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Rio Preto teve na raça sua principal força para ser campeão brasileiro feminino

Todo mundo gosta de um futebol bem jogado. Gosta de técnica, de talento, de times que trocam passes com a facilidade de quem joga bola na rua. Mas quem não gosta de times que se dedicam como se aquele fosse o último jogo da sua existência. Neste domingo, o Rio Preto empatou por 1 a 1 com o São José, na casa dos adversários, garantindo o título pela vitória no jogo de ida por 1 a 0. E foi uma vitória também sobre o cansaço. No sábado, os dois times decidiram os Jogos Abertos do Interior, com vitória do São José por 1 a 0. No domingo, foi a decisão do Brasileiro. Em 24 horas, dois jogos, duas finais. Algo inacreditável e um problema sério de organização.

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As duas equipes decidiram a final dos jogos abertos do interior em Barretos, a 400 quilômetros de onde jogaram neste domingo, em São José dos Campos. E tudo por um problema burocrático. A final do Brasileiro deveria ter sido jogada no dia 25 de novembro, mas o Rio Preto entrou com recurso alegando que Gabi, do São José, estaria suspensa porque levou um cartão amarelo e depois um vermelho – implicando em uma dupla suspensão pelo acúmulo de amarelos e pela expulsão.

A CBF acatou o pedido e o julgamento foi no dia 27. O São José provou que a sua jogadora levou dois cartões amarelos na partida, por isso foi expulsa. Assim, não implicaria em dois jogos de suspensão, pelos cartões amarelos e mais um pelo vermelho. A final foi remarcada para este domingo, dia 6. Justamente um dia depois da final dos Jogos Abertos, que teve os dois times decidindo o título. Uma loucura, resultado de uma falta de organização e articulação de todos os organizadores. Afinal, as atletas precisam jogar, porque não há uma liga nacional com calendário para o ano todo. Se no Masculino o problema é o excesso de datas, no feminino a questão é a falta de jogos. Por isso, acumular datas assim é questão de desorganização.

O jogo

O São José, precisando vencer, foi quem tomou a iniciativa no estádio Martins Pereira. O Rio Preto, forte na marcação, com um time que sofreu poucos gols na competição, criou dificuldades para o time do Vale do Paraíba, que é atual campeão da Libertadores. E com o São José precisando vencer, quem abriu o placar foi o Rio Preto. Depois de cobrança de escanteio, Jéssica aproveitou a sobra, em uma incrível falha de marcação do time da casa, e marcou 1 a 0.

Com a vantagem de dois gols no confronto, o Rio Preto podia administrar a partida. O São José, então, precisava de uma vitória de qualquer jeito. Arrancou o empate com uma grande jogada da veterana Formiga, de 37 anos, que cruzou para Chu, de cabeça, marcar e deixar o placar em 1 a 1. Resultado insuficiente.

O São José partiu com tudo para o segundo tempo. Foi o momento da goleira do Rio Preto e da Seleção Brasileira, Luciana, aparecer. Ela fez ao menos três defesas importantes, que impediram que o gol do São José saísse e a partida ganhasse contornos ainda mais dramáticos. No final, já com os dois times cansados pela partida intensa e o gramado pesado, o Rio Preto quase matou o jogo em contra-ataque. Elis, sozinha dentro da área, teve a chance, em cruzamento rasteiro vindo da esquerda, mas perdeu.

No final, festa das jogadoras do Rio Preto, que são campeãs pela primeira vez do Campeonato Brasileiro. Darlene, que deixará a equipe para jogar na China, resumiu um pouco do sentimento na entrevista à TV Brasil, ainda no campo: “De 100 pessoas que nos viram, 99 não acreditavam na gente. Nosso time tem chutão sim, mas também tem raça. E somos campeãs”, disse a jogadora. Raça, de fato, não faltou ao time, que superou adversárias mais técnicas em campo, jogando e vencendo.

O Jacaré fica com o título e comemora. O Rio Preto se junta ao Centro Olímpico, campeão em 2013, e à Ferroviária, campeã em 2014, como campeões brasileiros. O Rio Preto tinha chegado à semifinal em 2013, quando foi eliminada justamente pelo São José. Desta vez, leva a taça para São José do Rio Preto.

Foto de Felipe Lobo

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!). Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009, onde ficou até 2023.

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