‘O Agente Secreto’: Entenda as referências ao Santa Cruz no filme cotado ao Oscar
Clube pernambucano aparece em diferentes momentos do longa, criado pelo pernambucano Kleber Mendonça Filho
Representante brasileiro no Oscar, o filme “O Agente Secreto” (2025) acontece no Recife, na década de 1970, trazendo contextos sociais, culturais e políticos. Entre eles, o futebol local, com referências ao Santa Cruz, um dos integrantes do Trio de Ferro de Pernambuco.
O enredo conta a história de Marcelo (Wagner Moura), um professor de tecnologia que se muda de São Paulo para Recife em 1977, na tentativa de escapar dos agentes do governo durante a ditadura militar.
O longa traz diferentes referências ao Tricolor pernambucano, seja durante a narração do jogo de futebol na rádio, ou até mesmo no Carnaval, quando o filme retrata o frevo com um membro da orquestra vestindo a camisa coral.
A trama do diretor Kleber Mendonça Filho — por sinal, torcedor do Náutico — detalha a relação entre o projecionista Seu Alexandre (interpretado pelo ator Carlos Francisco), tricolor que vive fervorosamente uma das melhores campanhas da história do Santa Cruz.
Naquele ano, o Mais Querido da Multidão consagrou uma das suas campanhas mais memoráveis, terminando em 10º lugar no Campeonato Brasileiro entre os 62 clubes e dando início a segunda maior invencibilidade da história da competição, que durou 35 jogos até o ano seguinte.
O Santa Cruz vivia uma década de ouro nos anos 70, que também teve o quarto lugar no Brasileiro em 1975 e o tetracampeonato estadual. Em 1977, o clube contava com um elenco que contemplava jogadores como Nunes, Pio, Givanildo e Mazinho, sob o comando técnico de Evaristo de Macedo, lenda do futebol pernambucano.
Com o clube vivendo uma fase memorável, Seu Alexandre participa de um diálogo com um funcionário do emblemático Cinema São Luiz. Na ocasião, o projetista promete pagar uma cerveja caso o Tricolor vença uma partida, e assim o faz.
Filme tem Bajado, o pintor que retratou o futebol pernambucano
Mas para além da trajetória tricolor em campo, “O Agente Secreto” também faz referência a um dos grandes artistas da história de Pernambuco: Euclides Francisco Amâncio, o eterno Bajado, que teve como uma de suas maiores inspirações o futebol. Um de seus quadros também aparecem na casa do personagem Marcelo.
Tricolor de corpo e alma, o pintor retratou o esporte mais popular do país imerso na cultura do estado, sendo a maioria delas com referência às cores do Santa Cruz, mas com algumas de suas obras dando espaço para os rivais Náutico e Sport.

Nascido na Zona da Mata, Bajado se mudou para a cidade de Olinda em 1933, onde passou a representar cenas do cotidiano, especialmente o Carnaval. Suas obras ficaram mais conhecidas a partir da década de 70, mas não o suficiente para que o artista ganhasse muito dinheiro.
Foi só com a paixão pelo futebol que encontrou uma forma de aumentar as vendas, como contou em declaração à “TV Viva”, no ano de 1984: “Quando eu estava liso, eu fazia o quadro do Santa Cruz (risos), aí eu vendia tudo“. Bajado faleceu em 15 de novembro de 1996, com um legado imensurável para a cultura pernambucana e brasileira.



