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Rodrigo Caio ganha chance de mostrar sua qualidade no Flamengo, mas terá pressão pelo preço que custou

O Flamengo fez a sua primeira contratação na nova gestão, e pagou alto por ele. Rodrigo Caio chega do São Paulo por € 5 milhões (cerca de R$ 22 milhões) por 45% dos direitos do zagueiro, que estava cotado para ir à Copa do Mundo 2018 pelas mãos do técnico Tite – mesmo sem fazer por merecer neste último ano e meio em campo. O jogador, de 25 anos, ganha uma grande chance em um dos melhores times do país, sedente por títulos. O seu alto preço será uma pressão adicional em um clube que já vive imensa panela de pressão pela falta de títulos relevantes.

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Na negociação, o São Paulo mantém 45% dos direitos do jogador, que assinou contrato até 2023 com o Flamengo, e o próprio zagueiro tem 10%. O Flamengo poderá comprar parte dos direitos do São Paulo em duas cláusulas de bônus anuais por rendimento, cada uma custando € 1 milhão por 15%. Se essas duas cláusulas forem cumpridas, em dois anos o Flamengo passa a ter 75% dos direitos do jogador, o São Paulo manteria 15% e o jogador continuaria com 10%.

O São Paulo esperava vender Rodrigo Caio por um valor maior até 2017, mas a desvalorização do jogador, em um ano de mais lesões e de baixo rendimento em campo fizeram com que o pedido inicial pelo zagueiro, que era de € 15 milhões em anos anteriores, caísse. Sem clima para jogar no clube, onde Rodrigo Caio já tinha sido rotulado de zagueiro de condomínio por um diretor (que acabou sendo tirado do cargo) e perseguido por parte da torcida especialmente depois do episódio de Fair Play com Jô, do Corinthians, no Paulista de 2017, o jogador já tinha declarado que seu ciclo no clube estava no fim.

Rodrigo Caio se tornou uma espécie de porta-voz do fracasso do São Paulo nos últimos anos. Diante de maus resultados e crises constantes do clube, o zagueiro, um dos principais jogadores em muitos times fracos, era quem sempre se apresentava para dar entrevistas. Soma-se a isso a queda de rendimento em campo, além do citado episódio de Fair Play, e o caldo ferveu. Em 2018, depois de se lesionar no começo do Campeonato Brasileiro, viu os companheiros estarem em melhor fase. Bruno Alves, Robert Arboleda e Anderson Martins se revezaram como titulares durante todo o campeonato, sem dar espaço para o jogador formado em casa.

Com tudo isso, a transferência frustrada para o Barcelona, depois de fazer exames médicos – mas sempre como segunda opção, como ficou claro depois da contratação de Jeison Murillo, reserva do Valencia -, parecia até o famoso “cair para cima”. O jogador não vinha mostrando o suficiente para isso. Rodrigo Caio sai por menos do que o São Paulo queria vender, mas o Flamengo paga mais caro do que gostaria por um zagueiro que ainda viverá sob a desconfiança que passou a pairar sobre ele desde que perdeu rendimento pelo São Paulo. No Flamengo, deve ter a chance de ser titular e com um técnico que, além de conhecer bem a posição, por ter atuado nela, é conhecido por suas qualidades como gestor de elenco: Abel Braga. Além disso, é um jogador que se encaixa no estilo de jogo que o Flamengo parece querer desenvolver.

Com boa saída de bola e ótimo jogo aéreo, mesmo não sendo um zagueiro alto como Réver e Rhodolfo (tem 1,82 metro de altura, enquanto Réver tem 1,92 metro e Rhodolfo tem 1,94 metro), Rodrigo Caio tem potencial para ser um jogador muito melhor do que vinha sendo. Em um novo ambiente, tem capacidade de ser jogador de alto nível, especialmente no Brasil. É rápido, característica importante para agregar aos jogadores da posição que o Flamengo tem, além de ter personalidade.

Os rótulos atribuídos a Rodrigo Caio por vezes foram injustos e o jogador, apesar de jovem, sempre foi um dos que assumiu a bronca nos piores momentos do São Paulo. Pode ajudar a organizar o time defensivamente, ainda mais com outros dois zagueiros tão jovens como Léo Duarte e Thuler. Pode formar dupla com Léo Duarte, que foi titular em boa parte do Brasileiro e tem potencial maior que o de Rhodolfo, que não vingou como o esperado no clube da Gávea- e de quem foi companheiro nos tempos de São Paulo.

Se o São Paulo recebeu menos do que esperava e o Flamengo pagou mais do que gostaria, o maior beneficiado pela transferência é o próprio Rodrigo Caio, que ganhará uma chance de jogar em um time que disputa título, de grande torcida e estrutura e que pode alça-lo de volta ao patamar dos grandes da posição no país. Dependerá muito do seu próprio rendimento. Poderá fazer com que o alto dinheiro gasto pelo Flamengo se torne um bom investimento e até que renda ainda mais em uma potencial venda. Qualidades como jogador ele tem, já mostrou e precisará mostrar novamente para resgatar o bom momento.

O interesse de times europeus no jogador vinha de mercados periféricos, mas existia, o que indica que pode ser interessante financeiramente ao Flamengo. O que não quer dizer que não seja uma aposta. Rodrigo Caio chega em baixa, precisando mostrar serviço e sob desconfiança de muita gente, da torcida e da crítica. Rodrigo Caio precisará mostrar em campo que pode ser o jogador que se esperava que ele fosse desde que surgiu no São Paulo e brilhou por seleções de base.

O Flamengo segue tendo necessidade de contratar outros jogadores e certamente precisará reforçar o time pensando na temporada 2019. Com todas as ressalvas, Rodrigo Caio é um bom reforço. Pode ser um jogador importante. Ao lado de Abel Braga, pode voltar a sonhar alto. É o que o Flamengo precisa. Assim como de outros reforços, em outras posições, algo que certamente a nova gestão do clube está ciente.

https://twitter.com/NacaoCRF/status/1079101795710967809

 

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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