casa.

O “milagre do Parque Antártica”

Quem via o Santo André jogar, sabia que o time orquestrado por Sandro Gaúcho, Élvis e companhia era muito perigoso. Uma das principais armas daquele time eram as bolas aéreas, que foram fundamentais para a classificação da equipe diante do Palmeiras nas quartas de final daquela edição da Copa do Brasil. A mídia da época apontava o Verdão como franco favorito à classificação, mas pedia atenção para as cobranças de falta e jogadas de escanteio, que era um ponto defeituoso no sistema defensivo do time da capital.

No confronto de ida, disputado no Estádio Bruno José Daniel, Santo André e Palmeiras realizaram um grande jogo, com os dois times jogando de forma aberta e marcando quatro gols ainda no primeiro tempo. Aos 14 minutos do primeiro tempo, Magrão desviou de cabeça e Diego Souza abriu o placar para o Alviverde. Mesmo com a desvantagem no placar, o Ramalhão foi ataque e empatou o jogo com Osmar, que chutou de longe e encobriu o goleiro Marcos.

Muñoz cobrou pênalti e marcou o segundo gol do Palmeiras no jogo. Nos minutos finais do primeiro tempo, Barbieri cobrou falta, a bola desviou em Diego Souza e encobriu Marcos, era o empate do Santo André no jogo. No segundo tempo, o Ramalhão marcou o terceiro gol e virou o placar com Sandro Gaúcho, que aproveitou bom cruzamento de Osmar e tocou no canto do goleiro palmeirense. Aos 25 da etapa complementar, foi a vez do Palmeiras conseguir igualar o marcador com Leonardo, que aproveitou mais uma bola aérea para deixer tudo igual no primeiro jogo das quartas.

Pela quantidade de gols que marcou no jogo de ida, o Palmeiras estava em uma condição favorável no confronto da volta diante do Santo André. Não só por estar jogando em casa, mas também pela vantagem de empatar em até por 2 x 2 que ainda, sim, garantiria a vaga para as semifinais por conta do regulamento do gol fora de casa. Mas o jogo de volta entre o Verdão e o Ramalhão reservaria muitas surpresas, tanto para o torcedor da capital, mas principalmente para o apaixonado torcedor do time do ABC Paulista.

Mesmo fora de casa, o Santo André não se intimidou com o Palmeiras e abriu o marcador aos 12 minutos de jogo no Parque Antártica. Sandro Gaúcho aproveitou cruzamento na área após cobrança de escanteio e se antecipou a defesa para marcar o primeiro gol do jogo. Dois minutos mais tarde, o Verdão chegou ao empate com Marcinho. O volante palmeirense arriscou de longe, a bola desviou em Vágner Love e enganou o goleiro Júnior.

Aos 17 minutos, Corrêa virou o jogo para o Palmeiras após bela jogada de Lúcio, que cruzou na medida para o meia, que de peixinho mandou para o fundo do gol. O Ramalhão voltou a empatar o eletrizante confronto aos 20 da primeira etapa. Osmar, que depois iria jogar no próprio Palmeiras, aproveitou mais um lançamento na área e de cabeça mandou a bola para as redes do Verdão. Em mais um lance de bola parada, o Alviverde chegaria ao seu terceiro gol no jogo. Aos 39 minutos, Baiano cobrou falta com perfeição e marcou um golaço acertando o ângulo do bom goleiro Júnior.

No segundo tempo, o Palmeiras marcou o quarto gol no jogo com Vágner Love, que aproveitou sobra de bola dentro da área e aumentou a vantagem do Alviverde para 4 x 2. Nem o mais otimista torcedor do Santo André iria imaginar que o Ramalhão teria forças para reagir. Entretanto, em uma demonstração histórica de resiliência, o time do ABC Paulista se aproveitou de sua melhor arma, as bolas aéreas, para conseguir arrancar um empate milagroso.

Aos 34 minutos, Sandro Gaúcho aproveitou falta cobrada na área e subiu na frente do goleiro Marcos para diminuir o marcador para 4 x 3. Era necessário apenas mais um gol para o Santo André virar a eliminatória e passar a quantidade de gols marcados fora de casa que sofreu no primeiro jogo. Foi quando Tássio, aos 45 minutos da etapa complementar, marcou de cabeça após mais uma bola na área e fez explodir de alegria o torcedor do Ramalhão e de tristeza e indignação o público Alviverde presente no Parque Antártica.

A semifinal surpreendente

A campanha do Santo André por si só já chamava a atenção pelos feitos diante do Atlético-MG e frente ao Palmeiras. Mas poucos poderiam imaginar o trabalho que o Ramalhão teria diante de outra surpresa daquela competição. O XV de Novembro de Mano Menezes que nas fases anteriores bateu a Portuguesa Santista, o Vasco da Gama, o Americano de Campos e o Palmas.

Na ida, disputada no Pacaembu, o Santo André foi surpreendido por um organizado time gaúcho, que abriu 4 x 1 no marcador. O Ramalhão foi buscar o resultado e diminuiu para 4 x 3, deixando o confronto da volta em aberto. No segundo jogo, o Santo André jogou muito mais do que no jogo da ida, colocou o XV de Novembro na roda, venceu por 3 x 1 e chocou o país ao chegar na final da Copa do Brasil para enfrentar o Flamengo.

Aproveitamento fora de casa foi fundamental para o título do Ramalhão

Os jogos fora de casa do Santo André era um ponto que chamava a atenção de toda a mídia esportiva da época. Mesmo sem jogar tão bem em casa, o Ramalhão ia melhor na casa do adversário e assim deixou o futebol brasileiro estarrecido quando superou o todo-poderoso Rubro Negro carioca na final da milionária competição da CBF.

No confronto de ida, realizado no Parque Antártica, os times ficaram no empate por 2 x 2, com a bola parada do Santo André mais uma vez fazendo a diferença e interferindo no resultado da partida. Na volta, a mesma jogada aérea abriu o caminho do título do Ramalhão quando Sandro Gaúcho, aos sete minutos, subiu mais alto do que todo mundo e marcou o primeiro gol diante do Flamengo. Élvis, 15 minutos mais tarde, em belo contra-ataque, marcou o segundo do time do ABC, calando o Maracanã e marcando a cidade de Santo André na história do futebol.

Foto de Lucas de Souza

Lucas de Souza

Esse é Lucas de Souza, redator e repórter do Futebol na Veia e da Trivela. Jornalista especializado em Marketing digital é também narrador do Portal Futebol Interior e da RP2Marketing.
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